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Universidade Federal de Goiás
Livro suicídio universitário

Professores da UFG lançam livro sobre suicídio entre universitários

Criada em 24/09/19 15:22. Atualizada em 25/09/19 16:22.

Livro relaciona temáticas como heteronormatividade, pressão social e profissionalização na saúde mental de estudantes

Kharen Stecca

Professores da Regional Goiás e Regional Catalão lançaram no dia 24 de setembro um livro intitulado Suicídio Universitário. O livro além de analisar pesquisas já existentes no Brasil que enfocam o tema, também analisa dados de uma pesquisa realizada com estudantes de Medicina e relaciona temáticas como heteronormatividade, pressão social e profissionalização entre os jovens e como esses fatores estressores são capazes de influenciar a saúde mental dos estudantes. Para os autores, o debate do tema só é possível hoje porque o assunto começou a ser encarado como problema de saúde pública. Participaram da construção do livro os professores  da Regional Goiás Welson Santos (Educação do Campo), Thiago Sant´anna e Silva (Arquitetura) , Maria Carolina Mota (Direito) e da Regional Catalão Wender Faleiro (Educação do Campo).

Livro suicídio universitário
Professores lançaram o livro no dia 24 de setembro, na Regional Goiás da UFG. Da esquerda para a direita Welson Santos, Maria Carolina Mota e Thiago Sant´anna e Silva

Para Maria Carolina não é por acaso que jovens universitários são tão suscetíveis às ideações suicidas: “Eles sofrem uma mudança brusca com a entrada na universidade. Alguns por estarem longe da família e dos amigos, outros por falta de adequação a um novo ambiente. Os fatores são diversos, mas todos levam ao aumento da ansiedade com um futuro profissional incerto do qual a universidade é apenas um instrumento. Não há nada que garanta ao jovem um sucesso profissional, nada que garanta sua inserção no padrão social da estabilidade financeira. A universidade com mecanismos de competitividade somente aumenta a insegurança do jovem que ainda é um ser humano em formação. Por isso ele é mais vulnerável ao sentimento de injustiça e de fracasso”. 

Para Welson Santos trata-se de um período da vida em que algumas questões se potencializam: “Entre 14 e 28 anos, temos um período de profissionalização, o momento é crítico e a pressão social, torna o processo desafiador demais a alguns desses sujeitos em formação. Todos são submetidos aos mesmos processos, uns lidam com menos dificuldades, outros mais.” Na opinião do professor, a questão de identidade sexual é um fator importante: “Venho observando que quando os demais agentes estressores somam-se a esse, em especial entre os homens, parece que a situação torna-se insustentável. Então, considero que não se trata de um estressor, e sim vários, com o agravamento fatal de um desses.  A identidade sexual a partir dos 14 anos parece ser algo que torna insustentável a administração emocional sem respaldo da família.”

Para o professor, a heteronormatividade é um problema entre homens e mulheres quando se sentem fora da norma e isso traz toda uma desordem emocional: “mas, entre homens, a masculinidade hegemônica tem feito um estrago e gerado uma masculinidade tóxica em escala que até nós, especialistas, nos assustamos. Penso que a raiz central do suicídio infanto-juvenil e de jovens homens procedem dessa questão heteronormativa. Quanto aos cursos de elite, nele a formação é mais cobrada, a expectativa do sucesso profissional é maior, a formação é pesada, vimos que professores impõem a heteronormatividade como parte do elemento que garantirá o sucesso”, ressalta Welson. A pesquisa indicada foi feita com 60 acadêmicos, sendo 50 do curso de Medicina e 10 de outras graduações. Todos os documentos e depoimentos foram feitos por meio de correio eletrônico, destes 30 responderam e 12 deles, de acordo com as respostas, foram convidados a continuar a fase seguinte da pesquisa. O estudo realiza a análise do discurso a partir dos questionários enviados, baseado nas teorias de Foucault. A partir dessa análise, Welson Santos ressalta que a razão para a ideação suicida é uma somatória de questões: a masculinidade hegemônica, a heteronormatividade e a forma como os processos de formação superior tem sido densos e complexos, mediante a baixa expectativa de um mercado de trabalho cada vez mais difícil. 

Contato para adquirir o livro: wwsantosw@yahoo.com

Como acolher

A universidade precisa ter um papel central no apoio aos estudantes, de acordo com os pesquisadores. Para Maria Carolina, a universidade deve se perceber como local de realização/implementação de políticas públicas e, neste sentido, incentivar boas práticas de prevenção e diagnóstico das ideações suicidas. Ela destaca alguns bons exemplos de trabalhos realizados por universidades: “A nossa análise demonstra que o programa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro "UERJ pela vida" tem um trabalho integrado dentro da instituição voltado para casos de ideação suicida com resultados positivos e a USP também tem uma iniciativa neste sentido, o Escritório de Saúde Mental.”

Welson Santos, por sua vez, ressalta que o professor é um sujeito que deve saber como dosar a competitividade nos cursos: “Penso que é urgente um trabalho com o professor universitário para chamá-lo a essa responsabilidade no processo formativo de seus alunos na academia. O professor precisa pensar como isso é possível, dentro de seu fazer docente”, ressalta.

Suicídio Universitário

Fonte: Secom UFG

Categorias: Humanidades