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Universidade Federal de Goiás
Painel Econômico

PAINEL ECONÔMICO

Criada em 22/02/19 15:44.

Volume de vendas tem ligeira alta após três anos consecutivos de perdas

O volume de vendas do comércio varejista apurado pelo IBGE no estado cresceu 0,1% no acumulado de 2018, mas ficou longe de recuperar as perdas verificadas em 2015 (-10,2%), em 2016 (-9,3%), e em 2017 (-8,7%). Mesmo assim, embora modesto, o resultado merece destaque especial, depois de três anos de quedas consecutivas, e não foi melhor por conta dos desempenhos das vendas de combustíveis e dos supermercados, que caíram 8,5% e 2,8%, respectivamente, e têm grande peso no total do setor em Goiás.

A indústria goiana parecia ter iniciado um movimento de recuperação em 2017, com um crescimento de 4,4%, que veio logo após uma queda de 2,8% em 2016, mas voltou a decepcionar em 2018, quando caiu 4,5%. O início do ano passado parecia promissor, mas a greve dos caminhoneiros, ocorrida em maio, jogou um banho de água fria no setor, causando escassez de várias matérias primas e perda da produção, principalmente das agroindústrias goianas. Aliás, o cenário político e econômico de 2018 não ajudou em nada o dinamismo das economias brasileira e goiana. Os fortes embates políticos nos palanques nacional e estadual geraram um ambiente de grande incerteza e insegurança, que afetou, em grande medida, uma economia que tentava se reerguer, mas ainda contava com elevadas taxas de desocupação, queda da renda e alto endividamento das famílias e empresas, causando adiamentos e cancelamentos de decisões de consumo e investimento.

É neste contexto de pessimismo que se insere o desempenho do setor de serviços goiano. Tal qual a produção industrial, o volume de serviços fechou 2018 no vermelho, registrando queda de 1,0% no estado. Este resultado se mostra ainda pior por vir na sequência de três quedas consecutivas, verificadas em 2015 (-5,2%), 2016 (-8,9%) e em 2017 (-3,7%). Um dos principais expoentes do setor de serviços em Goiás é justamente a atividade de transportes, que caiu 1,2% no ano. Esta atividade foi duramente afetada pela elevação dos preços dos combustíveis, que levou o Governo Federal a se comprometer com o setor, elevando o gasto público em cerca de R$ 9,5 bilhões em subsídios ao diesel, para pôr fim aos protestos de caminhoneiros que fecharam estradas em quase todo o país. Das cinco principais atividades acompanhadas pelo IBGE em Goiás, apenas os “serviços prestados às famílias” e os “serviços profissionais, administrativos e complementares” fecharam o ano com resultados positivos.

Os índices de confiança da indústria, do comércio, dos serviços, e também os dos consumidores, subiram após o fim das eleições. As previsões de crescimento da economia brasileira para 2019 estão girando em torno de 2,5% a.a. As boas expectativas dos agentes na economia têm influenciado também o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, que tem batido recordes, enquanto a cotação do dólar tem caído. Contudo, os ventos de Brasília teimam em continuar soprando forte, gerando novas inquietações no ambiente econômico. Espera-se que os ventos fortes de lá não se transformem em tempestade e alcancem Goiás, já que o estado está muito próximo do Planalto Central.

Boletim de Conjuntura Econômica de Goiás – N. 106/fevereiro de 2019. Equipe Responsável: Professor Edson Roberto Vieira, Prof. Antônio Marcos de Queiroz

Categorias: colunistas