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Universidade Federal de Goiás
Painel Econômico

PAINEL ECONÔMICO

Criada em 04/04/19 07:48. Atualizada em 04/04/19 08:47.

Queda na renda familiar afeta venda de livros

2018 será um ano do qual as lojas de revenda de livros, jornais, revistas e papelaria certamente não terão saudade. Os dados do IBGE mostram que, no ano passado, as vendas do setor caíram quase 15% no Brasil e 28,3% em Goiás. Especificamente no que tange às vendas de livros, a redução das vendas parece fazer parte de um processo mais amplo, que envolve as grandes redes nacionais do setor.

Ao longo dos anos, houve no país um processo de concentração das livrarias, com a aquisição das pequenas e médias por grandes redes. Contudo, esse movimento acabou por esbarrar na queda da renda das famílias, em decorrência do aumento das taxas de desocupação e da informalidade, no bojo da crise econômica que ainda não foi completamente debelada. Essa crise parece ter afetado a venda de livros com mais intensidade do que as de outros tipos de produtos. Até mesmo as vendas de combustíveis, que foram muito impactadas pelo aumento dos preços ao longo de 2018, caíram menos da metade do que as de livros, jornais, revistas e papelaria.

O hábito de leitura está intimamente relacionado ao nível de renda. Países mais ricos possuem maiores índices de leitura do que os mais pobres. E, no Brasil, várias pessoas saíram das classes A e B para as classes C, D e E em decorrência da crise econômica. Embora tenha caído em relação a 2017, a taxa de desocupação no país fechou 2018 em 11,6%, com mais de 12 milhões de pessoas desempregadas, e atingiu 8,2% em Goiás, envolvendo cerca de 300 mil pessoas.

Ao lado desse processo, existe outro mais estrutural, relacionado à novas tecnologias, às mudanças dos hábitos das pessoas e ao preço do livro. Trata-se do aumento das vendas dos chamados e-books, livros digitais, cujos preços são mais acessíveis do que os dos livros físicos. A possibilidade de comprar e fazer a leitura dos livros por meio dos mais simples smartphones intensificou esse movimento no período recente, assim como a ascensão de grandes empresas, como a Amazon, com vendas feitas predominantemente pela internet.

O resultado disso tudo é que grandes redes de livrarias, com atuação em vários estados, inclusive em Goiás, deixaram de existir e outras estão fechando as lojas mais deficitárias. O dano causado não é apenas econômico e social. É também cultural.

Boletim de Conjuntura Econômica de Goiás – N. 107/março de 2019. Equipe Responsável: Prof. Dr. Edson Roberto Vieira, Prof. Dr. Antônio Marcos de Queiroz.

Fonte: Face/UFG

Categorias: colunistas