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Universidade Federal de Goiás
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Cinema pode quebrar estereótipos

Criada em 21/03/19 10:33. Atualizada em 21/03/19 13:50.

Pesquisa realizada na Universidade Federal de Goiás mostra como o longa-metragem nacional Colegas quebra estereótipos sobre pessoas com deficiência

 

Texto: Matheus Cristhian

 

Amparada pelos filósofos franceses Michel Foucault e Gilles Deleuze, uma  pesquisa desenvolvida na Faculdade de Informação e Comunicação da Universidade Federal de Goiás (FIC/UFG) mostra como o filme brasileiro  “Colegas” (2012) quebra a concepção disseminada pelo pensamento coletivo sobre pessoas com Síndrome de Down (SD). Isso ocorre graças à forma como o cotidiano de jovens, que vivem em um colégio interno, é retratado no longa-metragem: com paixões, situações mirabolantes e aventuras em uma busca incessante para se chegar a Buenos Aires.

Por meio de uma análise que durou dois anos, desenvolvida para uma dissertação de mestrado em Comunicação, a pesquisadora Daniela Veronezi  constatou que a produção do longa-metragem, que conta com 60 pessoas com Síndrome de Down em seu elenco, só foi possível devido às políticas adotadas para integração de indivíduos com deficiência às forças produtivas na última década.

A abertura do mercado de trabalho, às pessoas que até então eram excluídas ou marginalizadas nos espaços ocupacionais por causa de alguma deficiência, resultou na   necessidade de se reproduzir na mídia subjetividades e grupos sociais que ainda não são representados de forma condizente, de acordo com Veronezi.

Ao usar  cincos categorias como análise, sendo elas sujeitos afetivo, desejante, independente, lúdico e transgressor, a pesquisa buscou, a partir da análise da produção audiovisual, mostrar que a síndrome não faz do portador um ser menos capaz ou inferior, mas sim com limitações que podem ser quebradas ou adaptadas. “A síndrome de Down é uma deficiência intelectual. O filme demonstra que as pessoas são capazes de viver como qualquer outro sujeito social”, conclui a pesquisadora.

De acordo com Veronezi, a ideia de abordar a inclusão de pessoas com SD na dissertação de mestrado surgiu quando estudava para um concurso e leu a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e o Estatuto da Pessoa com Deficiência. “O tema despertou em mim uma imensa vontade de abordar a inclusão social das pessoas com deficiência no âmbito dos estudos comunicacionais”, relata a autora.

A inclusão no Brasil

A Síndrome de Down (SD) é resultado de uma alteração genética no cromossomo 21 que cria um par a mais no código celular, assim, em vez 46 cromossomos a população que possui SD tem 47, o que causa redução da capacidade intelectual de 25% com relação a pessoas não portadoras da alteração genética. Dados da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD), estipula que no Brasil 1 em cada 700 nascimentos ocorre o caso de trissomia 21, que totaliza em torno de 270 mil pessoas com síndrome de Down no país.

Após o final da Segunda Guerra Mundial, o Brasil e os países recém associados às Organizações das Nações Unidas (ONU) assinaram e ratificaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), em 1948. Esse ato é considerado a primeira iniciativa de inserção para quem sofre limitações físicas ou psíquicas. Foi apenas com o advento de movimentos sociais na década de 1980, e a criação do texto constitucional de 1988, que pessoas com deficiência passaram a ter leis específicas às suas necessidades e demandas.

Em 2006, na Assembleia Geral da ONU, foi discutida a possibilidade de criar uma política pública global para a inclusão de pessoas em todas as escalas produtivas, e em todos âmbitos da vida pública. Um ano depois, durante a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, realizada em Nova Iorque, o Protocolo Facultativo da reunião foi assinado por diversos países, incluindo Brasil. A partir deste documento , passou a ser discutida a criação do Estatuto de Pessoas com Deficiência, que foi aprovado em 2015, considerado o grande marco encaminhador de políticas públicas, que visam contemplar pessoas com restrições físicas e psíquicas.  

“Ninguém fica para trás”

O Dia Internacional de Síndrome de Down é comemorado em 21 de março. A data foi instituída em 2012 pela Organizações das Nações Unidas (ONU) com o propósito de discutir a inclusão de pessoas com Síndrome de Down (SD) em todos âmbitos da vida pública e privada, em forças produtivas e na representação de indivíduos com SD nos meios de comunicação. A temática da data neste ano é “Ninguém Fica Pra Trás”. A proposta é criar mecanismos que possam efetivamente incentivar países membros a criarem políticas públicas de integração de pessoas com SD, a partir de ações que visam desmistificar preconceitos e estereótipos relacionados à limitação psíquica do grupo. O projeto está ligado à Agenda 2030, que se propõe a conceber diretrizes para criação de ambientes onde minorias sociais sejam capazes de ocupar espaços aos quais não estão inseridos ou são subrepresentadas.

 

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Filme " Colegas" fatura o Kikito de melhor no 40º Festival de Cinema de Gramado (foto: Portal A Crítica)

 

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Fonte: Secom/UFG

Categorias: Humanidades