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Universidade Federal de Goiás
Painel Econômico

PAINEL ECONÔMICO

Criada em 17/05/19 16:56. Atualizada em 17/05/19 16:56.

Desemprego sobe em Goiás e taxa de desocupação no interior também preocupa, pois pode gerar queda de população nestes locais

Boletim de Conjuntura Econômica de Goiás – No 109, maio de 2019


A divulgação da PNAD Contínua trimestral pelo IBGE neste mês mostrou que a taxa de desocupação voltou a aumentar em Goiás no 1ºtrimestre de 2019, após apresentar três quedas consecutivas. Esses números parecem refletir a dinâmica da economia brasileira, cuja taxa de desocupação apresentou variações na mesma direção das observadas em Goiás nesses quatro últimos trimestres, só que por aqui há indícios de que o mercado de trabalho está sofrendo mais
do que na média nacional.
Goiás foi a Unidade da Federação que teve o segundo maior aumento da taxa de desocupação no país na passagem do 4º trimestre de 2018 para o 1º trimestre de 2019. Esse aumento foi de 2,5 pontos percentuais (p.p.), bem maior do que o nacional, de 1,1 p.p., e só superado pela elevação de 4,9 p.p. observada no Acre. Historicamente, a taxa de desocupação goiana é menor do que a brasileira, mas a diferença entre essas duas taxas diminuiu. A taxa de
desocupação de Goiás era 8,2% no 4o trimestre do ano passado e a do Brasil 11,6%; e agora, no 1o trimestre desse ano, essas taxas passaram para 10,7% e 12,7%, respectivamente, e a diferença entre elas, que era de 3,4 p.p., caiu para 2,0 p.p.
O aumento da taxa de desocupação é comum no 1º trimestre do ano, sendo explicado notadamente por movimentos sazonais do mercado de trabalho. Muitas contratações feitas por conta do aumento da produção e das vendas de final de ano são alvo de demissões no início do ano, elevando a taxa de desocupação. Contudo, desde o início da série do IBGE, em 2012, das taxas de desocupação observadas para Goiás no 1º trimestre de cada ano, a taxa de 2019 só foi
menor do que a de 2017 (12,7%). Além disso, os 10,7% de desempregados registrados pelo IBGE em Goiás no 1º trimestre de 2019 representaram a quarta maior taxa de desocupação da série histórica da PNAD Contínua. Na comparação com o 1º trimestre de 2018, a taxa goiana aumentou 0,4% (de 10,3% para 10,7%), enquanto que a brasileira experimentou uma queda da mesma magnitude (passando de 13,1% para 12,7%).
Já as taxas de desocupação de Goiânia e de sua região metropolitana foram de 7,2% e 8,0%, respectivamente, sendo, portanto, menores do que a do total do estado. Ainda que tenham aumentado na comparação com o último trimestre de 2018, essas duas taxas foram as menores dentre as das capitais das Unidades da Federação do Brasil e de suas regiões metropolitanas. Geralmente, o desemprego na capital do estado e em seu entorno é menor do que na média do
estado, porém essa regra não se aplica a todas as Unidades da Federação. Em 14 delas, o desemprego no 1ª de 2019 foi menor no interior do que na capital.
Uma das explicações para as dinâmicas distintas do mercado de trabalho no interior de Goiás e na capital pode estar no chamado empregado por conta própria. O percentual de pessoas ocupadas na região metropolitana de Goiânia nessa categoria aumentou 1,1 p.p., ao passo que o aumento em todo o estado foi cerca de metade disso (0,6 p.p.) entre o 4º trimestre de 2018 e o 1º trimestre de 2019. Em Goiânia e em sua região metropolitana, muita gente tem conseguido
renda trabalhando, por exemplo, como motorista de aplicativo ou como entregador de comida pronta, também por meio dos aplicativos. Diferentemente do que ocorre na capital e em seu entorno, a dinâmica da economia de muitos municípios goianos não favorece as atividades que se inserem nesta categoria de trabalho.

Some a isso o fato de que mais de 60,0% dos municípios goianos possuem menos de 10 mil habitantes e uma boa parte deles depende quase exclusivamente dos repasses dos Governos Federal e Estadual para fechar suas finanças, só que esses repasses têm diminuído em razão da queda do nível de atividade econômica. O IBC-br, uma espécie de previa dos resultados do PIB apurada pelo Banco Central, sugere que a economia nacional encolheu 0,68% nesses três
primeiros meses do ano, o que restringe o montante de impostos arrecadados.

O mercado de trabalho em Goiás pode destravar caso o Governo Federal crie condições adequadas para estimular o emprego no país como um todo. Mas é importante que também sejam tomadas medidas específicas para estimular a criação de emprego e a geração de renda no interior do estado. Sem isso, dificilmente se terá mudança do histórico do mercado de trabalho no estado. Não por acaso, a população de vários pequenos municípios de Goiás tem registrado
queda. As ultimas estimativas realizadas pelo IBGE dão conta de que 84 municípios do estado (34,1%) tiveram queda da população em 2018 na comparação com 2017. Sem gerar oportunidades de emprego, dificilmente esses municípios terão condições de reverter a tendência de queda de sua população, exportando sua força de trabalho e seu futuro para outros municípios mais dinâmicos.

Boletim de Conjuntura Econômica de Goiás – N. 109/maio de 2019.
Equipe Responsável: Prof. Dr. Edson Roberto Vieira, Prof. Dr. Antônio Marcos de Queiroz

Fonte: FACE

Categorias: colunistas