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Universidade Federal de Goiás
Carlos Siqueira

Faculdade de Medicina recebe exposição Entrelinhas

Criada em 29/11/19 11:26. Atualizada em 29/11/19 15:41.

Fotos poderão ser vistas até o dia 6 de dezembro no local. Após essa data serão expostas na Reitoria

Kharen Stecca

A Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás recebeu no dia 28 de novembro a abertura da exposição de fotos Entrelinhas: o olhar de Carlos Siqueira sobre a UFG. A exposição é uma comemoração aos 25 anos de trabalho do fotógrafo Carlos Siqueira dentro da universidade. A mostra que é itinerante pode ser vista na Faculdade de Medicina até o dia 6 de dezembro, de 7 a 12 de dezembro no Hall da Reitoria e no dia 13 no hall da Biblioteca Central. 

Exposição Carlos Siqueira
Carlos Siqueira é responsável por grande parte do acervo de fotos da UFG (Fotos: Natália Cruz)

Carlos Siqueira é fotógrafo da UFG há 25 anos. Iniciou seu trabalho na Faculdade de Medicina da UFG e depois seguiu para a então Assessoria de Comunicação da UFG, hoje Secretaria de Comunicação. Para a exposição foram escolhidas 36 fotos que contam uma parte da história da universidade. Algumas foram bastante repercutidas nas redes sociais e imprensa. Outras contam sobre os bastidores de eventos e momentos únicos registrados pelo fotógrafo. Organizada pela Secretaria de Comunicação a exposição é uma homenagem da universidade e de seus colegas ao trabalho do fotógrafo Carlos Siqueira.

Exposição Carlos Siqueira
Abertura da exposição Entrelinhas

 

Confira o texto de abertura da exposição que conta um pouco da história do fotógrafo:

ENTRELINHAS
O olhar de Carlos Siqueira sobre a UFG

Luiz Felipe Fernandes

Registrar a história de uma instituição é tarefa que requer responsabilidade, dedicação e sensibilidade. Essas têm sido as marcas da carreira do fotógrafo Carlos Siqueira, que neste fim de 2019 completa 25 anos de trabalho na Universidade Federal de Goiás. Uma pequena parte das milhares de imagens que compõem o acervo deste profissional foram selecionadas para esta exposição, que, ao mesmo tempo em que socializa com a comunidade universitária seu olhar sobre a UFG, representa uma justa homenagem pelo nobre ofício desempenhado ao longo de todos esses anos.

As fotografias são representativas não só pelo traço artístico ou pela qualidade técnica. Elas também retratam fatos marcantes, revelam traços recônditos, registram momentos e imortalizam pessoas. Em suma, são expressão de um artista que se vale de lentes, luz e talento. É o próprio Carlos que diz que fotografar se assemelha a pintar um quadro, já que a imagem final é resultado do que o fotógrafo decide incluir ou excluir do cenário. Com uma diferença: a perspicácia ao disparar o obturador de forma a captar a essência de um momento que pode não mais se repetir.

PRIMEIROS PASSOS
A carreira consolidada de Carlos Siqueira é fruto de uma trajetória que reflete a realidade brasileira. Natural de Guaimbê, no interior de São Paulo, precisou trabalhar desde criança. Vendeu picolé, foi feirante e trabalhou como empacotador em supermercado. Nos anos 1980, em Bauru, decidiu pedir emprego em uma gráfica, mesmo não tendo muita noção do serviço a ser desempenhado. Ao responsável pela seleção, mencionou que havia feito um curso de desenho artístico por correspondência, o que o habilitou para um teste bem-sucedido e a contratação como arte-finalista.

Do emprego na gráfica viria o primeiro contato com a fotografia. “A gravação no fotolito é um processo fotográfico. Para fazer as cópias em tamanho maior, usávamos o ampliador de fotografia”, explica. A partir daí vieram a primeira máquina fotográfica, um curso de fotografia e os livros e revistas sobre o assunto – coleção que guarda até hoje. Ao se mudar para Goiânia, Carlos trabalhou em uma agência de propaganda e em uma gráfica, desempenhando alguns trabalhos com fotos e desbravando os primeiros softwares de edição de imagem. Embora ainda não se considerasse um profissional da fotografia, ela já era um hobby consolidado em sua vida.

O marco de sua profissionalização foi o ano de 1994, quando foi aprovado no concurso para fotógrafo da UFG. A história, entretanto, poderia ter sido bem diferente. Dias antes da inscrição no concurso, Carlos sofreu um acidente de moto e estava com a mão e o pé engessados. Ao chegar no local da inscrição, a fila dava voltas no quarteirão. “Imaginei que seriam muitos candidatos e eu nem teria chance. Quando estava indo embora, um colega que já trabalhava na Universidade insistiu para que eu me inscrevesse. Aceitei a ajuda, preenchi a ficha, paguei a taxa e fiz a inscrição”.

A seleção tinha duas etapas. A primeira prova foi de conhecimentos gerais e teóricos sobre fotografia. Aprovado, Carlos participou da prova prática, aplicada pelo professor Thomaz Roland Hoag. A avaliação consistia em fotografar uma escultura e o conteúdo de um livro, além de fazer a revelação no laboratório. O olhar de quem já demonstrava intimidade com o ato de fotografar permitiu um bom registro da escultura. Já a experiência adquirida nas gráficas em que trabalhou garantiu a reprodução do livro e a revelação das imagens. Em algumas semanas, começava a carreira de Carlos Siqueira na UFG.

UFG EM IMAGENS
O primeiro local de trabalho de Carlos Siqueira na UFG foi no Hospital das Clínicas/Faculdade de Medicina, na Seção de Documentação Científica. “Era um trabalho mais técnico: fotografar peças de anatomia, pacientes em diferentes áreas do hospital, detalhes de procedimentos cirúrgicos. As imagens eram usadas com fins didáticos, para compor slides para aulas, congressos e publicações”, diz. Depois de dez anos, Carlos foi para a então Assessoria de Comunicação (hoje Secretaria de Comunicação).

Carlos afirma que a cobertura de eventos, que passaria a ser uma rotina em sua atuação profissional, foi uma novidade desafiadora. Ele lembra que logo no início precisou cobrir um grande evento, com a participação de diversas autoridades. “Eu não tinha muita experiência nesse tipo de cobertura. Iam chegando os momentos importantes do evento e dava aquela adrenalina”. Observando outros fotojornalistas, estudando as imagens de jornais e revistas e discutindo as necessidades com os jornalistas que o acompanhavam, Carlos foi apurando sua técnica.

Mas o significado por trás das fotos transcende aspectos técnicos, como fica evidente nas imagens selecionadas para a exposição. Exemplo é a fotografia da formatura de uma turma de catadores de lixo. “A imagem, que acabou ficando um pouco distorcida, é bastante simbólica, porque passa a ideia de que essas são pessoas que nós não enxergamos no dia a dia”. Outra imagem com essa carga emotiva é a do casamento de uma paciente terminal no Hospital das Clínicas. Outras prestam a devida homenagem a quem tanto contribuiu e ainda contribui para a UFG durante a vida.

Tanto na cobertura de eventos quanto na produção de imagens para veículos de comunicação institucionais e acervos acadêmicos da UFG, Carlos Siqueira é também um espectador privilegiado. “Tem algumas fotos que, no momento em que fotografei, eu sabia que ficariam registradas na história”, conta. Uma delas é o juramento feito por um indígena em uma cerimônia de colação de grau. A foto, que rodou o Brasil, representa parte do que é hoje a universidade pública. Assim como seu autor, imprescindível não só para a documentação científica, onde começou a atuar, ou para a comunicação, onde trabalha atualmente, mas também – e sobretudo – para a história da UFG.

Exposição Carlos Siqueira
Exposição poderá ser vista no hall da reitoria

 

Fonte: Secom UFG

Categorias: Arte e Cultura