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Universidade Federal de Goiás
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Encontro discute Artes Plásticas, Cultura e suas dinâmicas

Criada em 19/09/19 09:42. Atualizada em 19/09/19 14:56.

Evento reforçou a necessidade de manutenção de recursos para a Educação Superior

Texto e Fotos: Weberson Dias

 

Na noite desta terça-feira, dia 17/9, a cidade de Goiás recebeu a conferência de abertura do 28º Encontro Nacional da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas (Anpap), que reuniu estudantes, docentes, professores e demais curiosos pela temática das artes no Cine Teatro São Joaquim e foi construído pela UFG, IFG e UEG. A mesa diretiva era formada por quatro docentes da UFG: Manoela dos Anjos Rodrigues, presidente da Anpap; Sandramara Matias Chaves, também vice-reitora; Leda Guimarães, representando a Faculdade de Artes Visuais (FAV); e, Renato de Paula, diretor da Regional Goiás. Além deles esteve presente também a secretária de Cultura da cidade de Goiás, Flávia Rabelo. Entre os presentes na mesa diretiva, a vice-reitora da Universidade Federal de Goiás (UFG), Sandramara Matias Chaves, que aproveitou a oportunidade para falar dos cortes na Educação Superior. “No caso da UFG esse corte significa em torno de 30 milhões de reais, recurso que teríamos para concluir nosso ano letivo, que já não seriam suficientes. O que está previsto para o ano que vem na Pré-LOA [Lei Orçamentária Anual] é menor do que o deste ano. Estamos com dificuldades para cumprir nossos compromissos básicos”, pontuou.

A vice-reitora destacou a necessidade de liberação de mais recursos para as universidades públicas brasileiras por parte do governo federal, quem, segundo ela, tem desqualificado a educação superior pública brasileira, especialmente considerando o que essas universidades desenvolvem em termos ensino pesquisa, pós-graduação, extensão, cultura e inovação. Sandramara sinalizou ainda que com os parcos recursos, este semestre não devem passar do próximo mês. “A UFG é formada por mais de 50 mil pessoas, comunidade maior do que boa parte dos municípios do Estado de Goiás, que se unem e se solidarizam com a gestão superior, no sentido de fortalecer nossa luta, resistência e ações para mobilizar e sensibilizar o governo federal na liberação de recursos. Se isso não acontecer, nossa previsão é que a gente não consiga mais desenvolver nossas atividades para além do mês de outubro”, lamentou.  

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Vigor

Apesar disso, sempre observa que a comunidade acadêmica da UFG possui muito vigor e não se deixa abater. “Isso mostra que a universidade está viva, produzindo conhecimento, cumprindo seu papel social. É uma universidade que é pública, gratuita, socialmente referenciada, inclusiva, que respeita as diferenças, a pluralidade de ideias, a diversidade, e que produz conhecimento. É esta universidade que é hoje o maior patrimônio do povo goiano e é esta universidade que estamos defendendo. Uma sociedade só será desenvolvida se os governantes investirem maciçamente e prioritariamente em Educação”, finalizou.

Em seu discurso, a professora Manoela justificou o tema “origens” e o que levou a Associação a realizar o evento na cidade de Goiás. Destacou a importância da professora Daisy Valle Machado Peccinini para a Anpap, quem deu as felicitações, mas acima de tudo expôs recomendações a Manoela, no ato de posse ano passado. “Pensando no tema origens, revi a carta que Daisy escreveu em comemoração aos 30 anos da Anpap, em 2017. As origens da Anpap contam uma história de luta, resistência, organização,  ação coletiva, compromisso e o verdadeiro amor pela área de artes, pesquisa e pela universidade pública. Foi nos seios das universidades, no universo do saber, nos caminhos da ciência, onde as artes se refugiaram nos anos de exceção, que a questão associativa de artistas e teóricos da arte, com métodos e conhecimento científico  encontrou terreno fértil”, destacou, lembrando que este ano a Anpap completa 32 anos de existência.

Vínculos

O diretor da Regional Goiás, Renato de Paula, lamentou que o ar da cidade esteja comprometido devido às queimadas e afirmou que o Encontro Nacional é também o momento de resistir. “Resistir significa tudo aquilo que nós conquistamos do ponto de vista civilizatório e nada mais civilizatório do que a arte. Estamos aqui para somar na resistência e nenhum fogo vai atrapalhar também que vocês sejam recebidos de maneira calorosa e afetuosa na nossa cidade”, disse. 

A professora Leda Guimarães expôs a importância do encontro para o fortalecimento de vínculos acadêmicos entre professores e alunos, convidando a todos para que se engajem na rede de espírito colaborativo com tons de resistência. A secretária municipal, Flávia Rabelo, agradeceu por a cidade de Goiás ser elevada à categoria de objeto de reflexão e conclamou que os presentes dêem as mãos na construção da resistência.

 

Conferência

Ao final da formação da mesa diretiva, a continuidade da conferência de abertura se deu com a fala do artista Dalton Paula, com a palestra “Entre Silêncios e Negociações”. Dalton demonstrou, por meio de fotos autorais, como os corpos são silenciados no meio urbano e analisou a necessidade da sociedade respeitar as diferenças e as religiões de matrizes africanas. Foram exibidas fotos da Congada Irmandade 13 de Maio, de Goiânia, da Comunidade Quilombola Kalunga, de Cavalcante, sempre fazendo reflexões sobre o corpo negro, bem como a ocupação e ressignificação deles nos diversos espaços e festividades religiosas. Expôs ainda figuras de São Cosme e Damião que dão base em suas pesquisas sobre as artes visuais, analisando os elementos de composição do cenário e a interdição existente neles. O artista observa ainda as relações que se referem à alteridade e as negociações envolvidas neste processo. Dalton Paula finalizou falando de suas pesquisas que remetem aos aspectos de cura e às materialidades quanto às foto-performance de ex-votos, analisando o corpo e as referências dele na sociedade, especialmente goiana e cearense.

Fonte: Secom/UFG

Categorias: notícias Arte e Cultura