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Universidade Federal de Goiás
Estudantes EVZ capa

Estudantes criam cateter para diminuir sofrimento animal

Equipamento é adaptável e visa maior sucesso nos tratamentos e a segurança dos animais

Caroline Pires e Giovanna Germano

Estudantes EVZ interna

"Como ninguém pensou em inventar isto antes?". Essa foi a pergunta que iluminou a estudante de Medicina Veterinária da UFG, Gabriela Cheguri de Almeida, durante uma palestra sobre o futuro da oncologia veterinária. Foi assim que surgiu a ideia de criar um cateter totalmente implantável que seja exclusivo para uso veterinário. O atual modelo de cateter usado na veterinária foi criado nos anos 80 para pacientes humanos e não foi adaptado para atender as diferentes anatômicas dos animais. Gabriela se uniu as alunas Jaqueline Sales, Fernanda Martins, Claudiane Marques Ferreira e Nathany Geraldino e juntas elas são as responsáveis por idealizar o projeto intitulado Port-Veterinário.

Com um projeto científico na mão, nenhuma experiência em inovação e o desafio de criar um produto viável economicamente, o grupo venceu a Olimpíada de Empreendedorismo da UFG, no mês de novembro, e agora tem uma motivação a mais para dar continuidade ao projeto. Vanessa Cruz, pesquisadora e professora do PNPD da Escola de Veterinária e Zootecnia (EVZ/UFG), assumiu a orientação do projeto com um carinho especial por vislumbrar a potencialidade do cateter também para animais com câncer.

A professora explica que é comum na prática veterinária a utilização de cateteres para a infusão de medicamentos, coletas, transfusões de sangue e nutrição parenteral. O grande problema é que o equipamento utilizado atualmente é de curta duração e apresenta um risco maior de gerar infecções e episódios de trombose venosa, flebites e necrose por extravasamento de fármacos nos animais.

Vanessa Cruz lembra que a maioria dos quimioterápicos são necrosantes e, por causa disto, a administração fora dos vasos sanguíneos do animal pode ter consequências desastrosas. "A qualidade de vida dos animais fica muito prejudicada pelo uso do cateter humano que é utilizado hoje. A implementação do cateter para um tempo maior deixará o paciente pronto inclusive para emergências", concluiu a professora. A ideia é que no futuro o projeto se desenvolva para a produção de cateteres específicos para cada animal. "Imagine por exemplo a possibilidade de diminuirmos riscos também em animais selvagens ou de zoológicos? Estamos falando de ganhos para a medicina veterinária ainda não possíveis de mensurar", comemorou.

O equipamento pensado pelas alunas é um cateter venoso central conectado a um vaso sanguíneo, adaptável às diferenças anatômicas entre espécies, raças e tamanhos dos animais. Também promete ter um custo mais baixo que o modelo atual usado nos procedimentos, isso devido a sua alta durabilidade que consegue atingir até duas mil punções. O modelo também é mais sustentável por promover menos resíduos, já que não é necessário o uso de curativos, gazes, esparadrapos e seringas descartáveis. "Nosso projeto tem como missão entender os animais e trabalhar para amenizar seus problemas", resumiu Gabriela.

 

"Estamos falando de ganhos para a medicina veterinária ainda não possíveis de mensurar". Vanessa Cruz, professora da EVZ/UFG

 

Protótipo

O desafio para a construção do cateter ultrapassa a Medicina Veterinária e envolve diversas áreas do conhecimento, como a engenharia e a cirurgia vascular. Para dar conta dos problemas iniciais que foram surgindo, o grupo de alunas foi buscar dentro da UFG formas de tornar viável a produção do equipamento. As alunas conseguiram o suporte necessário com os alunos Lucas Simões e Werikcyano Lima Guimarães, alunos da UFG e que integram a equipe do Pequi Mecânico. "Muitas das mudanças anatômicas propostas para o cateter foram pensadas dentro do laboratório de robótica até que conseguíssemos chegar nas mudanças necessárias", comemorou Gabriela.

Foi a partir daí que o grupo passou a pensar qual o material ideal para a produção do cateter visando ao menor custo possível. A professora lembra que mesmo com o crescente cuidado e responsabilidade com a posse de animais, os custos cirúrgicos e com medicamentos para tratar doenças veterinárias ainda é um desafio. O grupo espera que com a chegada de novas impressoras 3D na Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT/UFG), com capacidade para produzir objetos com outros tipos de materiais, seja possível a produção do cateter que será o protótipo do produto, a ser feito com poliuretano. "É muito legal nos depararmos com a possibilidade de produzir algo totalmente inovador sem sair da UFG".

O professor Eugênio, coordenador do Laboratório Multiusuário de Avaliação de Moléculas, Células e Tecidos, da EVZ, considera que a conquista das alunas vai muito além do que simplesmente a conquista do primeiro lugar na Olimpíada de Empreendedorismo. "Ações como essas vão além da sala de aula, amadurecem os alunos, os ensinam a trabalhar em grupo e pensar possibilidade inéditas de resolução de problemas na prática", concluiu o professor. Gabriela afirmou ainda que, com o valor em prêmio recebido na Olimpíada de Empreendedorismo Universitário, o grupo irá dar continuidade ao projeto para desenvolver o protótipo final do cateter, realizar testes e a pré-patente.

Fonte: Secom UFG

Categorias: Ética em Pesquisa