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Universidade Federal de Goiás
Jamesson Buarque e Thaise Monteiro

Professor da UFG ganha prêmio de incentivo à publicação literária

Por Carolina Melo. Criada em 01/02/19 13:07. Atualizada em 04/02/19 17:25.

Jamesson Buarque, e a egressa, Thaise Monteiro, vão publicar um livro de poesias sobre a Semana de Arte Moderna

Beatriz de Oliveira

Tudo começou num bate papo, ao final de uma apresentação de teatro em Goiânia. Jamesson Buarque e Thaise Monteiro se reuniram e decidiram participar de um edital do extinto Ministério da Cultura, agora Secretaria Especial da Cultura, que buscava obras literárias inéditas que tivessem como temática os 100 anos da Semana de Arte Moderna de 1922. Resolveram, então, escrever um livro de poesias. Com um pequeno detalhe: tinham apenas onze dias até o fim das inscrições.

Jamesson é poeta, professor e atual diretor da Faculdade de Letras (FL) da UFG. Thaise, também poeta, é atriz e se formou na Faculdade de Letras. Embora desafiados pelo curto tempo, eles escreveram o livro À Moda de 22 e foram um dos ganhadores do Prêmio de Incentivo à Publicação Literária. O edital do prêmio, publicado no final de 2018 pelo Ministério da Cultura, buscava obras literárias que tivessem como temática os 100 anos da Semana de Arte Moderna de 1922, a ser comemorado em 2022. Marco instaurador do Modernismo no Brasil, um dos propósitos da Semana era a valorização das raízes brasileiras e a construção de uma identidade nacional brasileira. O prêmio tem como objetivo formar leitores e incentivar a prática de leitura, além de promover a literatura brasileira.

As mulheres do modernismoAs mulheres do modernismo brasileiro: Pagu, Elsie Lessa, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Eugênio Álvaro Moreyra

Com o planejamento de terminar o livro em 10 dias, Thaise Monteiro projetou uma divisão cronológica para a obra: antes da Semana de Arte Moderna, durante e depois. Os poemas são contemporâneos e dialogam diretamente com os pressupostos estéticos e com autores do Modernismo. A obra cria formas poéticas para personalidades, acontecimentos e eventos, que antecederam o Modernismo ou fizeram parte dele. Os autores se ocuparam de paráfrases e paródias simultâneas de estéticas modernistas, e da linguagem das vanguardas.

Um exemplo é um poema feito seguindo o método dadaísta, com a montagem de pedaços de poemas ou palavras-chave de poemas de autores relacionados ao Modernismo. Há também poemas que são desconstruções de textos famosos da época. Entre eles, a crítica de Monteiro Lobato à exposição de Anita Malfatti, os Manifestos Nacional e Antropofágico. E não faltaram as releituras de autores como Augusto dos Anjos, Hugo de Carvalho Ramos, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Oswald de Andrade, Leo Lynce, Pedro de Menezes e Ascenso Ferreira. O último poema, Modernagem, foi inspirado nos títulos de livros ou frases conhecidas da poesia brasileira, do Modernismo à atualidade. A obra pode ser publicada ainda este ano pela martelo casa editorial.

Do litoral ao Cerrado

Jamesson Buarque nasceu no litoral, já morou no agreste e no sertão. De Recife, passou por Itabaiana (PB) e seguiu para Petrolina (PE). Mas foi no Cerrado, mais especificamente em Goiânia, que viveu a maior parte da sua vida. Alguns chegam a considerá-lo um escritor goiano. Ele escreve poesia desde os 16 anos, e em 2019 comemora 30 anos de escrita poética e 21 anos de publicação.

A martelo casa editorial publicará também, este ano, uma obra com a reunião de todos os seus poemas. O livro vai conter as poesias de Os Delírios (1998), Novíssimo Testamento (2004), outra troia (2010), Pluviário Perpétuo (2011), Meditações (2015) e Observações (publicado em 2017 pelo ateliê tipográfico da UFG), com o acréscimo de textos que saíram em revistas e jornais e poesias que originalmente eram postagens no Facebook. O conteúdos será dividido em “Crônicas”, as que têm motivos objetivamente políticos, e “Reflexos”, que têm um teor mais reflexivo. Algo inédito no livro serão os Sonetos, que traz as experimentações do poeta nas diferentes formas técnicas de escrever sonetos.

Jamesson define sua poesia como meditativa e reflexiva, e dialoga, segundo ele, diretamente com Carlos Drummond de Andrade, “o maior poeta do universo”. Sua formação e interesses de ordem estética é resultado de uma articulação entre o clássico e o erudito greco-romano, a poesia popular nordestina e a cultura pop. Mas o grande fio condutor de seus escritos é o seu alinhamento político. “É como já disseram para mim: até o seu poema mais de amor é político”.

Categorias: Arte e Cultura