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Universidade Federal de Goiás
Painel Econômico

PAINEL ECONÔMICO

Boletim de Conjuntura Econômica aponta crescimento na venda de veículos e motos em Goiás

As vendas de veículos e motocicletas neste ano estão destoando dos movimentos apresentados pelos demais setores da economia. As vendas acumuladas já estão próximas ao que era esperado para o ano todo e superaram as expectativas do setor. Em Goiás, as vendas de veículos aumentaram em sete dos noves meses apurados pelo IBGE até agora. As duas quedas ocorreram em maio/2018 e em junho/2018, no bojo dos efeitos da greve dos caminhoneiros sobre a economia. Depois disso, foram três resultados positivos no estado: 14,8% em julho/2018; 17,3% agosto/2018; e 17,0% em setembro/2018.

Não é fácil explicar esses resultados quando se analisa o desempenho das economias goiana e brasileira neste ano. No caso de Goiás, os dados do IBGE dão conta de que a produção industrial sofreu redução de 3,6% até setembro/2018 e as vendas do comércio varejista têm queda acumulada de 1,1%, resultado próximo ao do setor de serviços, que se retraiu 0,9% no mesmo período. A taxa de desocupação de Goiás relativa ao 3º trimestre de 2018 caiu pelo segundo trimestre consecutivo, chegando a 8,9%, ante 9,5% registrados no trimestre anterior e 9,2% no 3º trimestre de 2017. O resultado é bom, principalmente porque indica uma tendência de queda dessa taxa no estado. O problema é que tal queda é explicada fundamentalmente pelo aumento do emprego informal e pelos trabalhadores classificados como “conta própria”, que incluem os profissionais que não possuem funcionários para auxiliá-los nos seus negócios, que são em sua grande maioria informais.

Assim, os bons ventos vindos do agronegócio ajudam a explicar o aumento das vendas de veículos neste ano. As estimativas do IBGE sugerem que a produção de grãos em Goiás em 2018 deve ficar próxima ao recorde registrado em 2017 e os preços praticados estão assegurando uma boa renda para o setor. Com isso, as vendas de máquinas agrícolas (tratores de rodas e de esteiras, cultivadores motorizados, colheitadeiras e retroescavadeiras) já aumentaram mais de 10% no país até outubro/2018.

Outra possível explicação para o desempenho do setor automobilístico decorre dos aumentos dos preços dos combustíveis. Tais aumentos parecem estar provocando uma onda de renovação da frota pelas grandes transportadoras, que têm buscado trocar caminhões antigos por outros mais modernos e econômicos, visando reduzir custos e aumentar a lucratividade. No acumulado do ano, houve aumento de mais de 50% das vendas de caminhões novos no país.

Do lado das pessoas físicas, há indícios de que o aumento das vendas de veículos novos é explicado em boa medida pela elevação da oferta de crédito e pela redução das taxas de juros. O crédito para a aquisição de veículos responde mais efetivamente aos movimentos da taxa básica de juros da economia brasileira, Selic, que se encontra em seu menor patamar histórico (6,5% ao ano). Além de contar com mais garantias do que outros tipos de financiamento, os bancos tradicionais contam com a concorrência dos bancos das montadoras, o que torna o crédito para financiamento de veículos mais competitivo. Junte-se a tudo isso a redução da inadimplência de pessoas físicas, que tem contribuído para aumentar a oferta de crédito para o setor.

De qualquer modo, embora não seja acompanhado pelos resultados dos demais setores, o desempenho das vendas de veículos é muito positivo. No Brasil, o setor automotivo é responsável por mais de 20% do PIB da indústria e afeta efetivamente a performance de vários outros setores, em razão dos seus encadeamentos para frente e para trás. Por sua vez, o estado de Goiás, conta com grandes empresas do setor em seu território, como Mitsubishi, John Deere, Suzuki e Hyundai, as quais, juntamente com uma significativa rede concessionárias e fornecedores, também se beneficiam do aumento das vendas de veículos e contribuem para melhorar o desempenho de outros setores neste ano.

Boletim de Conjuntura Econômica de Goiás – N. 103/novembro de 2018. Equipe Responsável: Prof. Dr. Edson Roberto Vieira, Prof. Dr. Antônio Marcos de Queiroz.

Fonte: Secom/UFG

Categorias: colunistas