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Universidade Federal de Goiás
Ataques a refinarias de petróleo, geopolítica do Oriente Médio e o Brasil

PANORAMA

Criada em 09/10/19 14:54. Atualizada em 09/10/19 14:55.

Ataques a refinarias de petróleo, geopolítica do Oriente Médio e o Brasil

Matheus Parreira Rocha*

Ataques a refinarias de petróleo, geopolítica do Oriente Médio e o Brasil

No dia 14 de setembro, drones bombardearam refinarias da gigante estatal petrolífera Saudi Aramco nas cidades de Abqaiq e Khurais, que juntas são responsáveis por cerca de 50% da produção do país. Os ataques foram reivindicados pelos rebeldes iemenitas Houthis, o grupo trava uma guerra civil no Iêmen desde 2014 e tem como aliado o Irã. Justificaram os ataques como uma retaliação a coalizão formada pela Arábia Saudita contra eles.

Estes ataques direcionados a Arábia Saudita, maior exportadora de petróleo do mundo, causaram danos que reduziram pela metade a produção de petróleo que chega a 5,7 milhões de barris por dia. O incidente provocou uma redução de 5% na produção mundial de petróleo e teve como efeito principal a disparada no preço do barril de petróleo, que chegou a aumentar mais de 18% atingindo a maior alta em uma sessão desde a Guerra do Golfo, em 1991. Ainda assim, a Arábia conseguiu manter a oferta de petróleo aos seus clientes devido as suas imensas reservas.

O ataque acirrou a tensão no Oriente Médio, vez que os Estados Unidos, que apoiam os sauditas, insistem que o Irã, aliado do grupo rebelde, está por trás da ofensiva e estes negam veementemente ter alguma relação com o atentado às refinarias. Apesar da falta de provas do envolvimento do Irã no ataque, o presidente norte-americano Donald Trump ordenou que as sanções contra Teerã fossem substancialmente reforçadas. Existe um  confronto entre os EUA e o Irã por causa de seu acordo nuclear com as potências mundiais.

O reino da Arábia Saudita investiga o local exato do lançamento e considera ter apoio internacional para estudar opções diplomáticas, econômicas e até militares. E de acordo com um comunicado publicado pela emissora Almasirah TV, o Conselho Político dos Houthis disse "Preparações de larga escala estão em andamento para ataques irrestritos e poderosos, que serão suficientes para derrubar o agressor se esforços de paz e diálogo não trouxerem sucesso". O que desestabiliza qualquer tratativa de paz que poderia ocorrer.

Já no Brasil, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse em entrevista à TV Brasil que o ataque terrorista contra instalações petrolíferas na Arábia Saudita pode resultar em uma atração de investimentos para o Brasil, além de oportunidades em novos leilões de petróleo, pois o país oferece um ambiente mais seguro. “Dentro da crise internacional que estamos presenciando, do que aconteceu na Arábia Saudita, em um ataque terrorista, as condições para o investimento no Brasil se tornam muito mais favoráveis, não só em relação à produtividade dos nossos campos de petróleo, mas pela estabilidade que existe no país, além de um bom ambiente de negócios".

Este discurso se dá em meio a preparação brasileira ao leilão de cessão onerosa agendada para 06 de novembro. A cessão dá direito às empresas a exploração das áreas de Atapu, Sépia, Búzios e Itapu, na Bacia de Santos e pode render cerca de 107 bilhões de reais. 

Matheus Parreira Rocha, graduando de Relações Internacionais pela Universidade Federal de Goiás e assessor parlamentar na Assembleia Legislativa de Goiás

Fonte: Secom UFG

Categorias: colunistas