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Universidade Federal de Goiás
Maria Clorinda Fioravanti

O papel da educação

Criada em 08/10/19 14:36. Atualizada em 08/10/19 15:18.

Professora defende criação de políticas de estado sólidas e perenes para a educação, ciência e tecnologia

Maria Clorinda Fioravanti*

Maria Clorinda Fioravanti

Países capazes de produzir conhecimento científico e tecnológico são os que detêm os melhores índices de desenvolvimento econômico e, por conseguinte, são aqueles onde os cidadãos conseguem desenvolver plenamente seu potencial como seres humanos. Para confirmar a veracidade dessa premissa basta sobrepor os mapas-múndi com a indicação dos países membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e o mapa do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Países, como os EUA, que muito cedo compreenderam essa lógica, estabeleceram políticas de estado que possibilitaram o seu desenvolvimento econômico e social, alicerçado na tríade: Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I). Essa visão é também compartilhada por economistas como Jeffrey Sachs, ao propor uma divisão do mundo não mais baseada em ideologia política, mas sim no grau de desenvolvimento científico e tecnológico: países tecnologicamente inovadores dotados de soberania econômica e justiça social, países adaptadores de tecnologia e os tecnologicamente excluídos.

A premissa segue presente na resposta dos países desenvolvidos diante da crise, momento em que aumentam os investimentos em CT&I, exatamente ao contrário do que tem acontecido no Brasil, onde os dispêndios em 2019 foram inferiores aos de 2005. A ciência não é um processo que surge de forma abrupta e rápida, pois para um país produzir CT&I com qualidade e quantidade é indispensável à existência simultânea de três condições: Investimento permanente; Infraestrutura adequada e Constante capacitação das pessoas. Portanto devem existir políticas de estado sólidas e perenes para a educação, ciência e tecnologia.

Vejam bem, estamos falando de políticas de Estado e não políticas de governo, essas últimas efêmeras, inócuas, economicamente caras e improdutivas, pois objetivam resultados em curto prazo. Finalizo lembrando que nenhuma política para CT&I terá sucesso sem a base concreta da Educação. Essa relação direta entre o investimento expressivo e contínuo em educação como semente e o desenvolvimento econômico e tecnológico como fruto, foi claramente mostrado pela Coreia do Sul, que investe mais de 7% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em educação. A construção da Política de Estado do Brasil para Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação é a única esperança para que o nosso país alcance seu pleno desenvolvimento econômico e social.

Maria Clorinda Soares Fioravanti - Diretora da Escola de Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal de Goiás (Artigo publicado originalmente no Jornal O Popular no dia 7 de outubro de 2019)

Fonte: Secom UFG

Categorias: artigo