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Universidade Federal de Goiás
Campus Party

Campus Party: no mapa digital do mundo

Criada em 06/09/19 19:11. Atualizada em 09/09/19 15:27.

Visitantes puderam fazer imersão no mundo da inovação tecnológica

Gustavo Motta

“Queremos inserir Goiás no mapa digital do mundo”. Foi com essa afirmação que o presidente do Instituto Campus Party, Francesco Farruggia, deu início à apresentação do encontro que carrega o nome da entidade que representa. Trata-se de um dos maiores eventos mundiais em imersão tecnológica, com sua primeira edição em Goiás. Na última quarta-feira (4/9) o relógio marcava nove horas da manhã quando a parte gratuita do espaço, localizado no estacionamento coberto do Shopping Passeio das Águas, em Goiânia, foi aberta ao acesso de profissionais da imprensa.

Em meio à baixa umidade, o espaço da chamada Open Campus esbanjava climatizadores que se erguiam do chão como monólitos. Ao redor, a paisagem era ocupada por stands e espaços com simuladores de realidade virtual. Entre eles, um que mostrava o shopping do futuro, com um restaurante onde se podia comer ratatouille servido por drones, em meio a um universo futurístico que poderia ter saído da mente de um cineasta como George Lucas. “Nos vemos em 15 anos”, é a mensagem ao fim do tour. Ao lado, o visitante encontra outros simuladores, esses para quem gosta de sentir adrenalina sem sair do chão: uma montanha russa e um caça F-18.

Enquanto o repórter explorava os simuladores, os cerca de quatro mil campuseiros, como são chamadas as pessoas que se inscreveram para acessar a estrutura paga do evento, aguardavam de fora pelo momento em que conheceriam toda a estrutura de 20 mil metros quadrados. Desses, aproximadamente 1.500 estavam acampados desde o dia anterior (3/9), em contagem regressiva até as 12h, o horário de abertura da Campus Party ao público. Para receber toda essa gente de fora, o evento contou com uma área de camping - isso porque, de tão grande, atrai pessoas de diferentes lugares do país. 

Era perceptível a variedade de cores, a riqueza de mundos e a diversidade de sotaques. A Campus Party agora é de Goiás, mas é do Brasil e do mundo. A primeira edição do evento iniciado em 1997 estreou no Brasil há 12 anos. Tem gente que veio pela primeira vez, e tem gente que já se sente em casa faz tempo. É o caso dos mineiros Taymara de Almeida, 20, e Gabriel Henrique da Mata, 21, que completaram sua quinta edição da Campus Party. “Aqui é um lugar onde a gente conhece pessoas de todos os lugares, inclusive amigos que voltamos a encontrar em outras edições”, destacou a jovem.

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Taymara e Gabriel: com cinco participações na Campus Party, são colaboradores voluntários (Foto: arquivo pessoal)

Em casa

Taymara é estudante de Engenharia Mecânica, enquanto Gabriel cursa Ciência da Computação. Essa é a quinta passagem deles por uma edição do evento, sendo que a primeira foi em 2017, na cidade de Belo Horizonte. Dessa vez, eles vieram como colaboradores voluntários da Campus Party. “Na minha primeira participação, eu fiquei maravilhada com a oportunidade de lidar com tanta tecnologia e aprender com diversão”, conta a estudante que, junto com seu companheiro de Campus Party, veio de Montes Claros, município localizado a 865 km de Goiânia. 

Para Gabriel, o diferencial desse evento é “a possibilidade de se trabalhar em grupo e aprender a utilizar o tempo e as ferramentas disponíveis para solucionar problemas de modo prático, sem contar que é possível trocar ideias com profissionais de tecnologia e estabelecer uma relação de networking”. Nesse sentido, além de ser um evento para se conferir oportunidades e aprender a lidar com a tecnologia e as tendências dos negócios, o encontro permite a criação de redes de relacionamento profissional. Além disso, existe um clima de descontração e diversão que aproxima as pessoas, e faz com que elas “se sintam em casa”, como aponta o voluntário.

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Evento contou com participação de quatro mil campuseiros (Foto: Ana Fortunato)

Marinheiro de primeira viagem, Ariel Freitas, 23, conta que sempre teve a curiosidade de participar de uma Campus Party e adiciona: “agora, com essa edição praticamente no quintal de casa, eu não poderia faltar”. O estudante de Sistemas de Informação conta que está em um momento de definição da área que pretende seguir no mercado e, por isso, está aberto a novos conhecimentos e experiências. “É muito legal essa ligação entre conhecimento e diversão, eu mesmo quero acompanhar as batalhas de drones”, confidenciou, se referindo a um espaço onde devem ocorrer, além das batalhas, oficinas e explicações sobre o funcionamento dessas tecnologias. Ariel está participando do evento sozinho, mas espera conseguir fazer networking com outras pessoas e obter uma experiência positiva com a comunidade de profissionais, pesquisadores e estudantes que participam da Campus Party. “A ideia é ficar à vontade aqui, até porque eu estou praticamente em casa, no quintal”, brinca.

E sentir-se em casa é algo natural para quem visita o espaço. Prova disso é o grito que ecoou pelo local durante a conversa com Taynara e Gabriel - e de um canto a outro do espaço, a cena de alguém repetindo o mesmo gesto, como se todos ali compartilhassem um código de comunicação e pertencimento à mesma comunidade. “É desse jeito sempre, esse é o grito da Campus Party”, contornou a moça quando percebeu o susto do repórter, que respondeu conhecer algo semelhante em Goiânia, praticado pela torcida de um time local de futebol chamado Vila Nova.

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Ariel Freitas quer aproveitar programação para encontrar uma área de atuação profissional (Foto: arquivo pessoal)

Empreendedorismo

Entre iniciativas desenvolvidas coletivamente, os campuseiros Igor Justino Rodrigues, 21, Andressa Viana Soares, 20, e Wesley Morais, 27, estavam interessados em aprimorar um negócio que começaram em 2015: um projeto de tecnologia e educação para a realização de cursos presenciais com o auxílio de uma plataforma online. “Queremos acompanhar novidades, buscar inovações e parcerias para levar esse negócio mais adiante”, pontuou Igor que, como os demais, é estudante de Sistemas de Informação. Nesse sentido, o grupo declarou que tem como prioridade participar de workshops, oficinas e outras programações voltadas ao empreendedorismo.

Atualmente, a empresa oferece cerca de 200 cursos, entre Pacote Office, programas para edição e vetorização de imagens, informática básica e atividades profissionais em programação. Os campuseiros residem em Ceres, município do centro goiano localizado a 180 km de Goiânia, em uma região que acreditam ter grande potencial para esse tipo de serviço. “Existe uma grande demanda local e entendemos que a educação com tecnologia pode adicionar muito à qualidade de vida e ao futuro das pessoas em nossa região”, acredita Andressa.

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Igor, Andressa e Wesley estão de olho nas abordagens sobre empreendedorismo (Foto: arquivo pessoal)

Já Thiago Nascimento Nogueira, 27, designer de games de Goiânia, aproveitou a experiência no evento para analisar a receptividade de um jogo de plataforma 3D, desenvolvido por ele e por Matheus Borba, 19, a partir de uma iniciativa estimulada por uma escola de games da capital goiana. Chamado “Spheres: The Ancient Fuses”, o game permite ao jogador assumir a persona de um robô em formato esférico, em uma interface de combate e desafios de quebra-cabeça. “A ideia começou durante uma competição para a criação de jogos em uma escola de games aqui em Goiânia”, lembra. O jogo está em desenvolvimento há um ano e três meses, com previsão de lançamento para 2020. “Assim, nós estamos apresentando uma versão demo [ou seja, que está em fase de testes] para que os visitantes joguem, sintam a experiência desse projeto e nos ajudem a detectar bugs em sua execução”, aponta.

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Campus Party permitiu o teste de games com objetivo de detectar bugs (Foto: Ana Fortunato)

 

UFG leva inovação à Campus Party

O stand da Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação da Universidade Federal de Goiás (PRPI/UFG) na Campus Party divulgou as iniciativas de apoio ao empreendedorismo que são oferecidas como serviços à sociedade. Quem passou pelo local conheceu um pouco das possibilidades tecnológicas do IPE lab, um projeto que conta com uma rede de laboratórios de prototipagem equipados com impressoras 3D e outros equipamentos que podem auxiliar empreendedores no momento de tirar boas ideias do papel - e desenvolver produtos que podem originar grandes negócios.

O diretor do Parque Tecnológico Samambaia, Luizmar Adriano Junior, destaca que a rede do IPE lab está em implementação, tanto em Goiânia, quanto em outros quatro municípios do estado: Aparecida, Jataí, Catalão e Cidade de Goiás. Os laboratórios foram projetados em um formato intitulado Makerspace, ou seja, concebidos como espaços compartilhados pela sociedade, com um intuito inovador e agregador de valores.

Além do IPE lab, o stand apresenta as atividades do Centro de Empreendedorismo e Incubação (CEI/UFG), que realiza cursos, oficinas, palestras, e o apoio a negócios que estão em etapas iniciais de desenvolvimento. “Estamos divulgando as atividades do CEI para quem tem interesse em saber como incubar a sua empresa”, pontua Luizmar.

Entre programas de apoio e incentivo ao empreendedorismo e inovação, o stand divulga a realização da 6ª Olimpíada de Empreendedorismo Universitário (OEU), uma competição realizada pela Regional Goiânia do CEI/UFG, em parceria com os Centros de Empreendedorismos Athenas (Regional Catalão) e Beetech (Regional Jataí), que deve ocorrer em outubro. Nesse ano, o prêmio para o vencedor da disputa é o valor de R$ 5 mil reais.

 

Fonte: Secom/UFG

Categorias: Tecnologia