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Universidade Federal de Goiás

Radiografia das Pastagens do Brasil

Criada em 06/05/15 12:00. Atualizada em 02/06/15 12:17.

Marca Jornal UFG 72

 

 

Radiografia das Pastagens do Brasil

Desenvolvido em parceria com a Presidência da República e fundações nacionais e internacionais, projeto do Lapig comprova que uso eficiente das áreas de pastagens é estratégico para o país
Texto: Angélica Queiroz | Fotos: Lapig

 

Radiografia das pastagens

 

Como desmatar menos, diminuir a emissão de gases poluentes e ao mesmo tempo aumentar a produção de alimentos, inclusive carne, para uma população mundial crescente? Pesquisadores do Laboratório de Processamento de Imagens da Universidade Federal de Goiás (Lapig/ UFG) apostam que a solução para a questão é investir no uso eficiente das pastagens. O laboratório desenvolveu, em parceria com a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE/ PR), um estudo pioneiro no país: o projeto Radiografia das Pastagens do Brasil.

A cooperação técnica, assinada no início de 2014, já tem como resultado um portal público (www.pastagem.org), inédito no país, onde é possível, por meio de um sistema de informações geográficas online, avaliar as pastagens em qualquer lugar do Brasil. Mais de 20 pesquisadores da UFG, entre professores, bolsistas de iniciação científica, mestrandos e doutorandos participam do projeto que já comprovou que o uso mais eficiente das áreas de pastagens é fundamental para o alcance das metas de redução das emissões de gases de efeito estufa e, ao mesmo tempo, para alavancar a produção de alimentos e exportação, adaptando-se às mudanças climáticas.

Ainda em desenvolvimento, o projeto começou em parceria com a Stanford University, nos Estados Unidos, que já resultou em vários artigos publicados. O projeto também despertou o interesse da Gordon and Betty Moore Foundation – fundação americana conhecida por desenvolver projetos para a melhoria da qualidade de vida para as gerações futuras – que investiu mais de 500 mil dólares na pesquisa. Além disso, o projeto conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq).

 

Pesquisa nas pastagens

Pesquisadores do Lapig viajam pelo país para conhecer melhor as pastagens brasileiras

 

Uso eficiente das pastagens é estratégico

 

Para o coordenador do Lapig e do projeto Radiografia das Pastagens do Brasil, Laerte Guimarães Ferreira, a grande preocupação do mundo hoje é com a segurança alimentar e o Brasil é uma das grandes potências agrícolas mundiais. Como desmatar já não é mais uma opção viável, a saída, segundo ele, está em ocupar melhor as áreas já desmatadas. Para o pesquisador, as pastagens que hoje ocupam cerca de 25% do território brasileiro (172 milhões de hectares), constituem reservas de terra mais baratas e ecologicamente corretas. Por isso, Laerte Ferreira ressalta que hoje é estratégico para o país ter uma pecuária mais eficiente.

 

O coordenador explica que a conversão de terras em larga-escala resultou em severa fragmentação dos ecossistemas, na baixa lotação e produtividade das pastagens. Ele conta que, no Brasil, a média de ocupação bovina para cada hectare é de 1,2 cabeças de gado. O ideal é que essa lotação bovina fosse de 2 a 3 por hectare. Essa intensificação é necessária para o aumento de produção e produtividade em uma área cada vez menor.

 

Além da baixa ocupação, estima-se que a degradação afete ao menos 30% da área com pastagens cultivadas, com significativos impactos nas emissões de gases de efeito estufa. Laerte destaca que recuperar essas pastagens é estratégico, mas tem custos relativamente altos: R$ 2.500 por hectare, aproximadamente. Além disso, é necessário levar em conta que o processo de ruminação dos bovinos gera gás metano e é preciso compensar via aumento do carbono (sequestrado) no solo. Tudo isso precisa ser trabalhado para que o Brasil tenha uma pecuária ambientalmente correta que, segundo ressalta o pesquisador, é mais produtiva e mais sustentável.

 

Gado Futebol

 

Objetivos

 

Com o objetivo de transformar o portal em referência internacional, a equipe do projeto está trabalhando para atualizar o mapa de pastagens, que já tem milhares de propriedades cadastradas no sistema. Pesquisadores estão viajando pelo país para conhecer melhor as pastagens. “Nós entendemos de imagens de satélite e mapas, mas não entendíamos nada de pastagens. Então percebemos que precisávamos colocar a botina e pisar no campo”, contou Laerte Ferreira.


No âmbito científico, o pesquisador conta que a meta agora é desenvolver métodos mais eficazes para monitorar a qualidade das pastagens, determinar os fluxos de água e carbono e a forma como estes variam com o manejo e uso. “Pastagens melhor manejadas são mais eficientes em transferir água para a atmosfera, contribuindo para as chuvas e raízes mais profundas que sequestram mais carbono, minimizando o efeito estufa”, detalhou o coordenador do projeto.


Com relação às políticas públicas, os pesquisadores do Lapig estão trabalhando para desenvolver ferramentas que permitam monitorar a eficiência de investimentos públicos e privados na recuperação de pastagens degradadas. O Governo Federal criou em 2010 o Plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono), através do qual, o crédito subsidiado é disponibilizado para a recuperação de pastagens, mas a capacidade de medir e monitorar estes impactos tem sido limitada, porque as informações sobre a extensão e as condições das pastagens ainda são dispersas, pouco detalhadas e desatualizadas. Além disso, o governo carece de ferramentas para fiscalizar se o produtor está realmente utilizando o dinheiro para recuperar pastagens.

 

Sobre a conscientização dos proprietários rurais, Laerte Ferreira lembra que compete aos órgãos governamentais levar essas informações. Ele acredita que as próprias pressões do mercado vão fazer com que o produtor queira se adaptar. “O fato é que o clima do mundo está mudando e esse alerta da crise da água vai servir para abrir os olhos e mudar a mentalidade das pessoas”.

 

“Uma nação como esta, de tal geografia, história, economia, política, línguas, crenças, rituais e valores dá-nos uma lição de vida. Primeiramente, por representar a diversidade tão cara ao modelo civilizatório predominante; segundo, por causar em seus visitantes o incômodo questionamento sobre o sentido e a sustentabilidade desse mesmo modelo ocidental de desenvolvimento que alimentamos diariamente”, relatou.

 

Prédio do Lapig

Estrutura de pesquisa atende cursos de graduação e pós-graduação na UFG

 

Lapig é referência no país

 

A pesquisa também trouxe melhorias para a estrutura do Lapig. Graças aos recursos deste e de outros projetos, o laboratório da UFG é hoje referência no país quando o assunto é processamento de imagens. “Entre as universidades federais, este é certamente o laboratório com a melhor estrutura computacional e equipamentos para pesquisa de ponta em sensoriamento remoto”, garante Laerte.

 

Segundo o pesquisador, toda esta estrutura de pesquisa é também vital para a graduação e pós-graduação na UFG, através de cursos de excelência em sensoriamento remoto e sistemas de informações geográficas, acesso às bases de dados, interação com pesquisadores de outras instituições nacionais e internacionais, entre outros. Ele ressalta, ainda, o trabalho de extensão realizado pelo Lapig, já que todos os dados e informações geradas através dos projetos de pesquisa, dissertações e teses são públicos e disponibilizados de forma interativa e amigável através do portal do laboratório (www.lapig.iesa.ufg.br).

 

 

Para ler o arquivo completo em PDF clique aqui

 

Categorias: pastagens Parceria Lapig Ciência e Tecnologia