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Universidade Federal de Goiás
Especial Empreendedorismo

Os caminhos do empreendedorismo

Criada em 19/02/19 10:16. Atualizada em 19/02/19 12:53.

Desenvolver negócios ou processos inovadores é alternativa para profissionais de todas as áreas

Reportagem: Luiz Felipe Fernandes

Infografia: Eurípedes Júnior

Produção audiovisual: TV UFG

Fotos: Luiz Felipe Fernandes e Carlos Siqueira

Edição: Carolina Melo e Kharen Stecca

 

Com a Jumperbot, Walisson Gobbo e Tiago Vivas vão levar a Robótica para as escolasCom a Jumperbot, Walisson Gobbo e Tiago Vivas vão levar a Robótica para as escolas (Foto: Luiz Felipe Fernandes)

O mercado de trabalho tradicional da engenharia elétrica nunca foi uma opção para Walisson Gobbo. “Sempre quis empreender, ter meu próprio negócio”, afirma o jovem de 28 anos. Já o colega Tiago Henrique Vivas, 26, descobriu o empreendedorismo aos poucos, no decorrer da graduação na Universidade Federal de Goiás (UFG).

Durante o curso, Walisson e Tiago participaram do Núcleo de Robótica Pequi Mecânico, da Escola de Engenharia Elétrica, Mecânica e de Computação (EMC), onde puderam colocar em prática projetos pessoais. A participação no Desafio Sebrae, voltado para o empreendedorismo universitário, também chamou a atenção dos então estudantes para aspectos gerenciais.

O passo decisivo rumo ao próprio negócio veio de um olhar sensível a uma necessidade do mercado: aliar a demanda pelo ensino de Robótica em escolas de ensino fundamental ao desenvolvimento de um kit mais barato e adequado do ponto de vista pedagógico. A ideia se transformou em empresa em fevereiro de 2017, com a criação da Jumperbot.

“As escolas estão começando a procurar as aulas de Robótica como complemento à educação dos estudantes, mas a oferta de um serviço qualificado ainda é baixa. Então nós identificamos essa necessidade”, comenta Tiago. No fim de 2018, a Jumperbot foi selecionada pelo Centro de Empreendedorismo e Incubação (CEI) da UFG para o desenvolvimento do negócio.

De olho nas oportunidades

O olhar atento de Walisson e Tiago tem deixado de ser apenas um diferencial do profissional contemporâneo. Para a gerente do CEI, Emília Rosângela da Silva, atualmente essa é uma exigência de mercado. “O estudante, desde a sua formação, tem que ficar atento a essa possibilidade. O mercado exige pessoas proativas”.

Mas ter um perfil empreendedor não significa, necessariamente, criar um negócio. “É ter uma atitude diferente, propor mudanças. É alguém que não está acomodado, que busca alternativas e soluções para melhorar algo, seja como empresário, como empregado da iniciativa privada ou como funcionário público”, complementa Emília.

O mesmo vale para a inovação tecnológica. O pró-reitor de Pesquisa e Inovação da UFG, Jesiel Freitas Carvalho, explica que esse conceito não envolve apenas o desenvolvimento de um produto inteiramente novo, mas também a sua melhoria ou a de um processo. “Os processos não são somente os produtivos industriais. Eles abrangem também outros aspectos relacionados à gestão da produção, à comercialização e difusão de produtos, à gestão de pessoas, à imagem das empresas, entre outros”.

 

Matemática divertida

Jogos são usados para ensinar matemática de forma divertidaJogos e brincadeiras são usados pela Connect Math para ensinar matemática de forma divertida (Foto: divulgação)

O terror de grande parte dos estudantes é a matéria-prima para outra empresa que apostou no empreendedorismo. A Connect Math existe formalmente desde 2015, mas as atividades que a originaram têm sido desenvolvidas desde 1994 no Laboratório de Educação Matemática do Instituto de Matemática e Estatística (Lemat/IME) da UFG.

A criação de alternativas lúdicas e prazerosas para o aprendizado da matemática - uma demanda recorrente dos professores - levou à concepção de um negócio inovador: oferecer pacotes de brincadeiras e jogos pedagógicos para instituições de ensino.

A pesquisadora da UFG e diretora executiva da empresa, Silmara Epifânia Carvalho, explica que o aprendizado ocorre por meio de atividades bem conhecidas, como amarelinha, pique-esconde, jogo de argolas e pula corda. “Matemática não é só fazer conta. Em um jogo, é preciso pensar: ‘se eu for por esse lado, o que pode acontecer?’. O ‘se’ é uma condição matemática”.

Silmara acrescenta que a brincadeira contribui para diminuir o bloqueio mental relacionado ao ensino tradicional da ciência dos números. “A criança vai entendendo o mundo e olhando a matemática no dia a dia”.

 

Incentivo público é fundamental

Ter uma grande ideia ou um perfil empreendedor não bastam. Além de um ambiente econômico favorável, é preciso incentivo do poder público por meio da legislação e de programas de incentivo. Uma pesquisa realizada na Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas (Face) da UFG mapeou as políticas públicas na área. Confira o resultado no programa Viver Ciência, da TV UFG:

 

Incubação com a marca UFG

A Connect Math foi uma das empresas incubadas no CEI. Silmara conta que as mentorias oferecidas durante o processo foram decisivas para a formulação de um modelo de negócio enxuto e viável.

Instalada na unidade do CEI no Câmpus Colemar Natal e Silva, a Jumperbot também trabalha com o desenvolvimento de sua carta de serviços, baseada em parcerias com escolas para o ensino da Robótica, preferencialmente a estudantes de 6 a 9 anos. As atividades, além de ocorrerem no próprio ambiente escolar, representam um diferencial para o colégio em termos de atração de novos alunos.

Atualmente, Walisson e Tiago trabalham na produção do kit a ser utilizado nas escolas. Eles explicam que hoje o kit de robótica mais utilizado é o da Lego. O problema é que, além de ser um conjunto de peças de uso mais geral, o custo é de cerca de R$ 3 mil. “Hoje desenvolvemos um kit bem mais simples de usar, com eletrônica robusta e bem mais barato”, detalha Tiago.

O protótipo do kit da Jumperbot, produzido em impressora 3D, está em fase final de desenvolvimento. A próxima etapa são os testes práticos.

Formação empreendedora

Além do apoio à criação e ao desenvolvimento de negócio inovadores, o CEI trabalha para a formação empreendedora das comunidades interna e externa da UFG. Em relação à incubação de empresas, a gerente do órgão explica que são oferecidos consultoria, capacitação, assessoria de comunicação e espaço físico com mesas, armários e computador.

“Além disso, a empresa incubada leva o nome da UFG, o que significa a anuência da Universidade àquele negócio”, ressalta Emília Rosângela da Silva. Criado em 2004, O CEI já graduou 25 empresas e atualmente possui unidades nos câmpus Samambaia e Colemar Natal e Silva.

Infográfico empreendedorismo

 

É possível inovar em todas as áreas

Empreender ou inovar não significa, necessariamente, criar soluções tecnológicas revolucionárias, ou seja, o campo está aberto a todas as áreas de conhecimento. “Toda a nossa capacidade de produzir ciência e tecnologia advém dos nossos mecanismos de organização, que são objeto das ciências sociais e humanas”, comenta o pró-reitor Jesiel Freitas Carvalho.

A criação de um equipamento tecnológico que tenha um fim social, por exemplo, deve ser precedida do conhecimento acerca de problemáticas que são estudadas pelos cursos da área de humanidades. “Para que esse equipamento cumpra sua finalidade social, é preciso que o especialista naquele tema forneça os elementos necessários para que o profissional da tecnologia da informação os traduza em um sistema ou programa de computador”, acrescenta Jesiel.

A gerente do CEI cita o Projeto Redação, que passou pelo processo de incubação na UFG. A empresa, formada em sua maioria por profissionais da área de Letras, oferece um serviço online de correções personalizadas de redação para candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Emília Rosângela da Silva, diretora do CEI/UFG: perfil empreendedor é exigência de mercadoEmília Rosângela da Silva, diretora do CEI/UFG: perfil empreendedor é exigência de mercado (Foto: Carlos Siqueira)

Empreendedorismo social

Outra modalidade que vem ganhando espaço é o empreendedorismo social. São soluções inovadoras em produtos ou serviços, com ou sem fins lucrativos, voltados a problemas sociais, como meio ambiente, saúde e segurança.

Um exemplo sempre lembrado é o do Shoe That Grows (sapato que cresce, em tradução livre). Criado pelo norte-americano Kenton Lee depois de um trabalho voluntário na África, o calçado expande de tamanho por meio de botões e, assim, pode ser aproveitado pelas crianças por um tempo maior.

“Toda forma de empreender é salutar e necessária, porque ela está, inevitavelmente, contribuindo para o desenvolvimento econômico”, conclui Emília.

 

Vanguarda tecnológica

A UFG tem um dos complexos de laboratórios mais modernos do estado, o que permite viabilizar projetos inovadores. Conheça o Centro Regional para o Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (CRTI), que funciona no Câmpus Samambaia.

Fonte: Secom/UFG

Categorias: Especial Humanidades