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    <title>Jornal UFG </title>
    <description>UFG - Jornal Online</description>
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    <item>
      <title>Jogo de cartas ensina sobre agricultura familiar</title>
      <description>&lt;img width="200" alt="Jogo Raizário" title="Jogo Raizário" src="http://jornal.ufg.brhttps://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/jogo_raizario.png?1781707954" /&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;RaiZário será lançado e distribuído durante a Agro Centro-Oeste Familiar, entre 17 e 20 de junho&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Kharen Stecca&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um jogo que dialoga com o tema das mulheres na agricultura familiar será lançado nesta semana durante a Agro Centro-Oeste Familiar 2026. O jogo RaiZário tem uma proposta lúdica de envolver entretenimento e educação, valorizando os saberes do campo e da economia solidária.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Desenvolvido pela técnica-administrativa e designer da Secretaria de Comunicação (Secom) da Universidade Federal de Goiás (UFG), Juliana Queiroz, que trabalha com o tema dos jogos na educação em seu campo de pesquisa, o jogo RaiZário narra a história de Maria e Ester, duas mulheres criadas em um acampamento de reforma agrária, que aprenderam desde cedo o valor da ajuda mútua e do trabalho coletivo. A competição afetuosa entre as duas personagens, que realizavam tarefas e corridas na infância, transformou-se, na vida adulta, em uma disputa saudável de produção agrícola.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No jogo, os participantes assumem o papel dessas famílias que buscam produzir melhor, cuidar da terra e levar o sustento para a feira. "O RaiZário reafirma o protagonismo das mulheres agricultoras e transforma o ato de planejar e colher em uma experiência sensível e educativa para estudantes, pesquisadores e famílias", afirma Juliana.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Juntamente com Flávio Oliveira e Antônio Dellatore Rodrigues, a designer já participou do desenvolvimento de outro jogo para a feira em 2023. O Cozinha Caipira aborda a culinária goiana e trabalha temas como a escolha dos produtos para a produção dos pratos até à preparação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Leia também:&lt;/strong&gt; &lt;a href="/n/168281-jogo-ensina-nocoes-de-culinaria-goiana-com-produtos-da-agricultura-familiar"&gt;Jogo ensina noções de culinária goiana com produtos da agricultura familiar&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;figure style="max-width: 700px; margin: 0 auto; text-align: center;"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0 auto;" src="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/jogo_raizario.png" alt="Jogo Raizário" width="700" height="464" /&gt;
&lt;figcaption style="padding: 10px 0 10px 10px; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt; text-align: right; color: #555;"&gt;Detalhes das cartas e do Dado Peão RaiZário, inovação prestes a ser patenteada &lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;&lt;span style="color: #555555;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;| Foto: Kharen Stecca/Secom UFG&lt;/span&gt;&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Experiência lúdica e educativa&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Segundo Juliana, o jogo é mais que um passatempo e oferece um aprendizado prático sobre os desafios da agricultura familiar. O jogo é estruturado em quatro fases principais: planejamento com a escolha de cartas de estratégia e tecnologia; a colheita, com uso de dados para obter recursos como milho, cana, água e esterco; a produção, uma "corrida" para transformar recursos em produtos como queijo, cuscuz e rapadura; e a pontuação, soma dos pontos das cartas concluídas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para a designer, ao jogar, o público entende que produzir alimentos exige cuidado, escolha e, acima de tudo, uma relação de respeito com o tempo e a natureza. O projeto traz inovações, como ilustrações produzidas com inteligência artificial e o Dado Peão RaiZário, um componente desenvolvido exclusivamente para o jogo e que já está em processo de patente pela Plataforma de Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia (Pitt) da UFG.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quem visitar a Agro Centro-Oeste Familiar pode ganhar uma das 300 unidades produzidas para o evento ou experimentar as partidas no local. Os visitantes também podem participar de uma oficina de pintura do Dado Peão, levando para casa uma experiência que aproxima a realidade do campo do universo lúdico.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Um dado diferente&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;figure style="margin: 5px 0 5px 15px; float: right; width: 45%; max-width: 300px; text-align: center;"&gt;&lt;img style="width: 100%; height: auto; border-radius: 5px;" src="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/WhatsApp_Image_2026-06-17_at_11.46.40.jpeg" alt="Jogo Raizário" /&gt;
&lt;figcaption style="padding: 5px 0 10px 0; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt; text-align: right; color: #555;"&gt;Juliana Queiroz, designer da Secom UFG &lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt; | Foto: Kharen Steccca/Secom UFG&lt;/span&gt;&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt;O Dado Peão RaiZário, que está em fase de registro de patente, é uma peça especial do jogo, criada para representar o movimento, a sorte e a imprevisibilidade presentes no processo da colheita. Seu formato, ressalta Juliana, remete a um peão, com base arredondada, corpo piramidal, estrutura hexagonal e topo alongado, sugerindo ideias de giro, deslocamento e ação durante a partida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nas laterais aparecem marcações em relevo que indicam os possíveis resultados do dado, como a quantidade de recursos que o jogador poderá coletar ou efeitos especiais capazes de movimentar a dinâmica do jogo. "O dado foi projetado com a intenção de estabelecer uma relação visual e simbólica com o universo das propriedades rurais, uma vez que a figura do peão é bastante presente nesse contexto", explica a designer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Dentro do RaiZário, o Dado Peão é utilizado na fase de colheita. Ao ser lançado ou girado, ele define quantos tokens que o jogador pode coletar – milho, cana, água ou esterco – e também pode ativar o curinga, possibilitando ações estratégicas durante a partida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;"Mais do que um dado comum, ele funciona como um símbolo da relação com a terra: às vezes a colheita é abundante, às vezes é limitada, e, em outros momentos, o jogo abre uma oportunidade inesperada", delineia Juliana. Segundo ela, a ideia é que o dado acrescente dinamismo, surpresa e uma identidade visual própria à experiência do jogo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Sobre a Acof&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A Agro Centro-Oeste Familiar é a maior feira da região Centro-Oeste e uma das maiores do país voltada à agricultura familiar. A Acof 2026 está sendo realizada de 17 a 20 de junho, em Goiânia, no Centro de Cultura e Eventos Professor Ricardo Freua Bufáiçal, no Campus Samambaia da UFG. O tema deste ano é "Mulher agricultora: o protagonismo da agricultura familiar é seu".&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Criada há 26 anos, a iniciativa reúne diferentes parceiros que, juntos, organizam, realizam e recebem aproximadamente 15 mil pessoas durante os quatro dias de evento. O público-alvo são estudantes de todas as fases do ensino, profissionais de diversas áreas, pesquisadores, agricultores familiares, extensionistas e o público em geral.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div style="background-color: #f2f2f2; padding: 20px; border-top: 2px solid #00458a; font-family: Arial, sans-serif; width: 100%; box-sizing: border-box;"&gt;
&lt;div style="max-width: 1200px; margin: 0 auto;"&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 15px; color: #333333; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;strong&gt;Receba notícias de ciência no seu celular&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Siga o &lt;strong&gt;&lt;a href="https://whatsapp.com/channel/0029VanjBwGAjPXKH1VS0f1H" target="_blank" rel="noopener"&gt;Canal do Jornal UFG no WhatsApp&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; e nosso perfil no &lt;strong&gt;&lt;a href="https://www.instagram.com/jornalufg/" target="_blank" rel="noopener"&gt;Instagram&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="color: #333333; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;strong&gt;É da UFG e quer divulgar sua pesquisa ou projeto de extensão?&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="https://forms.gle/ogoDPTdJLbws4Cso9" target="_blank" rel="noopener"&gt;Preencha aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; o formulário.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="color: #333333; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;strong&gt;Comentários e sugestões&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;a href="mailto:jornal@ufg.br" target="_blank" rel="noopener"&gt;jornalufg@ufg.br&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="color: #333333; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;strong&gt;Política de uso&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal UFG e do autor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;</description>
      <pubDate>Wed, 17 Jun 2026 11:57:33 -0300</pubDate>
      <link>https://jornal.ufg.br/n/201928-jogo-de-cartas-ensina-sobre-agricultura-familiar</link>
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    <item>
      <title>Chuva no inverno? Entenda o fenômeno responsável por clima atípico em Goiás</title>
      <description>&lt;img width="200" alt="Boletim Meteorológico junho 2026" title="Boletim Meteorológico junho 2026" src="http://jornal.ufg.brhttps://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/boletim_meteorologico_junho.png?1781630545" /&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Combinação incomum, Oscilação de Madden-Jullian se junta a frente fria e traz instabilidade sobre o estado&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;CEMPA-Cerrado&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O &lt;a href="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/1320/o/Boletim_subsazonal_cempa_12062026.pdf" target="_blank" rel="noopener"&gt;Boletim de Previsão Subsazonal&lt;/a&gt; para o período de 12 de junho a 9 de julho de 2026 aponta para um cenário de instabilidade atmosférica acima do esperado para o início do inverno no Brasil Central, com precipitações previstas para os próximos dias em todo o estado de Goiás e na Região Metropolitana de Goiânia (RMG).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O documento é produzido pelo &lt;a href="https://cempa.ufg.br/" target="_blank" rel="noopener"&gt;Centro de Excelência em Estudos, Monitoramento e Previsões Ambientais do Cerrado&lt;/a&gt; (CEMPA-Cerrado), vinculado à Universidade Federal de Goiás (UFG), no âmbito do acordo de cooperação com a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação de Goiás (Secti).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A força invisível por trás da chuva de inverno&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O principal responsável pelo comportamento atípico do tempo nas próximas semanas é um fenômeno chamado Oscilação de Madden-Julian (OMJ) – um sistema de variabilidade climática que se desloca lentamente ao longo da faixa tropical do planeta, no oceano Pacífico, carregando consigo grandes áreas de convecção atmosférica, ou seja, zonas onde o ar quente e úmido sobe com força suficiente para formar nuvens densas e provocar chuvas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;À medida que a OMJ se aproxima do continente americano, ela intensifica os mecanismos responsáveis pela formação de precipitação sobre as áreas do Centro-Oeste brasileiro que, em condições normais de inverno, já estariam sob domínio do tempo seco. No caso atual, esse fenômeno atua em conjunto com uma frente fria, amplificando ainda mais a instabilidade sobre Goiás, uma combinação relativamente incomum para esta época do ano.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O resultado prático: mais umidade disponível na atmosfera, maior frequência de nuvens carregadas e maior probabilidade de chuvas, mesmo em pleno junho.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;figure style="max-width: 700px; margin: 0 auto; text-align: center;"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0 auto;" src="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/omj.jpeg" alt="Previsão do tempo" width="700" height="391" /&gt;
&lt;figcaption style="padding: 10px 0 10px 10px; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt; text-align: right; color: #555;"&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;Fonte: CEMPA-Cerrado&lt;/span&gt;&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O que esperar semana a semana&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O boletim divide o período analisado em três fases com comportamentos bem distintos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na primeira fase, entre os dias 12 e 18 de junho, a atuação conjunta da frente fria e da OMJ deverá intensificar a instabilidade sobre a RMG e grande parte do estado. A probabilidade de pancadas de chuva é média, e as chuvas poderão ocorrer em qualquer período do dia. As temperaturas ficarão abaixo da média climatológica para a época, com anomalias entre -1°C e -2°C. Na RMG, as máximas devem oscilar entre 25°C e 31°C, com mínimas entre 13°C e 17°C.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na segunda fase, de 19 a 30 de junho, o cenário passa por uma transição. Entre os dias 19 e 23, a instabilidade ainda se faz presente, especialmente no período da tarde e da noite, com pancadas isoladas de chuva – porém com volumes baixos e distribuição irregular. A partir do dia 24, a tendência é de enfraquecimento gradual das áreas de instabilidade e retorno progressivo das condições típicas de inverno: céu mais aberto, sol entre poucas nuvens e baixa probabilidade de precipitação. O inverno de 2026 começa oficialmente no dia 21 de junho.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na terceira fase, de 1º a 9 de julho, o padrão seco e estável se consolida sobre o território goiano. A frequência de chuvas cai de forma acentuada, o sol predomina e as temperaturas seguem amenas, especialmente nas madrugadas e no início das manhãs.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Precipitação acima da média nos próximos 30 dias&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A análise probabilística para o conjunto do período aponta maior chance de precipitação acima da média climatológica sobre a RMG, com anomalias positivas de chuva da ordem de 10 milímetros. As temperaturas devem permanecer relativamente mais amenas ao longo de todo o intervalo analisado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A tabela a seguir apresenta a média climatológica histórica de precipitação para cada subperíodo nos municípios monitorados, valores que servem como referência para dimensionar o que está sendo previsto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;figure style="max-width: 700px; margin: 0 auto; text-align: center;"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0 auto;" src="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/tabela_municipios.png" alt="Previsão do tempo" width="700" height="373" /&gt;
&lt;figcaption style="padding: 10px 0 10px 10px; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt; text-align: right; color: #555;"&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;Fonte: CEMPA-Cerrado&lt;/span&gt;&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div style="background-color: #f5f5f5; padding: 15px 30px; border-radius: 3px; font-size: 11pt; max-width: 800px; margin: auto; color: #444444;"&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;SOBRE O BOLETIM SUBSAZONAL&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Boletim de Previsão Subsazonal é publicado quinzenalmente pelo CEMPA-Cerrado e cobre um horizonte de até quatro semanas, com detalhamento por sub-regiões do estado de Goiás. O documento integra o portfólio de produtos meteorológicos operacionais do centro, desenvolvido em parceria com a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação de Goiás (Secti) e com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg). O boletim completo está disponível no &lt;a href="https://cempa.ufg.br/p/60696-boletins-subsazonais-4-semanas-e-sazonais-ate-3-meses" target="_blank" rel="noopener"&gt;Portal CEMPA-Cerrado&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div style="background-color: #f2f2f2; padding: 20px; border-top: 2px solid #00458a; font-family: Arial, sans-serif; width: 100%; box-sizing: border-box;"&gt;
&lt;div style="max-width: 1200px; margin: 0 auto;"&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 15px; color: #333333; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt; &lt;strong&gt;Envie sua sugestão de artigo para o Jornal UFG&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="/p/51985-diretrizes-para-publicacao-de-artigos-de-opiniao-e-colunas-no-jornal-ufg"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Acesse aqui as diretrizes para submissão.&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 15px; color: #333333; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;strong&gt;Receba notícias de ciência no seu celular&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Siga o &lt;strong&gt;&lt;a href="https://whatsapp.com/channel/0029VanjBwGAjPXKH1VS0f1H" target="_blank" rel="noopener"&gt;Canal do Jornal UFG no WhatsApp&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; e nosso perfil no &lt;strong&gt;&lt;a href="https://www.instagram.com/jornalufg/" target="_blank" rel="noopener"&gt;Instagram&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="color: #333333; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;strong&gt;Política de uso&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Os artigos publicados são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião do Jornal UFG.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal UFG e do autor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;</description>
      <pubDate>Tue, 16 Jun 2026 14:23:50 -0300</pubDate>
      <link>https://jornal.ufg.br/n/201897-chuva-no-inverno-entenda-o-fenomeno-responsavel-por-clima-atipico-em-goias</link>
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    </item>
    <item>
      <title>Quando todos comunicam, a universidade é mais bem compreendida</title>
      <description>&lt;img width="200" alt="Jorge Duarte" title="Jorge Duarte" src="http://jornal.ufg.brhttps://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/_UFG9661.jpg?1781544642" /&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Jorge Duarte defende que a comunicação institucional ocorre em cada interação com a sociedade, e não apenas nos setores especializados&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Luiz Felipe Fernandes&lt;br /&gt;Kharen Stecca&lt;br /&gt;Versanna Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A comunicação em instituições públicas não é responsabilidade exclusiva dos profissionais da área, mas um dever compartilhado por todos os servidores. Essa é a avaliação do jornalista, relações públicas e pesquisador Jorge Duarte, presidente da Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública), para quem cada interação entre a instituição e a sociedade contribui para construir sua imagem e reputação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em entrevista ao &lt;strong&gt;Jornal UFG&lt;/strong&gt; durante o &lt;a href="https://ufg.br/n/201806-uma-comunicacao-publica-que-nao-constitui-a-cidadania-esta-falhando" target="_blank" rel="noopener"&gt;3º Encontro de Agentes de Comunicação&lt;/a&gt; da Universidade Federal de Goiás (UFG), na última quinta-feira (11/6), o professor falou sobre o papel estratégico da comunicação pública, os desafios de coordenar redes de comunicadores em instituições complexas, o uso da inteligência artificial e a importância de iniciativas como os agentes de comunicação da UFG, instituídos pela Política de Comunicação em 2019.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;figure style="max-width: 700px; margin: 0 auto; text-align: center;"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0 auto;" src="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/_UFG9661.jpg" alt="Jorge Duarte" width="700" height="466" /&gt;
&lt;figcaption style="padding: 10px 0 10px 10px; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt; text-align: right; color: #555;"&gt;Jorge Duarte abordou a comunicação pública para o exercício da cidadania &lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;&lt;span style="color: #555555;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;| Foto: Carlos Siqueira/Secom UFG&lt;/span&gt;&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Em algumas de suas palestras, principalmente em instituições públicas, o senhor diz que a comunicação não é restrita ao departamento de comunicação, que todo servidor faz comunicação. O que o senhor quer dizer com isso?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Jorge Duarte –&lt;/strong&gt; Tu tem uma área de gestão da comunicação – essa que eu chamo de gestão estratégica da comunicação –, é a área que tem que pensar a comunicação. Agora, quem faz comunicação são todos, inclusive terceirizados. O motorista terceirizado me trouxe aqui. Ele representa a universidade. Ele fala em nome da universidade, não tem jeito. Então ele faz também [comunicação], ele precisa saber o mínimo da universidade, ele precisa conhecer a universidade e atuar como se ele representasse a universidade, porque ele representa a universidade. Então, a área de comunicação é responsável por organizar isso, por organizar que todos os funcionários, todos os alunos, todos os pais de alunos, eles saibam o mínimo, eles entendam a universidade, para onde ela vai, quais as prioridades, o que ela faz, o que ela entrega, qual a importância dela. Então a gestão estratégica, a área de comunicação, ela coordena a comunicação, mas ela não faz a comunicação, porque todos fazem a comunicação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Como isso se dá na prática, principalmente em instituições como universidades públicas? Se todo mundo faz comunicação, pode parecer que os servidores vão ficar sobrecarregados com mais uma função ou que, como a gente passa por muito contingenciamento, não vai ter recurso para isso. Como lidar com esses desafios e superá-los?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Jorge Duarte –&lt;/strong&gt; Todos fazem comunicação o tempo todo, não tem uma função a mais. O atendente da biblioteca tem que atender pessoas, ele tem que atender telefone, ele tem que responder e-mails, ele tem que procurar livros, ele tem que orientar pessoas. Tudo isso é comunicação. Agora, ele tem que fazer isso bem feito, porque ele representa a instituição, ele é pago com dinheiro público para prestar um tipo de serviço. O que a gente quer é que esse serviço tenha qualidade de comunicação, o atendimento seja bem feito. Isso não significa que ele vá agora estar subordinado à área de comunicação, mas pode significar, por exemplo, que a área de comunicação crie políticas de comunicação, que crie treinamentos em comunicação, que crie manuais de atendimento ao público. Tudo isso, essa base estrutural, vai ajudar para que cada servidor faça melhor seu trabalho, comunique melhor e, portanto, a universidade seja mais bem representada e mais bem compreendida por seus públicos. Quando tem uma instituição em que a comunicação funciona bem, as pessoas tendem a entender melhor a instituição, tendem a valorizar melhor a instituição, tendem a melhorar a reputação da instituição. Então a área de comunicação tem essa responsabilidade de coordenar. O que é interessante é que ela não tem que fazer a comunicação. Ela tem que fazer com que as pessoas façam boa comunicação no seu ambiente de trabalho. Elas não têm que fazer nada além do que elas estão fazendo. Elas apenas têm que fazer o que elas fazem com qualidade comunicativa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;figure style="max-width: 700px; margin: 0 auto; text-align: center;"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0 auto;" src="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/_UFG9721.jpg" alt="Jorge Duarte" width="700" height="466" /&gt;
&lt;figcaption style="padding: 10px 0 10px 10px; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt; text-align: right; color: #555;"&gt;Jorge Duarte disse ver positivamente iniciativas como a dos agentes de comunicação da UFG &lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;&lt;span style="color: #555555;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;| Foto: Carlos Siqueira/Secom UFG&lt;/span&gt;&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Já tem algumas décadas que as redes sociais fazem parte do ecossistema comunicacional e fazer comunicação pública também está ligado a lidar com tudo o que está relacionado às redes sociais. Mais recentemente, a gente tem a inteligência artificial entrando nesse jogo. Como o senhor vê isso? Quais são os limites ou as potencialidades dessas novas tecnologias – redes sociais já há algum tempo e agora a inteligência artificial – para a comunicação pública?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Jorge Duarte –&lt;/strong&gt; Na verdade, isso veio desde o surgimento da máquina de escrever, depois os computadores. São ferramentas, estruturas, opções novas que surgem, que têm que ser usadas com o mesmo padrão ético, a mesma responsabilidade social e em um sentido produtivo. Nós temos que usar bem essas ferramentas para que a gente consiga entregar melhor aquilo por que a gente é pago, que a gente tem que entregar. Então, obviamente que, como é uma coisa nova, se discute até onde dá para ir, o que é possível fazer, qual o limite que a gente tem – essa discussão é absolutamente normal e é importante. Mas, na verdade, é uma ferramenta incrível que ajuda a aumentar a produtividade, que ajuda a dar qualidade nas entregas. Eu acho que para a área de comunicação ela vai ajudar muito. Agora, isso precisa ser bem pensado. Inclusive a área de comunicação tem que estabelecer regras, padrões, como, por exemplo, a academia está fazendo hoje na produção de teses, dissertações de mestrado, de artigos científicos, está estabelecendo limites. Mas não é jogar contra a inteligência. É dizer assim: “Olha, é ótimo, mas tem uma hora em que ela começa a perturbar o processo. Então, aqui não dá para ir”. Essa orientação precisa ser feita, mas a ferramenta em si é muito bem-vinda.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Aqui na UFG, desde 2019, com a publicação da Política de Comunicação, foi instituída a figura do agente de comunicação, que é alguém que está na unidade acadêmica ou em um órgão administrativo, e, sendo ou não da comunicação, acaba exercendo um pouco essa função. Já é possível fazer uma avaliação de como tem sido essa experiência em outros lugares?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Jorge Duarte –&lt;/strong&gt; Há uma semana fizemos um estudo, entrevistamos 22 gestores de comunicação nas universidades federais para uma pesquisa. Fizemos entrevistas em profundidade e isso [os agentes de comunicação] apareceu nas universidades, essa tentativa de criar uma rede, porque as universidades estão em vários câmpus, algumas estão até em outros estados, elas têm uma complexidade de rede que dificulta a coordenação da comunicação. E tem que existir essa coordenação, porque todos têm que ter os mesmos dados, o mesmo comportamento, têm que ter as diretrizes principais, têm que ter diálogo, troca de experiências. E as estruturas de comunicação são muito pequenas, tem universidades com cinco, dez pessoas na área de comunicação concursadas. Então tem um caminho que é ampliar o número de profissionais, que é um caminho complicado, e tem alternativas como essa, que acho muito válidas, na medida em que há uma coordenação da área de comunicação, de profissionais de comunicação que estão fazendo isso. Na Embrapa, por exemplo, de onde eu venho, fizemos isso na década de 1990. Éramos 26 profissionais de comunicação e tínhamos 39 unidades. Ou seja, boa parte das unidades não tinha profissionais de comunicação, até porque a sede, por exemplo, tinha meia dúzia de profissionais. Aí a gente criou unidades de comunicação sem ter profissionais de comunicação, os chamados núcleos de comunicação empresarial, e não tinha profissional de comunicação. Então, em tese, qualquer um poderia assumir, o importante é que tivesse a área. E isso foi muito bom. Hoje, a Embrapa tem mais de 200 profissionais de comunicação. Isso alavancou a comunicação na empresa, embora não fosse executado por profissionais de comunicação, numa situação muito mais complexa que a de vocês. Porque, na época, esse profissional que não era de comunicação estava no Acre, estava no Amapá, estava em Manaus. Não tinha internet do jeito que tem hoje, não tinha a estrutura de comunicação. Então tudo era muito difícil. E, ainda assim, a gente fortaleceu a ideia de que a organização tem de ter uma comunicação estruturada, de que a comunicação acontece em cada lugar e que cada lugar tem de ter diretrizes únicas de comunicação. Elas têm de ter uma coordenação que dê o norte, que diga a prioridade, que organize a troca de informações, a troca de experiências. Vejo a ideia com muito bons olhos. Acho uma ideia extraordinária, porque não dá para ficar esperando o mundo ideal. O mundo ideal não existe, nunca vai existir.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div style="background-color: #f2f2f2; padding: 20px; border-top: 2px solid #00458a; font-family: Arial, sans-serif; width: 100%; box-sizing: border-box;"&gt;
&lt;div style="max-width: 1200px; margin: 0 auto;"&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 15px; color: #333333; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;strong&gt;Receba notícias de ciência no seu celular&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Siga o &lt;strong&gt;&lt;a href="https://whatsapp.com/channel/0029VanjBwGAjPXKH1VS0f1H" target="_blank" rel="noopener"&gt;Canal do Jornal UFG no WhatsApp&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; e nosso perfil no &lt;strong&gt;&lt;a href="https://www.instagram.com/jornalufg/" target="_blank" rel="noopener"&gt;Instagram&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
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&lt;p style="color: #333333; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;strong&gt;Política de uso&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal UFG e do autor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;</description>
      <pubDate>Mon, 15 Jun 2026 14:38:22 -0300</pubDate>
      <link>https://jornal.ufg.br/n/201847-quando-todos-comunicam-a-universidade-e-mais-bem-compreendida</link>
      <guid>https://jornal.ufg.br/n/201847-quando-todos-comunicam-a-universidade-e-mais-bem-compreendida</guid>
    </item>
    <item>
      <title>Extensão rural muda papel das pequenas propriedades</title>
      <description>&lt;img width="200" alt="porco piau" title="porco piau" src="http://jornal.ufg.brhttps://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/oficial__MG_5550.jpg?1781526024" /&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Modelo vivo criado na Escola de Veterinária e Zootecnia da UFG promove a valorização da agricultura familiar&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;figure style="max-width: 1000px; margin: 0 auto; text-align: center;"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0 auto;" src="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/oficial__MG_5550.jpg" alt="porco piau" width="1000" height="667" /&gt;
&lt;figcaption style="padding: 10px 0 10px 10px; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt; text-align: right; color: #555;"&gt;O porco piau é uma raça crioula muito bem adaptada ao Cerrado e pode representar uma alternativa sustentável para o pequeno produtor rural &lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;&lt;span style="color: #555555;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;| Foto: Lucas Yuji/Secom UFG&lt;/span&gt;&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Maria Victorino&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Kharen Stecca&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Setor de Pecuária Sustentável, vinculado à Escola de Veterinária e Zootecnia (EVZ) da Universidade Federal de Goiás (UFG), tem como representação o símbolo do "vórtex". "Esse símbolo traz o significado de um projeto que tem um epicentro consolidado, mas que não consegue calcular a dimensão de onde as suas irradiações podem parar", explica o coordenador do Setor, professor Paulo Hellmeister.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O ambiente criado para a implementação do projeto, dentro da EVZ, é, para ele, um modelo de espaço vivo de extensão que está de "portas e porteiras abertas" para os produtores rurais aprenderem o manejo sustentável da agropecuária. E é com essa proposta que diversos projetos estão sendo desenvolvidos não em paralelo, mas em ligação, dentro da área.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O espaço tem aproximadamente 50 hectares, sendo 42 deles compostos por uma reserva de mata e os outros oito distribuídos em módulos que compõem o projeto, por meio da associação de produção animal com a conservação ambiental. Tudo foi pensado de forma a tornar o projeto um campo de possibilidades que possam ser repetidas em pequenas propriedades rurais: desde a escolha das criações até detalhes como a construção dos comedouros, coberturas e cercas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;"A maior parte dos materiais usados para a construção do espaço é reaproveitada: madeiras, telhas e pneus que a Universidade iria descartar se tornaram úteis para a estruturação do local", ressalta o professor Marcos Ceron, um dos responsáveis pelos projetos do setor.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Porco piau&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Uma das grandes estrelas do projeto é o porco piau, uma raça crioula nacional. O Projeto Porco Piau surgiu com a intenção de resgatar essa raça tão importante para a suinocultura. O grande diferencial é que ela é adaptada aos biomas Cerrado e Mata Atlântica. "Ela é uma raça descendente de animais europeus trazidos por colonizadores que passaram por um longo processo de adaptação e domesticação no Brasil", explica Marcos Ceron, responsável pela criação do projeto na UFG.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Entre as características físicas e biológicas da raça, destacam-se a alta resistência a doenças, ao sol e às condições ambientais adversas, sendo ideal para sistemas de criação ao ar livre, onde os animais podem manifestar seu comportamento natural de 'fuçar'.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Segundo o professor, diferente dos híbridos industriais, o porco piau possui um crescimento mais lento, levando quase um ano para chegar ao ponto de abate. "A carne possui alto marmoreio [gordura entremeada], alta deposição de gordura na carcaça e uma composição muscular de fibra vermelha oxidativa, o que a torna mais parecida com a carne bovina do que com a suína convencional", detalha.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Isso faz com que surja um produto diferenciado – um produto de "boutique", como ele explica –, que pode ser uma boa fonte de renda ao pequeno produtor pelo alto valor agregado. A partir dele podem ser produzidos salames, presuntos e copas diferenciadas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Além disso, o resgate da raça tem outras vantagens, como a preservação de genes úteis para programas de melhoramento genético de animais. Atualmente a UFG pertence ao programa Guardiões dos Porcos Crioulos, por conta do Projeto Porco Piau. O projeto nacional tem como objetivo fazer o resgate de várias raças crioulas existentes no Brasil para combater a erosão genética causada pela industrialização.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por meio do processo de busca por produtores de porcos crioulos e caracterização das raças encontradas (perfil de orelha, chanfro, altura e pelagem), o projeto faz o georreferenciamento dos animais, o que evita a endogamia – o cruzamento entre parentes, que pode causar problemas genéticos na população de porcos crioulos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Projeto Porco Piau começou no ano de 2025 e no momento cria cinco filhotes da raça. Marcos explica que o processo de industrialização e a Revolução Verde trouxeram pacotes tecnológicos para a agropecuária e, consequentemente, as raças suínas comerciais com deposição de carne magra. "Hoje a suinocultura brasileira utiliza essa mesma raça comercial, conhecida popularmente como o 'porquinho rosa'. Com isso, a criação dos porcos crioulos foi sendo  extinta e de difícil comercialização".&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Setor de Pecuária Sustentável e o Projeto Porco Piau têm como um dos objetivos ensinar e facilitar, principalmente para os pequenos agricultores familiares, a criação e a produção sustentável de porcos piau.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;figure style="max-width: 800px; margin: 0 auto; text-align: center;"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0 auto;" src="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/Infogr%C3%A1fico_-_Porco_Piau.png" alt="porco piau" width="800" height="560" /&gt;
&lt;figcaption style="padding: 10px 0 10px 10px; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt; text-align: right; color: #555;"&gt;Arte: Cristiane Iam &lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;&lt;span style="color: #555555;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;| Fotos: Lucas Yuji/Secom UFG; Pedro Sicari; Pixabay&lt;/span&gt;&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Do eucalipto ao pequi&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Outros dois módulos ligados ao Setor de Pecuária Sustentável são os de eucaliptos e pequi sem espinhos, no molde de Integração Lavoura Pecuária e Floresta (ILPF). Em parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), em meio hectare foram plantadas 160 mudas de pequi sem espinhos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Segundo o professor Marcos Ceron, essa espécie de pequi não é fruto de melhoramento genético, mas foi encontrada na natureza, na região de Minas Gerais. A Emater fez a clonagem da planta, possibilitando o plantio em maior escala. "A produção desse fruto na EVZ será de grande importância, pois ele vai agregar ao Projeto Porco Piau, servindo de alimento para os suínos crioulos".&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Uma das pesquisas previstas é justamente o efeito da alimentação com esses frutos na carne desses porcos. Nessa área, segundo a professora Francine Calil, será plantado, junto com o pequi, o feijão guandu.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;figure style="max-width: 700px; margin: 0 auto; text-align: center;"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0 auto;" src="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/eucalipto.jpg" alt="eucalipto" width="700" height="467" /&gt;
&lt;figcaption style="padding: 10px 0 10px 10px; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt; text-align: right; color: #555;"&gt;Sombreamento torna o ambiente mais favorável à criação de animais &lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;&lt;span style="color: #555555;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;| Foto: Lucas Yuji/Secom UFG&lt;/span&gt;&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Marcos explica que o porco deposita os ácidos graxos que consome na gordura corporal. "Os suínos europeus são tão caros e cobiçados por conta desse alto teor com qualidade de gordura animal". Os pequis plantados em meio hectare no setor vão produzir frutos ricos nesses ácidos de cadeia longa de alta qualidade, fazendo com que a carne tenha outro sabor e se transforme em um produto visado pelas boutiques de carnes e pela charcutaria, por conta do marmoreio na carne.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para além das pesquisas, o projeto mostra uma oportunidade para os pequenos produtores: além da criação dos porcos, existe a possibilidade de produção de pequis para a alimentação dos animais e também para a comercialização do fruto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em outra área, o projeto também desenvolveu um plantio de eucaliptos, plantados em fevereiro de 2025. O sistema integra o componente arbóreo (eucalipto), o componente agrícola (atualmente milho plantado entre as linhas) e o componente animal, que será introduzido futuramente, quando as árvores crescerem. A área total destinada a esse módulo é de 3 hectares.&lt;/p&gt;
&lt;figure style="margin: 5px 0 5px 15px; float: right; width: 45%; max-width: 300px; text-align: center;"&gt;&lt;img style="width: 100%; height: auto; border-radius: 5px;" src="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/Captura_de_tela_2026-06-15_095025.png" alt="professores EVZ" /&gt;
&lt;figcaption style="padding: 5px 0 10px 0; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt; text-align: right; color: #555;"&gt;Professores Marcos Ceron, Paulo Hellmeister e Eliane Miyagi &lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;| Foto: Lucas Yuji/Secm UFG&lt;/span&gt;&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt;A professora Francine Calil, responsável pelo arranjo desse sistema, explica que ele foi pensado como algo que pudesse ser replicável para os produtores, não inviabilizando outros usos da área no mesmo período de tempo. "Foi pensado um arranjo de linhas triplas com espaçamento de 3 metros entre as linhas, 2,5 metros entre plantas e 24 metros entre eles para que outros usos possam ser feitos. No futuro, a ideia é que seja feito o corte das linhas laterais e deixada a linha central por mais tempo para que seja utilizada como madeira para serraria, aumentando o valor agregado".&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Marcos acrescenta que, no estágio atual, os animais (ovelhas) ainda não podem entrar na área porque as árvores estão crescendo e são pequenas o suficiente para que os animais as danifiquem ou comam suas folhas. Francine também ressalta que, futuramente, será introduzida a criação de cabras .&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O uso do eucalipto, segundo a professora, visa criar um microclima favorável, proporcionando sombra que diminui o estresse térmico e melhora o bem-estar animal. "Quando o ambiente é mais confortável e sombreado, os animais tendem a comer mais e ter um melhor desempenho". Apesar de ser uma espécie exótica, o eucalipto é muito utilizado nas propriedades convencionais devido ao rápido crescimento – três metros por ano – e pode também ser uma possibilidade mais rápida para os produtores, já que o pequi e o baru demoram a crescer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nesse ciclo de sustentabilidade, os animais também contribuem para as culturas, melhorando a qualidade do solo com a geração de adubo orgânico, fechando um ciclo de nutrientes dentro da propriedade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div style="background-color: #f5f5f5; padding: 15px 30px; border-radius: 3px; font-size: 11pt; max-width: 800px; margin: auto; color: #444444;"&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;IMPORTÂNCIA DAS ÁRVORES NOS SISTEMAS INTEGRADOS DE PRODUÇÃO&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Formação de microclima favorável para o desenvolvimento animal (redução da velocidade do vento, controle da temperatura e umidade relativa do ar);&lt;br /&gt;- Redução da compactação e erosão do solo;&lt;br /&gt;- Atenuação progressiva do impacto da chuva;&lt;br /&gt;- Qualidade e quantidade da intensidade da radiação luminosa;&lt;br /&gt;- Melhoria na qualidade do ar;&lt;br /&gt;- Sequestro de gás carbônico;&lt;br /&gt;- Serviços ambientais e produção de bens;&lt;br /&gt;- Geração de renda no setor rural (madeira, frutos);&lt;br /&gt;- Alternativa energética estratégica – fonte renovável.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Ovinos&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Além dos porcos crioulos, o Setor de Pecuária Sustentável também tem o módulo de criação de ovelhas e carneiros da raça brasileira Santa Inês e da africana Dorper. Esses animais têm como característica a ausência de chifres. "Os machos apresentam rugosidade no nariz e o pescoço curto e grosso, já as fêmeas têm o pescoço mais alongado e fino", explica a professora Eliane Miyagi, da EVZ, responsável pelo projeto de ovinocultura.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mesmo que Goiás ainda não apresente um rebanho numericamente considerável, a carne de cordeiro ainda é muito procurada, principalmente nas datas festivas de Páscoa e Natal. Tanto as ovelhas como os porcos piau estão inseridos no pastejo rotacionado, outro projeto do Setor que consiste na divisão da área para alternar entre a ocupação dos animais e a produção de plantio. Com o apoio da Associação de Criadores de Caprinos e Ovinos de Goiás, o Setor pretende divulgar cada vez mais as qualidades da carne e as vantagens de se criar ovinos no estado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Além do sombreamento natural, o setor está fazendo um teste com um sombrite de tecnologia israelense em polietileno com tratamento especial de alumínio para refletir a radiação solar que pode diminuir até oito graus a área coberta. Eliane explica que a produção desses ovinos, juntamente com o porco piau, serve de vitrine para a agricultura familiar, mostrando que em um só lugar pode ser possível trabalhar com diversidade de espécies de animais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;figure style="max-width: 700px; margin: 0 auto; text-align: center;"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0 auto;" src="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/ovelhas.jpg" alt="ovelhas" width="700" height="467" /&gt;
&lt;figcaption style="padding: 10px 0 10px 10px; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt; text-align: right; color: #555;"&gt;Ovelhas e porcos contribuem para a cultura melhorando a qualidade do solo &lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;&lt;span style="color: #555555;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;| Foto: Lucas Yuji/Secom UFG&lt;/span&gt;&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Abelhas sem ferrão&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um novo módulo de pesquisa e extensão deve ainda ser implementado no Setor: a criação de abelhas sem ferrão. Utilizando as espécies nativas Jataí e Mandaçaia, o sistema combinará abelhas com a criação de peixes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Segundo o professor Paulo Hellmeister, o grande diferencial dessa iniciativa é o seu caráter ecopedagógico. "Por serem espécies que não possuem ferrão, as abelhas permitem uma interação segura e direta, sendo ideais para atividades de educação ambiental com crianças de escolas municipais e visitantes. O objetivo é que esses estudantes vejam de perto como a preservação de insetos polinizadores é vital para o equilíbrio do ecossistema local".&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para o produtor, a criação de abelhas é também mais uma forma de diversificar seus produtos com a produção de mel. "A ideia é aproveitar o máximo do espaço e criar uma megabiodiversidade", afirmam os coordenadores do Setor.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Compostagem&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Fechando o ciclo de sustentabilidade, o sistema também realiza compostagem. O processo transforma restos de poda e o esterco produzido pelas ovelhas e porcos em um adubo orgânico valioso. "O sistema é montado de forma didática e eficiente, seguindo uma estrutura de 'lasanha' ou 'sanduíche', intercalando camadas de fonte de carbono (palhada) e nitrogênio (dejeto)", explica o professor Marcos Ceron.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para que a transformação ocorra, a técnica utiliza a fermentação aeróbica, que exige a presença de oxigênio e água para a ação das bactérias que decompõem o material. "Dependendo do substrato utilizado, o composto orgânico fica pronto para uso entre 90 e 120 dias", detalha.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Além da compostagem comum, o Setor também utiliza a minhocultura para a produção de húmus, um fertilizante ainda mais rico, gerado a partir do consumo dos resíduos por minhocas. Essa prática, segundo o professor, é um pilar essencial para a agricultura familiar, pois permite ao pequeno produtor converter um potencial poluente ambiental em um insumo que reduz a necessidade de adubos químicos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No modelo acadêmico, o adubo gerado é aplicado nas hortas e pastagens da unidade, fazendo com que o nutriente retorne ao animal na forma de alimento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;figure style="max-width: 700px; margin: 0 auto; text-align: center;"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0 auto;" src="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/oficial__MG_6110.jpg" alt="compostagem" width="700" height="467" /&gt;
&lt;figcaption style="padding: 10px 0 10px 10px; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt; text-align: right; color: #555;"&gt;Professor Marcos Ceron explica o processo de compostagem realizado no Setor &lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;&lt;span style="color: #555555;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;| Foto: Lucas Yuji/Secom UFG&lt;/span&gt;&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Projetos&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Outro módulo do Setor de Pecuária Sustentável é a restauração da borda da mata que compõe os 42 hectares do local. Em 2025 uma queimada consumiu parte da reserva e hoje o Setor está em processo de restauração da área. Também há projetos futuros de implementação do ILPF de baru e de um quintal produtivo, espaço para o plantio de alimentos saudáveis e de pequena quantidade. O projeto deve ter o formato de uma mandala e vai produzir alimentos e peixes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Também está prevista a primeira sala de aula aberta da UFG – um espaço de &lt;em&gt;coworking&lt;/em&gt; rural, em parceria com o professor Michael Mendes, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), em que diferentes cursos da Universidade poderão usufruir do local. A sala ecopedagógica, segundo Paulo, é diferente das salas convencionais: "não terá carteiras, mas mesas para promover um 'espaço de convivência' e facilitar a vinda de produtores e escolas municipais para atividades de educação ambiental".&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Com essas iniciativas, o Setor pretende ser uma vitrine de possibilidades para o produtor rural, mas produzindo conhecimento com a participação desses pequenos proprietários. Outra intenção é promover a interdisciplinaridade, não só com os cursos da área agrária, mas também com outras áreas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;figure style="max-width: 700px; margin: 0 auto; text-align: center;"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0 auto;" src="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/oficial__MG_5629.jpg" alt="área de extensão rural" width="700" height="467" /&gt;
&lt;figcaption style="padding: 10px 0 10px 10px; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt; text-align: right; color: #555;"&gt;Interdisciplinaridade: mural produzido em parceria com a Faculdade de Artes Visuais &lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;&lt;span style="color: #555555;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;| Foto: Lucas Yuji/Secom UFG&lt;/span&gt;&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div style="background-color: #f2f2f2; padding: 20px; border-top: 2px solid #00458a; font-family: Arial, sans-serif; width: 100%; box-sizing: border-box;"&gt;
&lt;div style="max-width: 1200px; margin: 0 auto;"&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 15px; color: #333333; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;strong&gt;Receba notícias de ciência no seu celular&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Siga o &lt;strong&gt;&lt;a href="https://whatsapp.com/channel/0029VanjBwGAjPXKH1VS0f1H" target="_blank" rel="noopener"&gt;Canal do Jornal UFG no WhatsApp&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; e nosso perfil no &lt;strong&gt;&lt;a href="https://www.instagram.com/jornalufg/" target="_blank" rel="noopener"&gt;Instagram&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
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&lt;p style="color: #333333; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;strong&gt;Comentários e sugestões&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;a href="mailto:jornal@ufg.br" target="_blank" rel="noopener"&gt;jornalufg@ufg.br&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="color: #333333; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;strong&gt;Política de uso&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal UFG e do autor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;</description>
      <pubDate>Mon, 15 Jun 2026 09:08:11 -0300</pubDate>
      <link>https://jornal.ufg.br/n/201829-extensao-rural-muda-papel-das-pequenas-propriedades</link>
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    </item>
    <item>
      <title>Os 30 anos da Lei de Propriedade Industrial e o reconhecimento do Pix como marca de alto renome</title>
      <description>&lt;img width="200" alt="Inova Pix" title="Inova Pix" src="http://jornal.ufg.brhttps://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/inova_pix.png?1781281246" /&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Brasil reafirma sua capacidade de proteger ativos estratégicos diante de pressões internas e externas&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;figure style="max-width: 1000px; margin: 0 auto; text-align: center;"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0 auto;" src="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/pix.webp" alt="Pix" width="1000" height="598" /&gt;
&lt;figcaption style="padding: 10px 0 10px 10px; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt; text-align: right; color: #555;"&gt;Pix tem sido alvo de críticas do governo dos Estados Unidos &lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;&lt;span style="color: #555555;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;| Foto: Bruno Peres/Agência Brasil&lt;/span&gt;&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Tatiana Ertner&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Neste ano em que o Brasil comemora um grande avanço para o ambiente de inovação brasileiro – que foi ter harmonizado, em 1996, sua legislação sobre proteção da propriedade intelectual às práticas internacionais e garantir sua participação como fundador da Organização Mundial do Comércio –, o país comemora demonstrando conhecimento e assertividade no uso do sistema de proteção da propriedade intelectual por meio de uma ação: o reconhecimento da marca Pix como marca de renome.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na época da promulgação da Lei de Propriedade Industrial (LPI 9.279/1996), a transição foi curta demais e ,até hoje, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) sofre os efeitos de um &lt;em&gt;backlog&lt;/em&gt; de patentes criado, especialmente, pelo fato de que essa harmonização exigiu que desenvolvimentos tecnológicos dos campos farmacêuticos e da química se tornassem patenteáveis, coisa que não o eram desde 1945, com o Decreto-Lei 7.903/1945. O Brasil não estava preparado para esse mercado gigante e implacável, mas o Inpi, autarquia federal incansável, como guardião da proteção da propriedade industrial no nosso país, encontrou meios para reverter o cenário de insegurança jurídica que se criava em função da longa fila de patentes em análise, resultando em um tempo longo demais para que uma patente fosse concedida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um artifício imediato para diminuir esse impacto sobre a confiança no processo jurídico brasileiro foi a inclusão do parágrafo único no artigo 40 da LPI, que previa que uma patente concedida não poderia ter menos de dez anos de vigência após a concessão, o que prorrogava por longos períodos a influência de pedidos de patentes no nosso mercado. Apenas em 2021 o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou a Ação Direta de Inconstitucionalidade 5.529/DF e considerou inconstitucional essa extensão de vigência de patentes, fazendo o efeito retroceder às patentes que já estavam gozando do benefício da extensão de vigência.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Isso criou imediatamente uma grande oportunidade às indústrias nacionais, que praticamente não inovavam, pois as incertezas sobre as vigências das patentes farmacêuticas impediam que as indústrias investissem em desenvolvimentos futuros para o momento em que uma patente perdesse a vigência, uma vez que eles não podiam determinar quando isso se daria. O que antes impedia investimento em desenvolvimento, agora se tornou um impulso que a indústria nacional precisava para inovar. E ela tem capacidade, como bem ilustra o desenvolvimento da polilaminina, pela professora Tatiana Sampaio em parceria com a empresa Cristália.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas ainda há ataques internos à nossa lei devido a pressões estrangeiras, como se pode perceber ao acompanhar o que está ocorrendo com o Projeto de Lei Complementar 32/2026, em que, sob o disfarce de impulso ao desenvolvimento de pesquisas científicas no âmbito das universidades públicas, tenta-se modificar a LPI para incluir dispositivos que ampliem, novamente, a vigência das patentes no nosso país, no caso de atrasos administrativos por parte do Inpi.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Internacionalmente, o ataque ao Pix promovido pelo governo Trump é uma ameaça real à soberania brasileira, disfarçada de proteção ao livre comércio. A nossa lei já tem provisões sobre concorrência desleal e, se assim se caracterizar, temos todas as ferramentas para lidar com ela por nós mesmos. A proteção intelectual ao que o Pix significa reforça a fundamentação legal da sua existência e manutenção e demonstra que, assim como é em todos os países do mundo, a harmonização legislativa no que tange à propriedade intelectual também garante o tratamento nacional com prerrogativa da soberania da nação sobre suas decisões e sua responsabilidade sobre o que é convencionado internacionalmente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Muitos discutem se o alto renome do Pix é realmente um processo de mérito ou se é uma artimanha governamental. Antes de mais nada, é crucial assegurar que o Inpi é uma autarquia com liberdade e capacidade técnica para tomar as decisões sobre a proteção da propriedade intelectual com base exclusivamente técnica e sem influência política.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na base de dados do Inpi, encontramos diversos pedidos de registro da marca Pix nas mais variadas áreas ou produtos, identificadas por classes de marcas para diversos produtos e serviços distintos, como carne bovina, mangueiras, arte multimídia, comércio de produtos alimentícios, nome de administradoras de cartões, artigos em papel ou plástico, câmbio monetário, administração financeira, entre outros. O reconhecimento da marca Pix como marca de renome faz com que ela não possa ser registrada como marca em outras classes, o que assegura ao consumidor que, quando houver menção a Pix em qualquer tipo de produto, ele só pode se relacionar ao nosso patrimônio Pix.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Então, sim, no ano em que completamos 30 anos de LPI, demonstramos um amadurecimento quanto à percepção da importância da propriedade intelectual no nosso dia a dia e mostramos nossa capacidade de lidar com soberania com nosso produto intelectual. Parabéns, Pix! Você é nosso!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Tatiana Duque Maritns Ertner de Almeida&lt;/strong&gt; é professora do Instituto de Química da Universidade Federal de Goiás (IQ/UFG), coordenadora de Internacionalização do IQ, mantém linhas de pesquisa sobre propriedade intelectual, projetos de extensão de PI no ensino básico e coordena o curso de especialização em Propriedade Industrial da UFG.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div style="background-color: #f2f2f2; padding: 20px; border-top: 2px solid #00458a; font-family: Arial, sans-serif; width: 100%; box-sizing: border-box;"&gt;
&lt;div style="max-width: 1200px; margin: 0 auto;"&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 15px; color: #333333; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt; &lt;strong&gt;Envie sua sugestão de artigo para o Jornal UFG&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="/p/51985-diretrizes-para-publicacao-de-artigos-de-opiniao-e-colunas-no-jornal-ufg"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Acesse aqui as diretrizes para submissão.&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
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&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;</description>
      <pubDate>Fri, 12 Jun 2026 13:22:24 -0300</pubDate>
      <link>https://jornal.ufg.br/n/201805-os-30-anos-da-lei-de-propriedade-industrial-e-o-reconhecimento-do-pix-como-marca-de-alto-renome</link>
      <guid>https://jornal.ufg.br/n/201805-os-30-anos-da-lei-de-propriedade-industrial-e-o-reconhecimento-do-pix-como-marca-de-alto-renome</guid>
    </item>
    <item>
      <title>"Nosso organismo nos ataca, achando que está nos defendendo", conta paciente com lúpus</title>
      <description>&lt;img width="200" alt="Lúpus" title="Lúpus" src="http://jornal.ufg.brhttps://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/skin-allergy-reaction-test-arm.jpg?1781107560" /&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Hospital das Clínicas da UFG tem cerca de 400 pacientes ativos e possui dois ambulatórios para tratar a doença&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Thalízia Cruvinel&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Wanderleia Martins de Souza tinha 36 anos quando os primeiros sintomas do lúpus surgiram, em 2020. "Depois de uns 15 ou 20 dias da cesárea que fiz para ter meu segundo filho, Samuel, eu comecei a sentir dores no joelho. Mais dias depois, uma fraqueza muito grande, e dores nos braços, nas pernas, nas juntas. Fui perdendo a movimentação e a coordenação", lembra a paciente do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG), administrado pela Rede HU Brasil.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O diagnóstico veio no ano seguinte, durante o &lt;em&gt;lockdown&lt;/em&gt; da pandemia de covid-19. "Na época, eu não tinha muita noção do que era o lúpus nem da gravidade do que seria. Não pensei que era tão complexo. Consegui encaminhamento para a Reumatologia e comecei meu acompanhamento no Hospital das Clínicas. Eu não tinha muito acesso a pessoas que tinham lúpus, então fui descobrindo a seriedade, a complexidade da doença, comigo mesma, no decorrer do meu tratamento", assinala Wanderleia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Características e sintomas&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Segundo a médica reumatologista Vitalina Barbosa, coordenadora do Ambulatório de Lúpus do HC-UFG às segundas-feiras, o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença inflamatória autoimune crônica, caracterizada pela produção de autoanticorpos. "Isso significa que o sistema imunológico, que deveria produzir anticorpo apenas para proteger o organismo contra agentes estranhos, como vírus e bactérias, passa a produzir (auto)anticorpo que ataca os próprios tecidos e órgãos, como a pele e os rins. O organismo perde a capacidade de diferenciar o que é próprio do que é estranho", explica a especialista, que também é professora associada da Faculdade de Medicina da UFG e membro do Grupo Latino-Americano de Estudo do Lúpus.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O LES se manifesta de várias formas, desde sintomas mais leves, que não ameaçam os órgãos, como fadiga ou ulcerações da boca, até o envolvimento de órgãos com risco de vida, como inflamação dos rins e doença neurológica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;"Por uma razão desconhecida, a doença desencadeia agressões ao próprio organismo, causando processos inflamatórios que podem afetar articulações, coração, pulmões e sistema nervoso, além de pele e rins. A doença tem caráter flutuante, com períodos de atividade chamados &lt;em&gt;flares&lt;/em&gt; e períodos de remissão. Os sintomas são bastante variados, o que frequentemente atrasa o diagnóstico", complementa Ana Carolina de Oliveira e Silva Montandon, coordenadora do Ambulatório de Lúpus do HC-UFG às sextas-feiras e membro da Comissão de Lúpus da Sociedade Brasileira de Reumatologia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Alguns dos sinais e sintomas mais frequentes são: fadiga intensa, muitas vezes desproporcional ao esforço; dores e inchaço nas articulações; febre sem causa aparente; fotossensibilidade; comprometimento renal; "&lt;em&gt;rash&lt;/em&gt; malar" – o característico eritema em forma de "asa de borboleta" sobre as bochechas e nariz; e alterações sanguíneas, como anemia, leucopenia e plaquetopenia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No caso de Wanderleia, a musculatura é a área que a doença mais afeta. "Ataca meus músculos da coxa, quadríceps, tríceps, a cervical, os braços... Não é fácil para a pessoa que tem lúpus, porque a gente é imunossupressor e toma remédio para, realmente, abaixar e controlar a nossa imunidade, porque, quando a gente está com a imunidade alta, o nosso organismo nos ataca, achando que está nos defendendo", lamenta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Causas e fatores de risco&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;De acordo com Vitalina, a causa do lúpus ainda é pouco compreendida e seu desenvolvimento é um processo multifatorial, que envolve uma interação complexa entre fatores genéticos, hormonais e ambientais, levando à desregulação do sistema imunológico. "Há fatores de risco e gatilhos, como a luz ultravioleta. O sol é o principal gatilho para crises, pois a radiação causa a morte de células da pele, liberando proteínas que o corpo de quem tem lúpus reconhece como estranhas. Hormônios como o estrogênio parecem desempenhar um papel importante na ativação da doença, pois o LES ocorre mais em mulheres de idade reprodutiva. Além disso, alguns vírus podem ativar o sistema imune de forma desequilibrada em pessoas predispostas".&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Segundo Ana Carolina, a gravidez é possível e muitas mulheres com lúpus têm gestações bem-sucedidas, desde que bem planejadas. "O ideal é que a paciente esteja em remissão por pelo menos seis meses antes da concepção, com função renal preservada e sem uso de medicamentos contraindicados na gestação, como micofenolato e ciclofosfamida", destaca.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os principais riscos que precisam ser monitorados incluem reativação da doença durante a gestação ou no pós-parto, pré-eclâmpsia, restrição de crescimento fetal, parto prematuro e, em pacientes com anticorpos anti-Ro/SSA positivos, risco de bloqueio cardíaco neonatal. "Por isso o acompanhamento deve ser multidisciplinar, contando com reumatologista e obstetra especializado em gestação de alto risco, com consultas frequentes e monitorização laboratorial rigorosa. A hidroxicloroquina é segura e deve ser mantida durante toda a gestação", completa Ana Carolina.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Wanderleia descobriu uma nova gravidez durante o acompanhamento no HC-UFG, no ápice do tratamento. "Fui encaminhada para ser supervisionada pelo pré-natal do Hospital das Clínicas porque, quanto se trata de lúpus, tem uma preocupação maior, já que é uma gravidez de risco. Fui muito bem acompanhada e monitorada por ambas as juntas médicas, tanto de reumatologia quanto da ginecologia e obstetrícia, com exames diários", relata.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em fevereiro de 2022, Lucas nasceu. Wanderleia conseguiu amamentá-lo por um período. Contudo, logo as dores intensas nos braços retornaram. "Eu não conseguia segurar ele direito, não conseguia trocar fralda. Eu me esforçava muito para poder pegar o Samuel também, porque ele ainda era pequenininho. Durante muito tempo, eu não conseguia executar nada em casa, fosse lavar um copo ou tomar banho, até que foram ajustando as minhas medicações. Infelizmente, mesmo fora da crise, eu ainda tenho limitações de movimento. O lúpus se desenvolve de uma forma em cada organismo. É um desafio para a equipe médica, para a Reumatologia. Os profissionais tentam de tudo para que a gente tenha uma vida mais dentro da normalidade possível".&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O LES afeta cerca de nove mulheres para cada homem, ocorrendo principalmente durante a idade fértil, entre os 15 e 45 anos. "A principal hipótese é hormonal. O estrogênio estimula o sistema imunológico, enquanto a testosterona pode ter um efeito protetor", explica Vitalina.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div style="background-color: #f5f5f5; padding: 15px 30px; border-radius: 3px; font-size: 11pt; max-width: 800px; margin: auto; color: #444444;"&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;PREVENÇÃO E TRATAMENTO&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ainda não existem formas de evitar o surgimento do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES). Contudo, é possível prevenir as crises de atividade da doença por meio de proteção solar rigorosa, não fumar – pois o tabagismo está ligado à piora do lúpus e à menor eficácia da hidroxicloroquina, considerada como uma medicação fundamental no tratamento – e controle do estresse.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece as principais medicações utilizadas no controle do lúpus:&lt;br /&gt;- Hidroxicloroquina, que é a base do tratamento: reduz reativações, melhora sobrevida e protege contra dano orgânico acumulado;&lt;br /&gt;- Prednisona (corticoide): auxilia no controle de atividade;&lt;br /&gt;- Imunossupressores convencionais: azatioprina, metotrexato, ciclofosfamida e micofenolato de mofetila, todos incorporados para diferentes manifestações;&lt;br /&gt;- Belimumabe: medicação biológica, incorporada ao SUS em alguns estados brasileiros, incluindo Goiás, por meio do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para casos de nefrite lúpica.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Atendimento no HC-UFG&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Hospital das Clínicas da UFG é referência no tratamento de lúpus no Centro-Oeste e realiza atendimentos voltados para pessoas diagnosticadas com a doença desde 1987. Para ser atendido no HC-UFG, é necessário encaminhamento da Secretaria de Saúde.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Atualmente, o hospital mantém cerca de 400 pacientes ativos e conta com dois ambulatórios principais, um que funciona às segundas e outro às sextas. Paciente lúpicos acompanhados na unidade também têm acesso a leitos de enfermaria e UTI para casos selecionados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;"De 2023 para cá, acho que eu já tive de dez a 14 internações, e cada internação minha costuma levar, no mínimo, 13 dias, então o Hospital das Clínicas e eu, a gente tem um relacionamento, somos íntimos", brinca Wanderleia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;"A gente cria um vínculo, vira família, porque acaba que a gente está no hospital diariamente para consulta, no ambulatório, na internação, porque nos acompanham, nos monitoram de forma intensa. O comprometimento da equipe é algo surreal. Eles vão atrás do melhor tipo de tratamento, da melhor medicação, procuram sempre a melhor resposta. Como paciente lúpica, uma das coisas mais desafiadoras é que, por exemplo, você não vê o lúpus. A pessoa não olha e fala 'ela tem lúpus'. Quem entende um pouquinho das dores e das limitações que nós passamos é, justamente, a equipe da Reumatologia do HC".&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div style="background-color: #f2f2f2; padding: 20px; border-top: 2px solid #00458a; font-family: Arial, sans-serif; width: 100%; box-sizing: border-box;"&gt;
&lt;div style="max-width: 1200px; margin: 0 auto;"&gt;
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&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;</description>
      <pubDate>Wed, 10 Jun 2026 13:09:09 -0300</pubDate>
      <link>https://jornal.ufg.br/n/201719-nosso-organismo-nos-ataca-achando-que-esta-nos-defendendo-conta-paciente-com-lupus</link>
      <guid>https://jornal.ufg.br/n/201719-nosso-organismo-nos-ataca-achando-que-esta-nos-defendendo-conta-paciente-com-lupus</guid>
    </item>
    <item>
      <title>Quando a melancia vira jardim: oficina encanta estudantes com o ciclo da compostagem</title>
      <description>&lt;img width="200" alt="Projeot Compô" title="Projeot Compô" src="http://jornal.ufg.brhttps://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/foto_Jhuly_Nascimento_%285%29.jpg?1781105203" /&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Oficina de Educação Ambiental envolveu cerca de 140 estudantes de uma escola municipal de Goiânia&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;figure style="max-width: 1000px; margin: 0 auto; text-align: center;"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0 auto;" src="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/foto_Jhuly_Nascimento_%281%29.jpg" alt="Projeot Compô" width="1000" height="667" /&gt;
&lt;figcaption style="padding: 10px 0 10px 10px; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt; text-align: right; color: #555;"&gt;Crianças acompanham a construção da composteira com cascas de melancia &lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;&lt;span style="color: #555555;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;| Foto: Jhuly Nascimento&lt;/span&gt;&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Da Redação&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O projeto de extensão Compostagem Comunitária: a contribuição da comunicação no processo (Compô) realizou, na última terça-feira (2/6), uma oficina de Educação Ambiental com cerca de 140 estudantes do segundo, terceiro e quarto anos da Escola Municipal Engenheiro Antônio Félix, no Jardim Europa, em Goiânia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Unindo atividades lúdicas, apresentações circenses e conhecimentos sobre a transformação da matéria orgânica, a ação buscou despertar a sensibilidade ambiental e a curiosidade científica das crianças, com idades de até 9 anos. A proposta partiu da compreensão de que experiências práticas e concretas são fundamentais para a formação de hábitos sustentáveis desde a infância.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por meio da compostagem, os estudantes puderam conhecer, de forma acessível e participativa, como restos de alimentos e outros resíduos orgânicos podem ser transformados em adubo natural, contribuindo para a fertilidade do solo e para o cultivo de plantas mais saudáveis. Além de apresentar conceitos relacionados à ciclagem de nutrientes e à redução de resíduos, a atividade incentivou reflexões sobre alimentação, consumo consciente e cuidado com o meio ambiente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A oficina contou com a participação de voluntários e integrantes do Projeto Compô, entre eles a professora Lisbeth Oliveira, da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC) da Universidade Federal de Goiás (UFG), que coordena o projeto. Também participaram membros do Projeto Raízes do Saber, iniciativa que desenvolve atividades semelhantes em escolas públicas de Goiânia com apoio do gabinete do vereador Edward Madureira.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Entre os participantes da ação estiveram os graduandos Jade Ticks (Jornalismo), Laleska Pinheiro de Oliveira (Engenharia Florestal), Matheus dos Santos Vieira, Lucas Bororo e Jéssica Verônica Mateus Ramos (Publicidade e Propaganda), Jhuly Nascimento (Relações Públicas), Rebeca Damasceno (Zootecnia), Yuri Marques da Silva e Evellen Kris Leite Flores (Agronomia) e Luciana Oliveira (doutoranda em Direitos Humanos), além do produtor de terra preta Gregor Kux e dos artistas circenses Ronaldo Mercado (Ronnie) e Danielle Alencar, da Escola de Circo Basileu França.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;figure style="max-width: 700px; margin: 0 auto; text-align: center;"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0 auto;" src="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/foto_Jhuly_Nascimento_%285%29.jpg" alt="Projeot Compô" width="700" height="467" /&gt;
&lt;figcaption style="padding: 10px 0 10px 10px; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt; text-align: right; color: #555;"&gt;Estudantes se envolvem em todas as etapas do processo &lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;&lt;span style="color: #555555;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;| Foto: Jhuly Nascimento&lt;/span&gt;&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Programação&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A programação, intermediada pelo professor e coordenador pedagógico da escola, Giovanny Nicanor, teve início com uma apresentação circense de Ronnie e Danielle, que animou os estudantes e criou um ambiente de interação e entusiasmo. Em seguida, as crianças foram conduzidas para uma área externa da escola, onde foi construída uma composteira ao lado da horta escolar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Com orientação de Laleska e Gregor, os estudantes participaram de todas as etapas da montagem da estrutura, desde a instalação do cercado de arame até a disposição correta dos materiais orgânicos e secos. Como parte da atividade, foi utilizada a melancia compartilhada durante a oficina, cujas cascas e resíduos foram incorporados à composteira. Em seguida, foram adicionadas duas partes de material seco, composto por folhas provenientes de podas e capim resultante da capina.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A experiência permitiu que as crianças observassem, na prática, como materiais que normalmente seriam descartados podem retornar à natureza em forma de um composto rico em nutrientes. O processo despertou grande interesse entre os participantes, que se mostraram encantados ao descobrir que, ao longo do tempo, esses resíduos se transformam em uma terra escura, fértil e agradável ao toque, capaz de fortalecer o desenvolvimento das plantas cultivadas na horta da escola.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para a coordenadora do projeto, Lisbeth Oliveira, iniciativas como essa contribuem para a formação de uma consciência ambiental que ultrapassa os limites da escola e pode influenciar hábitos cotidianos relacionados à alimentação e à saúde.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;"Quem sabe a construção de uma composteira, que precisa ser constantemente alimentada, possa incentivar o consumo de frutas e verduras, estimular as pessoas a cozinhar a própria comida e contribuir para a redução do consumo de fast food", destacou a professora.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A oficina marcou o encerramento das atividades do Compô em escolas públicas de Goiânia neste primeiro semestre. Novas ações estão previstas para acontecer a partir de agosto de 2026. Para acompanhar as próximas oficinas, eventos e iniciativas do projeto, siga o &lt;a href="https://www.instagram.com/c.compoo/" target="_blank" rel="noopener"&gt;perfil da Compô&lt;/a&gt; nas redes sociais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div style="background-color: #f2f2f2; padding: 20px; border-top: 2px solid #00458a; font-family: Arial, sans-serif; width: 100%; box-sizing: border-box;"&gt;
&lt;div style="max-width: 1200px; margin: 0 auto;"&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 15px; color: #333333; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;strong&gt;Receba notícias de ciência no seu celular&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Siga o &lt;strong&gt;&lt;a href="https://whatsapp.com/channel/0029VanjBwGAjPXKH1VS0f1H" target="_blank" rel="noopener"&gt;Canal do Jornal UFG no WhatsApp&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; e nosso perfil no &lt;strong&gt;&lt;a href="https://www.instagram.com/jornalufg/" target="_blank" rel="noopener"&gt;Instagram&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
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&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;</description>
      <pubDate>Wed, 10 Jun 2026 12:39:47 -0300</pubDate>
      <link>https://jornal.ufg.br/n/201716-quando-a-melancia-vira-jardim-oficina-encanta-estudantes-com-o-ciclo-da-compostagem</link>
      <guid>https://jornal.ufg.br/n/201716-quando-a-melancia-vira-jardim-oficina-encanta-estudantes-com-o-ciclo-da-compostagem</guid>
    </item>
    <item>
      <title>Goiás Todo Rosa: projeto aprimora diagnóstico do câncer de mama</title>
      <description>&lt;img width="200" alt="Goiás todo rosa" title="Goiás todo rosa" src="http://jornal.ufg.brhttps://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/IMG_4169.jpg?1781006585" /&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Projeto que começou com exames genéticos amplia política assistencial de saúde pública&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;figure style="max-width: 1000px; margin: 0 auto; text-align: center;"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0 auto;" src="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/IMG_4169.jpg" alt="Goiás todo rosa" width="1000" height="750" /&gt;
&lt;figcaption style="padding: 10px 0 10px 10px; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt; text-align: right; color: #555;"&gt;Uma das estações abordou detalhes para fazer uma coleta para biópsia mais efetiva &lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;&lt;span style="color: #555555;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;| Foto: Kharen Stecca/Secom UFG&lt;/span&gt;&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Kharen Stecca&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Congressos médicos costumam ser associados a longas palestras com profissionais de renome que trazem as últimas novidades, tratamentos e rotinas do setor para atualização dos profissionais. Mas e se para além de uma fala longa e monológica fosse possível mostrar a medicina na prática e permitir que dúvidas fossem sanadas na hora? Essa foi a proposta do evento realizado pelo Projeto Goiás Todo Rosa durante o Congresso Brasileiro de Mastologia 2026, realizado em Goiânia em maio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em uma sala com diversas estações nomeadas por cores, os médicos da atenção primária de saúde puderam acompanhar profissionais de renome da mastologia brasileira, como Carlos Alberto Ruiz, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, Daniel Buttros, presidente da Comissão de Comunicação da Sociedade Brasileira de Mastologia, José Cláudio Casali da Rocha, oncologista do A.C.Camargo Cancer Center, entre outros profissionais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em cinco estações, eles mostraram todo o processo envolvido no diagnóstico de casos de câncer de mama, desde o rastreamento inicial do câncer na paciente, passando pela rotina de exames preventivos, exames mais detalhados em casos específicos – como é o exame genético realizado na Universidade Federal de Goiás (UFG) e parte do projeto Goiás Todo Rosa – até o tratamento e acompanhamento pós-tratamento de forma humana e integrativa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Leia também:&lt;/strong&gt; &lt;a href="https://ufg.br/n/175465-goias-e-ufg-oferecem-teste-genetico-em-cancer-de-mama-herdado" target="_blank" rel="noopener"&gt;Goiás e UFG oferecem teste genético em câncer de mama herdado&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;figure style="max-width: 700px; margin: 0 auto; text-align: center;"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0 auto;" src="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/IMG_4131.jpg" alt="Goiás todo rosa" width="700" height="525" /&gt;
&lt;figcaption style="padding: 10px 0 10px 10px; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt; text-align: right; color: #555;"&gt;Médicos da atenção básica de todo o estado de Goiás participaram do evento &lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;&lt;span style="color: #555555;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;| Foto: Kharen Stecca/Secom UFG&lt;/span&gt;&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O &lt;strong&gt;Jornal UFG&lt;/strong&gt; acompanhou esse treinamento promovido pelo Projeto Goiás Todo Rosa em detalhes. Em um &lt;em&gt;quiz&lt;/em&gt; interativo, um dos médicos mostrou porque alguns exames não auxiliam e devem ser dispensados (até para agilizar o retorno do paciente) e outros são tão importantes, como é o exemplo da mamografia. Outro profissional detalhou o caminho necessário para solicitar os exames na regulação de saúde de forma a agilizar o diagnóstico em caso de um nódulo na mama, aumentando assim a chance de cura ao detectar rapidamente os casos de câncer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em uma das salas, um médico demonstrava como é importante deixar a paciente confortável para que ela fale para além do texto decorado que ela pensou para a consulta, prestando atenção em detalhes dos movimentos da paciente que passou por tratamento, ensinando técnicas para melhorar alongamento de membros e, principalmente, tornando o ambiente acolhedor de forma que a paciente se sinta impelida ao próprio cuidado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A ideia do Goiás Todo Rosa com ações como esta é repensar toda a linha de atendimento na área de mastologia, com o objetivo de aumentar a quantidade de pacientes que chegam aos serviços de saúde de forma mais rápida e não apenas quando o câncer já está avançado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Leia também:&lt;/strong&gt; &lt;a href="https://ufg.br/n/155795-centro-de-genetica-humana-se-prepara-para-atender-pelo-sus" target="_blank" rel="noopener"&gt;Centro de Genética Humana se prepara para atender pelo SUS&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;figure style="max-width: 700px; margin: 0 auto; text-align: center;"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0 auto;" src="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/IMG_4133_%281%29.jpg" alt="Goiás todo rosa" width="700" height="525" /&gt;
&lt;figcaption style="padding: 10px 0 10px 10px; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt; text-align: right; color: #555;"&gt;Cinco estações trataram de todo o processo de cuidado desde o rastreamento até o pós-tratamento &lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;&lt;span style="color: #555555;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;| Foto: Kharen Stecca/Secom UFG&lt;/span&gt;&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Do exame genético à mudança de rotina assistencial&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O estado de Goiás foi pioneiro ao disponibilizar, via Projeto de Lei Estadual de 20 de julho de 2020, o rastreamento dos genes BRCA1 e BRCA2 (sigla em inglês para a expressão genética para o câncer de mama) para pacientes e familiares com câncer de mama. Atualmente, o exame foi ampliado e já entrega a análise de nove subtipos genéticos, permitindo enxergar a probabilidade de diversos tipos de câncer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A professora da Faculdade de Medicina da UFG e coordenadora do projeto, Rosemar Macedo Souza Rahal, explicou que o projeto teve seu pontapé inicial na Universidade, começando como uma pesquisa focada em painéis genéticos de pacientes oncológicos e seus familiares. "Por meio de um convênio com o estado de Goiás, essa pesquisa saiu dos muros da Universidade e foi convertida em uma política de saúde pública assistencial". O convênio foi firmado em 2023 pela UFG e o Estado, por meio da Fundação de Apoio à Pesquisa (Funape).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas esse caminho não foi simples. A subsecretária de Políticas de Atenção em Saúde da UFG, Amanda Limonde, relatou na abertura do treinamento que, embora o estado fosse o primeiro do país a oferecer o exame genético, a regulação em saúde ficava esperando e a demanda não chegava ao centro. Ao tentar entender o que ocorria, mesmo com as reorganizações dos fluxos, percebeu-se vários motivos: os profissionais da ponta (atenção primária e atenção especializada) muitas vezes não conheciam os caminhos técnicos ou o perfil de paciente que deveria ser encaminhado para o rastreamento genético. "Havia uma dificuldade de entendimento sobre o 'itinerário' da paciente – em qual fila da regulação inseri-la e como seguir o fluxo correto do sistema", avaliou Amanda.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Leia também:&lt;/strong&gt; &lt;a href="/n/129183-familiares-de-22-das-pessoas-com-cancer-de-mama-em-goias-correm-risco-de-ter-a-doenca" target="_blank" rel="noopener"&gt;Familiares de 22% das pessoas com câncer de mama em Goiás correm risco de ter a doença&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;figure style="max-width: 700px; margin: 0 auto; text-align: center;"&gt;&lt;img src="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/IMG_4151.jpg" alt="Goiás todo rosa" width="700" height="525" /&gt;
&lt;figcaption style="padding: 10px 0 10px 10px; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt; text-align: right; color: #555;"&gt;Uma estação explicou os caminhos para o encaminhamento ao exame de rastreamento oferecido na UFG &lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;&lt;span style="color: #555555;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;| Foto: Kharen Stecca/Secom UFG&lt;/span&gt;&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Também ficou claro que o programa estava focado apenas no exame, sem considerar o "todo global" que impacta a paciente desde a sua casa até a unidade de saúde. Com isso, o projeto ganhou o escopo atual. Rosemar afirmou que o grande diferencial do Goiás Todo Rosa no atual momento é o uso da expertise acadêmica para instigar e consolidar uma política de Estado que beneficie as mulheres do Sistema Único de Saúde (SUS).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Segundo a professora, esse tipo de treinamento é inédito no Brasil. "A metodologia envolve abrangência total do processo. O foco vai desde o rastreamento inicial até o pós-tratamento da paciente oncológica". O treinamento utilizou estações que também foram filmadas e microfonadas para gerar material didático a ser replicado em outros municípios e universidades.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Além disso, os médicos participantes participaram de pré-testes antes e depois do treinamento e passarão também por pós-teses (com 30 e 60 dias do evento) para medir a mudança de percepção dos profissionais e corrigir possíveis distorções de conduta ou informações incorretas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Outro ponto é que o projeto não se limita apenas aos médicos, mas abrange diversas frentes da jornada da paciente, incluindo a capacitação de profissionais da atenção primária, médicos que realizam biópsias, técnicos de mamografia e patologistas. Rosemar também destacou a seleção dos instrutores: "Priorizamos professores catedráticos com grande conhecimento científico e habilidade de comunicação".&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por outro lado, também foram escolhidos com cuidado os participantes do treinamento. "Foram convidados dez profissionais de saúde de cada uma das dez macrorregiões de Goiás, com o objetivo de que eles atuem como multiplicadores de informações e ajudem a aumentar o rastreamento da doença, combatendo a falta de informação", avaliou. O treinamento foi gravado e a ideia é replicar essa formação para mais pessoas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Participação&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;figure style="margin: 5px 0 5px 15px; float: right; width: 45%; max-width: 300px; text-align: center;"&gt;&lt;img style="width: 100%; height: auto; border-radius: 5px;" src="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/IMG_4134.jpg" alt="Goiás todo rosa" /&gt;
&lt;figcaption style="padding: 5px 0 10px 0; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt; text-align: right; color: #555;"&gt;Professora Rosemar Macedo, coordenadora do Goiás Todo Rosa &lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;| Foto: Kharen Stecca/Secom UFG&lt;/span&gt;&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt;Silvia Regina foi uma das médicas que participou do treinamento. Atuando na linha de frente da saúde em Itumbiara (GO), a médica ressalta que momentos de reciclagem e atualização são fundamentais para os profissionais que trabalham com os protocolos do SUS. Durante o treinamento, a médica elogiou o formato interativo das estações, afirmando que a dinâmica facilita o aprendizado e favorece a evolução do tratamento das patologias. Para Silvia, o maior desafio é garantir que a informação técnica chegue com clareza a quem realiza o primeiro atendimento nas unidades de saúde, garantindo o êxito do sistema público.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Giovana Alvarenga é residente de ginecologia e obstetrícia em Goiânia, no Hospital das Clínicas da UFG. Ela enfatizou como as estações que simulam a prática clínica auxiliaram na compreensão do fluxo da paciente, desde a atenção primária até a chegada ao hospital terciário.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em sua análise, a base do sistema ainda carece de treinamento para realizar um rastreamento mais assertivo e superar burocracias da regulação. Giovana destaca que a ação multidisciplinar do Goiás Todo Rosa "é um grande ganho" para os participantes, pois permite visualizar as dificuldades do diagnóstico e agilizar o início do tratamento especializado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Leia também:&lt;/strong&gt; &lt;a href="https://website.funape.org.br/projetos/projeto/?id=12" target="_blank" rel="noopener"&gt;Conheça o projeto Goiás Todo Rosa&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;figure style="max-width: 700px; margin: 0 auto; text-align: center;"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0 auto;" src="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/IMG_4137.jpg" alt="Goiás todo rosa" width="700" height="525" /&gt;
&lt;figcaption style="padding: 10px 0 10px 10px; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt; text-align: right; color: #555;"&gt;Quiz interativo tirou dúvidas sobre o rastreamento inicial do câncer de mama &lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;&lt;span style="color: #555555;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;| Foto: Kharen Stecca/Secom UFG&lt;/span&gt;&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Teste genético beneficia a prevenção?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Goiás foi o primeiro estado a implementar e colocar em vigor uma lei que dispõe sobre a realização desse teste (Lei Estadual 20.707, de 14 de janeiro de 2020). Até o momento, o projeto atendeu mais de 900 pacientes com o teste genético. Pesquisas indicam que &lt;a href="/n/129183-familiares-de-22-das-pessoas-com-cancer-de-mama-em-goias-correm-risco-de-ter-a-doenca"&gt;cerca de 22% dos pacientes&lt;/a&gt; vão apresentar a alteração genética que podem favorecer o surgimento do câncer de mama. A professora da Faculdade de Medicina da UFG, Rosemar Macedo Sousa Rahal, ressalta que "a identificação de uma mutação genética pode mudar o tratamento da paciente, uma vez que as abordagens cirúrgicas e medicamentosas podem ser alteradas".&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os familiares também podem ser rastreados com antecedência a partir da detecção da mutação e isso melhora o prognóstico desses pacientes, que serão monitorados mais rapidamente. Segundo a professora Elisângela Lacerda, do Instituto de Ciências Biológicas da UFG, responsável pelos testes genéticos no Centro de Genética Humana do ICB, a filha de uma paciente que tem a mutação genética pode, além de fazer o teste pelo SUS, ser acompanhada com mamografias realizadas precocemente em caso de resultado positivo no teste genético (hoje a indicação comum é apenas a partir dos 40 anos), além de ter orientações específicas sobre estilo de vida, métodos anticoncepcionais e uso de hormônios.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Dependendo da alteração genética que for encontrada, segundo Elisângela, alguns tratamentos não podem ser utilizados, como a radioterapia. O  teste, como explica a professora, coloca determinados pacientes e seus familiares em um grupo de maior atenção e linhas de cuidados especializadas, possibilitando que o diagnóstico precoce seja feito em tempo hábil, aumentando significativamente as chances de cura e garantindo um tratamento mais adequado e humano.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div style="background-color: #f5f5f5; padding: 15px 30px; border-radius: 3px; font-size: 11pt; max-width: 800px; margin: auto; color: #444444;"&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O QUE DIZ A LEI?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A &lt;a href="https://legisla.casacivil.go.gov.br/api/v2/pesquisa/legislacoes/100911/pdf#:~:text=LEI%20N%C2%BA%2020.707%2C%20DE%2014%20DE%20JANEIRO%20DE%202020&amp;amp;text=a%20seguinte%20Lei%3A-,Art.,de%20mama%20ou%20de%20ov%C3%A1rio" target="_blank" rel="noopener"&gt;Lei Estadual 20.707, de 14 de janeiro de 2020,&lt;/a&gt; garante que o teste genético seja solicitado por um médico geneticista, mastologista ou oncologista nos casos em que a paciente tenha laudo que comprove câncer de mama ou ovário com tumor antes dos 40 anos ou triplo negativo diagnosticado antes dos 50 anos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Outro caso é quando há histórico de câncer familiar diagnosticado antes dos 50 anos por dois parentes consanguíneos em linha reta ou colateral até o terceiro grau (isso inclui irmãs, mães, bisavós e tias).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para os casos em que for detectada a mutação genética é assegurado diagnóstico e acompanhamento psicológico e multidisciplinar especializado, bem como a realização de mastectomia profilática e de reconstrução da mama pelo SUS.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div style="background-color: #f2f2f2; padding: 20px; border-top: 2px solid #00458a; font-family: Arial, sans-serif; width: 100%; box-sizing: border-box;"&gt;
&lt;div style="max-width: 1200px; margin: 0 auto;"&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 15px; color: #333333; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;strong&gt;Receba notícias de ciência no seu celular&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Siga o &lt;strong&gt;&lt;a href="https://whatsapp.com/channel/0029VanjBwGAjPXKH1VS0f1H" target="_blank" rel="noopener"&gt;Canal do Jornal UFG no WhatsApp&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; e nosso perfil no &lt;strong&gt;&lt;a href="https://www.instagram.com/jornalufg/" target="_blank" rel="noopener"&gt;Instagram&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="color: #333333; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;strong&gt;É da UFG e quer divulgar sua pesquisa ou projeto de extensão?&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="https://forms.gle/ogoDPTdJLbws4Cso9" target="_blank" rel="noopener"&gt;Preencha aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; o formulário.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="color: #333333; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;strong&gt;Comentários e sugestões&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;a href="mailto:jornal@ufg.br" target="_blank" rel="noopener"&gt;jornalufg@ufg.br&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="color: #333333; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;strong&gt;Política de uso&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal UFG e do autor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;</description>
      <pubDate>Tue, 09 Jun 2026 08:41:38 -0300</pubDate>
      <link>https://jornal.ufg.br/n/201673-goias-todo-rosa-projeto-aprimora-diagnostico-do-cancer-de-mama</link>
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    </item>
    <item>
      <title>De "droga do século XXI" a "abortivo": a narrativa jornalística sobre o misoprostol</title>
      <description>&lt;img width="200" alt="Pesquisa cytotec" title="Pesquisa cytotec" src="http://jornal.ufg.brhttps://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/woman-taking-vitamins-closeup.jpg?1780948764" /&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Estudo analisou como a imprensa moldou por 40 anos o discurso sobre o medicamento&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Kharen Stecca&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O jornalismo tem um princípio que, apesar de não ser absoluto, é norteador: a objetividade. E isso inclui mostrar os fatos a partir da ética, mesmo que eles possam ir contra uma moralidade vigente ou a lei. No entanto, nem sempre esse papel é cumprido e isso pode moldar a opinião pública.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É o que avaliou um &lt;a href="https://www.scielo.br/j/rbcsoc/a/ZxV95H5RS5gxcqTZMKzdjLm/?lang=pt" target="_blank" rel="noopener"&gt;estudo&lt;/a&gt; realizado por pesquisadoras da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Universidade de Brasília (UnB), publicado na Revista Brasileira de Ciências Sociais. O estudo analisou mais de 200 matérias publicadas ao longo de 40 anos nos três principais jornais do país (Folha de S.Paulo, O Globo e Estadão) sobre o medicamento Cytotec, cujo princípio ativo é o misoprostol.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O estudo revelou um padrão preocupante: a cobertura midiática ignorou sistematicamente o conjunto de evidências científicas globais existentes. Isso porque um medicamento que foi inicialmente criado para tratar úlceras gástricas começou a ser utilizado como medicamento capaz de provocar o aborto de forma segura.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Segundo a pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da UFG, Mariana Prandini, o Cytotec chegou ao Brasil na década de 1980 com uma ampla campanha publicitária, mas foram as mulheres brasileiras que realizaram um "experimento social" ao descobrirem as propriedades abortivas do fármaco, que até então era vendido livremente em farmácias.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao longo do tempo, a partir desse uso, estudos foram mostrando que o fármaco realmente tinha esse efeito e que, ao contrário dos métodos existentes até então, era seguro para as mulheres quando utilizado para esse fim.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A imprensa rapidamente provocou uma reviravolta na forma como o medicamento aparecia no noticiário: de "droga do século XXI" e um remédio "revolucionário" para problemas gástricos, rapidamente passou a ser retratado como um "abortivo vendido ilegalmente" e um "medicamento que mata".&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Essa dicotomia, para as pesquisadoras, reflete como a mídia capturou e alimentou o pânico moral em torno do tema, de forma moralista, mas principalmente de forma desconectada do que as evidências científicas apresentavam.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Enquanto entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Federação Latino-Americana de Sociedades de Obstetrícia e Ginecologia (Flasog) já incluíam o misoprostol em seus guias de aborto seguro no início dos anos 2000, a imprensa brasileira preferia narrativas alarmistas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os jornais frequentemente associavam o uso do medicamento a malformações fetais e mortes, tratando o tema nas páginas policiais, em vez de abordá-lo sob a ótica da saúde pública, ciência ou dos direitos humanos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A escolha dos três jornais&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;figure style="margin: 5px 0 5px 15px; float: right; width: 45%; max-width: 300px; text-align: center;"&gt;&lt;img style="width: 100%; height: auto; border-radius: 5px;" src="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/76c690bb77ad4f07eb8e45ad7c69708c5050b643.jpg" alt="Pesquisa cytotec" /&gt;
&lt;figcaption style="padding: 5px 0 10px 0; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt; text-align: right; color: #555;"&gt;Reportagem publicada em O Globo em 1991 &lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;| Imagem: Reprodução&lt;/span&gt;&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt;As autoras do artigo, Mariana Prandini Assis e Rayani Mariano dos Santos, selecionaram os jornais Folha de S.Paulo, Estadão e O Globo por entenderem que esses veículos são fundamentais na construção do debate público no Brasil. De acordo com elas, são veículos consolidados há décadas e detêm a maior circulação nacional total no país.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mariana explica que, por serem jornais respeitados e com um grande volume de leitores, eles funcionam como um "retrato" do sistema midiático brasileiro. Além disso, os três jornais controlam grandes agências de notícias, pautando outros veículos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Há também algumas diferenciações ideológicas entre eles. "A Folha de S.Paulo tende a ser mais progressista, enquanto O Globo tende a ser mais conservador em certas agendas, o que enriquece a análise das narrativas sobre o medicamento", avalia a professora. Além disso, por serem veículos estáveis, foi possível avaliar o tema ao longo de um grande período.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Mudança ao longo dos anos&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O estudo analisou um momento histórico entre 1986 – quando o medicamento chegou ao mercado – até 2019. No entanto, Mariana considera que, a partir de 2018, observa-se uma inflexão na cobertura midiática brasileira. "Influenciada por movimentos sociais na América Latina, como a Marea Verde, e por discussões no STF [Supremo Tribunal Federal] sobre a descriminalização do aborto, a imprensa começou a adotar uma postura mais responsável e humanizada".&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ela avalia que veículos feministas e a promoção de formações específicas de jornalistas sobre o tema ajudaram a deslocar o debate do crime para os direitos. No entanto, como mostra o artigo, o histórico de 40 anos revela que, durante a maior parte do tempo, a mídia funcionou como um braço da criminalização social, publicando nomes e julgando pessoas antes mesmo da justiça, sem jamais ouvir as vozes de quem buscava o medicamento no mercado informal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A professora que estudou o assunto de forma interdisciplinar destaca um aspecto importante que pode reverberar nos mais diversos temas da sociedade, que é a apropriação cultural do tema: para além da questão legal, o medicamento possui uma "vida social" que transforma percepções.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para muitas mulheres, segundo ela, o uso do fármaco não é lido como um aborto no sentido estrito, mas como uma "regulação menstrual". "Essa apropriação cultural mostra que o medicamento é um agente que transforma a percepção do corpo e das práticas sociais, independentemente da barreira moral erguida pela imprensa tradicional e pelas leis restritivas".&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mariana cita &lt;a href="https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=9832565" target="_blank" rel="noopener"&gt;outro artigo&lt;/a&gt; produzido por ela que tratou sobre como o aborto é debatido no Twitter (atual X), onde as narrativas podem ser "assustadoras" e carregadas de desinformação. O estudo, publicado na Revista Íconos, analisou dois casos emblemáticos de vítimas de estupro que tiveram dificuldades de acessar o direito ao aborto. O artigo mostra que, embora as narrativas dos grupos de defesa dos direitos reprodutivos venham sendo consideradas, ainda há muitos antagonismos a serem superados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ela também pretende continuar usando o banco de dados para entender como esses mesmos jornais constroem a narrativa sobre o que é o aborto ilegal no Brasil.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O que diz a ciência sobre o misoprostol&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O artigo mostra que a ciência, no que diz respeito à questão dos efeitos abortivos, caracteriza o misoprostol como um medicamento essencial e central para a saúde reprodutiva, apresentando altos índices de segurança e eficácia quando utilizado corretamente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O misoprostol é um análogo sintético da prostaglandina E1 que atua de forma física, provocando contrações no útero que levam à expulsão do conteúdo uterino. Quando utilizado em combinação com a mifepristona (que interrompe a gestação ao bloquear a progesterona), a eficácia é de 95% a 98%. Mesmo quando utilizado sozinho, o que é comum em países onde a mifepristona não tem registro, o misoprostol mantém uma eficácia próxima de 90% e é considerado extremamente seguro. Esses estudos são apresentados no artigo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;"Estudos brasileiros realizados na década de 1990 indicaram que o uso do fármaco transformou as práticas de aborto clandestino, tornando-as significativamente mais seguras. A ciência demonstra que o misoprostol reduziu drasticamente os índices de infecções graves e complicações que antes eram causadas por métodos invasivos e perigosos, como o uso de agulhas de tricô, talos de mamona ou substâncias cáusticas", lembra Mariana.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também são questionados pelas autoras. A pesquisadora descreve o acesso a informações dificultado pela instituição, que impõe uma regulação draconiana e restritiva muito impulsionada pela pressão moral da sociedade e pouco pelo diálogo com pesquisadores e evidências científicas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Da forma como o assunto é posto, segundo ela, mesmo pessoas que realizam abortos de forma legal no Brasil têm dificuldade de acessar o tratamento justamente pelo estigma criado em torno da medicação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A pesquisa também mostra que, embora a imprensa tenha frequentemente associado o medicamento a riscos de morte e malformações fetais (como a Síndrome de Moebius), os estudos indicam que tais associações foram tratadas de forma superficial. O Ministério da Saúde esclarece que a relação com malformações era uma hipótese clínica em investigação, e não um diagnóstico médico consolidado, sendo que a cobertura jornalística tratou o tema de forma a disseminar medo e culpa em vez de evidências sólidas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div style="background-color: #f5f5f5; padding: 15px 30px; border-radius: 3px; font-size: 11pt; max-width: 800px; margin: auto; color: #444444;"&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O QUE DIZ A LEI SOBRE O ABORTO NO BRASIL&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A interrupção da gravidez no Brasil, ao contrário de outros países, não é livre, sendo permitida apenas em situações específicas, como em casos de violência sexual ou quando há risco de vida para a pessoa gestante. Em 2012, o STF autorizou o procedimento em casos de anencefalia e agora avalia a descriminalização até a 12ª semana de gestação, mas a legislação atual permanece restritiva.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O misoprostol também tem uma regulação extremamente rigorosa: desde 1998, ele foi incluído na Portaria 344 da Secretaria de Vigilância Sanitária, tornando-se uma substância sujeita a controle especial. O acesso ao medicamento no mercado formal é proibido para o público geral, sendo restrito exclusivamente ao uso em hospitais credenciados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A venda e a distribuição do misoprostol fora do sistema hospitalar são tratadas como crime contra a saúde pública, sendo classificadas em alguns contextos como crime hediondo, com penas que podem chegar a 15 anos de prisão. Essa regulação criou o que as pesquisadoras Mariana Prandini e Joanna Erdman chamam de uma "nova forma de criminalização do aborto" no país, focada no controle da substância.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mariana também destaca que, mesmo nos casos autorizados por lei, as fontes apontam que as mulheres enfrentam barreiras significativas para acessar o serviço de saúde, sofrendo com a falta de estrutura (muitas cidades nem oferecem esse serviço), resistência médica e o estigma social que permeia a regulação brasileira.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para as pesquisadoras, a regulação brasileira ignora o consenso científico internacional para priorizar um controle moral e policial sobre o corpo das mulheres e outras pessoas que gestam, resultando em um mercado informal perigoso e na punição severa de quem busca o procedimento.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Redes feministas&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As redes de solidariedade feministas desempenham papel de facilitadoras do acesso seguro ao aborto, especialmente em contextos de ilegalidade ou restrição severa, como o brasileiro, avalia Mariana. "Elas atuam por meio do que a literatura chama de aborto autônomo feminista, transformando o acesso ao medicamento em um ato de cuidado e resistência política".&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mariana tem estudado o &lt;a href="https://www.researchgate.net/publication/398572829_Reinventando_a_governanca_reprodutiva_feminismos_aborto_e_acompanhamento_na_America_Latina" target="_blank" rel="noopener"&gt;papel das redes feministas&lt;/a&gt; com relação ao tema e conta algumas das suas formas de atuação na sociedade. Segundo ela, as redes popularizam conhecimento sobre aborto seguro, adaptando protocolos como os da OMS e da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (Figo), informam sobre dosagem e uso correto do medicamento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Além disso, oferecem proteção contra riscos jurídicos e suporte tanto presencial quanto remotamente, criando infraestruturas de cuidado em espaços e situações onde o Estado e o sistema formal de saúde não chegam.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao reterritorializar o medicamento por meio de protocolos feministas, essas redes conseguem contornar bloqueios morais e regulatórios, sendo uma alternativa segura àquelas que, de outra forma, poderiam recorrer a métodos invasivos e perigosos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mariana ressalta sua participação na &lt;a href="https://catarinas.info/wp-content/uploads/2023/04/Guia_Boas_praticas_de_cobertura_feminista_sobre_aborto_no_-Brasil.pdf" target="_blank" rel="noopener"&gt;confecção de uma cartilha&lt;/a&gt; e cursos para jornalistas para que cubram o tema de forma mais humana e com enquadramentos que contribuam para a desestigmatização e descriminalização, ouvindo as vozes de quem passa pelo processo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="https://www.scielo.br/j/rbcsoc/a/ZxV95H5RS5gxcqTZMKzdjLm/?lang=pt" target="_blank" rel="noopener"&gt;Acesse aqui o artigo completo &lt;em&gt;De "droga do século XXI" a "abortivo vendido ilegalmente": a vida midiática do misoprostol no Brasil&lt;/em&gt;.&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div style="background-color: #f2f2f2; padding: 20px; border-top: 2px solid #00458a; font-family: Arial, sans-serif; width: 100%; box-sizing: border-box;"&gt;
&lt;div style="max-width: 1200px; margin: 0 auto;"&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 15px; color: #333333; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;strong&gt;Receba notícias de ciência no seu celular&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Siga o &lt;strong&gt;&lt;a href="https://whatsapp.com/channel/0029VanjBwGAjPXKH1VS0f1H" target="_blank" rel="noopener"&gt;Canal do Jornal UFG no WhatsApp&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; e nosso perfil no &lt;strong&gt;&lt;a href="https://www.instagram.com/jornalufg/" target="_blank" rel="noopener"&gt;Instagram&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="color: #333333; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;strong&gt;É da UFG e quer divulgar sua pesquisa ou projeto de extensão?&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="https://forms.gle/ogoDPTdJLbws4Cso9" target="_blank" rel="noopener"&gt;Preencha aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; o formulário.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="color: #333333; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;strong&gt;Comentários e sugestões&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;a href="mailto:jornal@ufg.br" target="_blank" rel="noopener"&gt;jornalufg@ufg.br&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="color: #333333; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;strong&gt;Política de uso&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal UFG e do autor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;</description>
      <pubDate>Mon, 08 Jun 2026 17:12:49 -0300</pubDate>
      <link>https://jornal.ufg.br/n/201661-de-droga-do-seculo-xxi-a-abortivo-a-narrativa-jornalistica-sobre-o-misoprostol</link>
      <guid>https://jornal.ufg.br/n/201661-de-droga-do-seculo-xxi-a-abortivo-a-narrativa-jornalistica-sobre-o-misoprostol</guid>
    </item>
    <item>
      <title>Junho de 2013 ainda está em disputa</title>
      <description>&lt;img width="200" alt="Coluna Junho 2013" title="Coluna Junho 2013" src="http://jornal.ufg.brhttps://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/trabalho_junho2013.png?1780425615" /&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Treze anos depois, as ruas seguem desafiando interpretações simplificadoras&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;figure style="max-width: 1000px; margin: 0 auto; text-align: center;"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0 auto;" src="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/243/o/rjniteroiprotestoabr-4.webp" alt="Junho 2013" width="1000" height="665" /&gt;
&lt;figcaption style="padding: 10px 0 10px 10px; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt; text-align: right; color: #555;"&gt;Protestos de Junho de 2013 levaram milhares de pessoas às ruas de todo o país &lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;&lt;span style="color: #555555;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps; font-size: 9pt; color: #888;"&gt;| Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil&lt;/span&gt;&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Luís Augusto Vieira&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Treze anos depois, Junho de 2013 continua sendo um acontecimento incômodo. Não porque falte memória sobre ele, mas porque sobra disputa em torno de seu significado. Para alguns, Junho teria sido uma grande explosão democrática e popular. Para outros, teria sido apenas a abertura de um ciclo conservador que desembocaria na crise política dos anos seguintes. O problema é que nenhuma dessas leituras, tomada isoladamente, dá conta da complexidade daquele processo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Junho de 2013 não foi um acontecimento homogêneo. Foi uma irrupção contraditória, marcada por reivindicações legítimas, sujeitos diversos, disputas de direção, presença juvenil, críticas à representação política e forte insatisfação com as condições de vida nas cidades. A luta contra o aumento das tarifas do transporte público, que esteve na origem das manifestações, expressava muito mais do que uma demanda pontual. Tratava-se de uma crítica concreta ao modo como a vida urbana vinha sendo organizada: longos deslocamentos, transporte caro e precário, serviços públicos insuficientes e desigualdade no acesso à cidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por isso, reduzir Junho a uma explosão espontânea e progressista é insuficiente. Mas também é equivocado interpretá-lo, desde sua origem, como uma conspiração conservadora ou como antessala automática da extrema direita. Junho foi atravessado por contradições reais da sociedade brasileira. Nele estiveram presentes trabalhadores, estudantes, juventudes urbanas, setores médios, militantes organizados, pessoas sem experiência política anterior e grupos que passaram a disputar, nas ruas, os sentidos das manifestações.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A ampliação dos protestos modificou sua composição e sua pauta. O que começou com a questão do transporte se desdobrou em críticas à corrupção, aos gastos públicos, à qualidade dos serviços, à violência policial, à representação política e às formas tradicionais de mediação institucional. Essa multiplicidade foi, ao mesmo tempo, força e limite. Força, porque revelou um mal-estar social amplo. Limite, porque a ausência de direção política clara abriu espaço para disputas de sentido e apropriações contraditórias.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As ruas de Junho foram também palco de disputa de classes e de projetos. Não havia nelas um único sujeito político. Havia interesses, expectativas e interpretações distintas sobre o que estava em jogo. Parte das reivindicações apontava para mais direitos, melhores serviços públicos e ampliação da democracia. Outra parte passou a expressar rejeição genérica à política, antipartidarismo e indignações que, posteriormente, seriam reorganizadas por forças conservadoras.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esse é um ponto decisivo. As apropriações posteriores de Junho não autorizam apagar suas dimensões populares e progressivas. Mas suas dimensões populares também não permitem ignorar que havia, desde aquele momento, uma disputa aberta pela direção política das ruas. O que estava em jogo era justamente a capacidade de transformar indignação social em projeto coletivo. Sem organização, programa e mediação política, a energia das ruas pode assumir caminhos diversos, inclusive aqueles contrários às aspirações que inicialmente a moveram.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Revisitar Junho de 2013, portanto, não é exercício de nostalgia. É parte de uma disputa sobre a memória das lutas sociais no Brasil recente. A forma como interpretamos Junho influencia a maneira como compreendemos a crise política, a democracia, os movimentos sociais, a juventude, o direito à cidade e os limites da representação institucional.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Talvez a maior lição de Junho esteja em sua própria ambivalência. As ruas podem revelar contradições profundas, mas não resolvem sozinhas os rumos da história. Podem abrir possibilidades democráticas, mas também podem ser disputadas por forças regressivas. Podem expressar demandas populares legítimas, mas precisam de organização coletiva para não serem capturadas por projetos que lhes são estranhos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Junho de 2013 ainda está em disputa porque o Brasil que o produziu também continua em disputa. A precarização da vida, a crise dos serviços públicos, a desigualdade urbana, a descrença nas instituições e a dificuldade de construir projetos coletivos permanecem como questões abertas. Mais do que perguntar se Junho foi "bom" ou "ruim", talvez seja necessário perguntar: quem disputou seus sentidos? Quem ficou pelo caminho? E que formas de organização coletiva ainda precisamos construir para que a indignação social não seja separada da luta por direitos, democracia e emancipação?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Luís Augusto Vieira&lt;/strong&gt; é professor do curso de Serviço Social da Universidade Federal de Goiás (UFG) Campus Goiás e líder do Motyrõ – Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Trabalho, Questão Social e Direitos Humanos na periferia do capitalismo.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Nota do autor:&lt;/strong&gt; este artigo deriva de reflexões desenvolvidas no trabalho "Junho de 2013: sobre sujeitos, classes e bandeiras de lutas", apresentado no XVIII Encontro Nacional de Pesquisadoras/es em Serviço Social (ENPESS), em 2024.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div style="background-color: #f2f2f2; padding: 20px; border-top: 2px solid #00458a; font-family: Arial, sans-serif; width: 100%; box-sizing: border-box;"&gt;
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      <pubDate>Tue, 02 Jun 2026 15:42:35 -0300</pubDate>
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