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Universidade Federal de Goiás

Desafios no campo da educação básica e das licenciaturas mobilizam professores e estudantes

Criada em 18/09/19 16:14.

Comunidade estudantil e acadêmica revelam sentimento de resistência em encontro que reuniu mais de 2.200 pessoas na UFG 

Michele Martins

A UFG tem tradição na formação de professores em Goiás há quase 60 anos e hoje oferece 150 cursos presenciais sendo 48 de licenciatura e ainda 5 cursos de Ensino a Distância (EaD) para licenciaturas. Centenas de professores, estudantes e técnicos estão envolvidos diariamente e se dedicam aos desafios que se impõem para uma formação acadêmica como a necessidade de reformulação dos projetos políticos pedagógicos.

Encontro licenciaturas

Em um momento no qual a Educação no Brasil, seja do ensino infantil à pós-graduação, tenta firmar sua importância no contexto de desvalorização e falta de apoio governamental, um sentimento parece se sobrepor nas escolas e universidades: a vontade de resistir. Neste sentido, a realização do primeiro Encontro de Licenciaturas e Educação Básica superou a expectativa dos organizadores com mais de 2.200 participantes no Câmpus Samambaia da UFG e se firmou como um marco para a instituição. O evento foi organizado pela Pró-reitoria de Graduação da Universidade Federal de Goiás nos dias 22 e 23 de agosto, com o apoio da Secretaria Estadual de Educação, Cultura e Esporte de Goiás (Seduce) e Secretaria Municipal de Educação e Esporte de Goiânia (SME) e das principais instituições de ensino superior em Goiás que possuem cursos de licenciatura (UEG, IFG, IFGoiano e PUC-GO). 

De acordo com a organizadora do evento, Moema Gomes Moraes, a repercussão do evento foi para além do âmbito da UFG, registrando a participação de pessoas até de outros Estados. Para Moema Moraes o objetivo do Encontro foi de ampliar o diálogo da Universidade com os professores da rede municipal e estadual de ensino sobre os desafios e perspectivas da formação de professores e da educação básica. Ela destacou que a programação científica com apresentação de pesquisas e as conferências que trouxe convidados de renome do campo da Educação, como Bernadete Gatti, Maria Tereza Montoan, que falou sobre Luiz Carlos de Freitas. “No campo das licenciaturas, há diferentes temáticas que podem ser abordadas e pensamos em temáticas que promovessem diálogos. Os temas foram pensadas para abordar situações que vivemos hoje como a formação de professores, a produção de pesquisas, a educação no campo, educação intercultural, educação infantil, educação de jovens e adulto. Devido a tamanha repercussão positiva, a realização de uma segunda edição do evento já foi confirmada pela Pró-reitoria de Graduação da UFG”, afirmou.

Revoada
Apresentação Cultural Grupo Revoada (CEPAE/UFG)

Das escolas

Professores e estudantes conheceram experiências educacionais que puderam ser compartilhadas em uma mostra de laboratórios de ensino e produtos educacionais com professores da Seduce e SME, além de laboratórios de ensino de cursos de licenciaturas da UFG. Experiências de práticas pedagógicas desenvolvidas dentro das escolas por professores e estudantes, como as mostras de dez escolas da Rede Estadual de ensino se revesaram durante o evento.

Ana Beatriz Machado de Freitas, do IFG professora do curso de Pedagogia. Julgou ser muito importante para a formação dos licenciados a realização de um evento deste tipo, por trazer tantos convidados de renome nacional e internacional relatando suas experiências e conhecimentos. “Me identifiquei quando Bernadete Gatti falou sobre o papel pedagógico e sobre os dados de pesquisa que ela apresentou. Desde minha graduação já tinha ela como referência de estudo e aqui pude conhecer pessoalmente”. Afirmou.

Para Renata Tavares de Brito Faleti, professora do Instituto Federal Goiano (IFG), Câmpus Cidade de Goiás, é pós-graduanda da Faculdade de Educação da UFG, é preciso refletir tanto o aspecto da formação quanto sobre as realidades de sala de aula. “Existem muitas questões emergentes aos processos de ensino aprendizagem que devem ser discutidas”, declarou. A professora Márcia Santana, dividiu seu tempo entre o trabalho no Departamento de Educação Infantil da UFG e a participação no evento: “Eu que sou da educação infantil, aproveitei o pouco momento de liberação do trabalho para vir aqui e achei fantástico! Me chamou muito atenção a fala da professora Maria Teresa Eglér Montoan sobre a formação de professora da educação inclusiva porque ela destacou os desafios desse tipo de trabalho e como os professores acabam não sabendo trabalhar a inclusão no âmbito do ensino regular”, disse. 

Para a professora Raquel de Oliveira, do Centro de Ensino de Período Integral Parque Santa Cruz, “Espaços como este devem ser mais abertos. Gostei dos estandes dos laboratórios de práticas pedagógicas. Ter conhecimento destas práticas é muito importante porque nas escolas existem muitos projetos muito bons que não são vistos ou registrados. E na licenciatura temos muitos produtos para mostrar. E ver outras pessoas falando de assuntos que vivemos e precisamos fazer arremates, isso é ótimo!.”, declarou. 

Resistência

Para além da troca de experiências, foi comum ouvir dos participantes demonstrações do sentimento de defesa da educação. Representante e pesquisadora do campo da Educação, a vice-reitora Sandramara Matias Chaves, é uma das principais defensoras de que o momento em que a educação vive no país é de resistência.  “Estamos mostrando a que viemos qual é o papel das licenciaturas nesse país e quanto é importante a formação de professores na educação básica, além do papel político e a função social que desempenhamos e o que nós podemos fazer ao Estado e ao país por meio da formação de professores e de cidadãos que podem fazer a diferença na formação dos estudantes. A UFG tem tradição na formação de professores e, com certeza, é o diferencial para que possamos transformar a sociedade em um lugar com mais respeito às diferenças e a pluralidade de ideias”, declarou.

O reitor Edward Madureira Brasil tem reiterado em seus discursos a importância de valorizar e promover a educação nas diferentes fases da estrutura educacional brasileira e que colocar educação básica e educação superior em posições antagônicas se um grave erro, tendo em vista que apesar de existir uma política de estado para a educação, dada pelo Plano Nacional da Edcuação (PNE), aprovado em 2014 por unanimidade no Congresso Nacional. “Das 20 metas estipuladas neste Plano, apenas uma está sendo cumprida na integralidade e mais duas ou três tiveram alguns avanços. Talvez esse seja o maior erro que um país possa cometer: como podemos falar em educação básica sem falarmos da educação superior, como falar da educação superior sem alunos egressos da educação básica aptos a desempenhar a formação profissional de qualidade. Em um conceito mais moderno, a educação começa na educação infantil e não termina. Não há que falar separadamente de uma educação básica, superior, pós-graduação. A formação é necessária em todas as etapas da vida. Destaco a gravidade do momento que vivemos especialmente por sermos um país com índices de escolaridade ainda muito baixos”, defende o reitor.

 

Fonte: Secom/UFG

Categorias: Humanidades