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Universidade Federal de Goiás
Painel Econômico

PAINEL ECONÔMICO

Criada em 04/03/20 10:12. Atualizada em 31/03/20 17:29.

Em 2019 o crescimento da economia goiana foi menor do que a média nacional

Boletim de Conjuntura Econômica de Goiás – Nº 118, fevereiro de 2020


As informações divulgadas pelo IBGE com o fechamento dos dados econômicos da indústria, do comércio e dos serviços do ano de 2019 dão pistas consistentes de que o ritmo da economia goiana naquele ano esteve aquém do crescimento da economia brasileira, que também não parece ter sido muito bom e deve ter ficado próximo a 1,0%. O setor de  serviços fechou 2019 com queda de 2,5%, enquanto a média nacional apontou crescimento de 1,0%. Com esse resultado, Goiás acumulou cinco anos de quedas consecutivas do seu setor de serviços, cujo último crescimento ocorreu apenas em 2014. No caso do comércio varejista, o resultado foi melhor que o do setor de serviços, com crescimento de 0,5% em 2019, mas abaixo do nacional, de 1,8%; contudo, o setor caiu mais de 28,0% de 2015 a 2018 e cresceu apenas 1,0% entre 2018 e 2019, ficando longe, portanto, de se recuperar da crise. A indústria goiana foi a única a crescer mais do que a média nacional em 2019: os índices de Goiás e do Brasil foram de 2,9% de -1,1%, respectivamente, mas o resultado do estado não recuperou a queda de 4,7% registrada em 2018. O resultado disso tudo, evidentemente, impactou diretamente o mercado de trabalho. Os últimos resultados da Pnad Contínua, do IBGE, mostraram que Brasil e Goiás fecharam 2019 com a taxa de desocupação média em direções opostas: enquanto a taxa nacional caiu de 12,3% para 11,9%, a goiana aumentou de 9,2% para 10,6%. Além disso, o estado terminou o último trimestre de 2019 com aumento da informalidade no mercado de trabalho, que atingiu 41,3% do total das pessoas ocupadas, perfazendo cerca de 1.408.000 pessoas.
O fato é que, além do desamparo social e do aumento do déficit da Previdência Social, decorrentes do crescimento do emprego informal, há ainda a questão de que esse tipo de emprego, em geral, paga cerca de 30,0% menos do que o emprego formal. Não por acaso, Goiás registrou a primeira queda do rendimento domiciliar per capita da série iniciada pelo IBGE em 2014. Tal rendimento caiu de R$ 1.323,00, em 2018, para R$ 1.306,00, em 2019, também na contramão do que ocorreu no Brasil, cujo indicador passou de R$ R$ 1.373,00 para R$ 1.439,00 no mesmo período.
Se nada for feito, esses movimentos podem gerar um ciclo vicioso de queda da atividade econômica. A confiança dos consumidores diminui com o aumento do emprego informal, que contribui para que ocorra redução do rendimento domiciliar per capita e, por conseguinte, para arrefecer ainda mais a demanda por bens e serviços no estado.

Boletim de Conjuntura Econômica de Goiás – N. 118/fevereiro de 2020. Equipe Responsável: Prof. Dr. Edson Roberto Vieira, Prof. Dr. Antônio Marcos de Queiroz e o bolsista Matheus Vicente do Carmo.

Fonte: Secom UFG

Categorias: colunistas Face