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Universidade Federal de Goiás
Gisele e Dayse

Desigualdade de gênero na ciência 

Criada em 17/10/19 14:08. Atualizada em 18/10/19 12:32.

Autoras analisam presença das mulheres em citações e também editorias de revistas científicas

Gisele Moreira dos Santos e Daisy Jorge*

Gisele e Dayse

As mulheres são maioria nos cursos de graduação e pós-graduação. No entanto, as desigualdades entre homens e mulheres ainda persistem no meio acadêmico. Essas desigualdades podem ser observadas quando são analisados diferentes aspectos, tais como a produção científica e o número de citações dos artigos científicos. Homens tendem a publicar duas vezes mais que mulheres. Consequentemente, os artigos escritos por homens são mais citados que aqueles escritos por mulheres. Esta disparidade pode ter efeitos nas carreiras das cientistas, já que o reconhecimento profissional na área acadêmica é medido pela produtividade científica.

Uma forma de reconhecimento na carreira consiste em participar de corpos editoriais de revistas científicas. Em geral, profissionais que ocupam estes cargos são considerados pioneiros em suas linhas de pesquisa e contribuem de forma expressiva para o avanço científico por meio de publicações. Diante da importância do tema, foi avaliado se há alguma evidência de viés de gênero na composição do corpo editorial de 20 revistas científicas de maior impacto na área de ecologia. Os resultados mostram que as revistas científicas possuem, em média, duas vezes mais homens do que mulheres em seu corpo editorial. Em apenas nove revistas, dentre as 20 analisadas, as mulheres são editoras-chefes.

Quando um pesquisador assume o cargo de editor-chefe, ele ganha notoriedade no meio científico, aumentando o interesse de grupos de cientistas na linha de pesquisa exercida pelo editor. Dessa forma, a escolha de um editor-chefe pode promover uma determinada linha de pesquisa. Portanto, quando um menor número de mulheres ocupam cargos em corpos editoriais, elas são privadas dos benefícios que esse cargo pode gerar.

Outro fator que pode ser relevante para essa desigualdade de gênero é que a seleção de cargos em periódicos é feita por processos pouco conhecidos, o que pode afetar a proporção entre homens e mulheres nos corpos editoriais. Uma maneira de tentar equalizar a proporção de editores de gêneros diferentes é aumentando a transparência nos processos de recrutamento de pessoal. Processos seletivos transparentes diminuem o viés de gênero ao minimizar a discriminação.

É pouco provável que nossos resultados sejam alterados se considerarmos a hipótese de que, quando comparadas aos homens, mulheres recusam com maior frequência os convites para participarem dos corpos editoriais de periódicos científicos de ecologia. Em geral, os resultados reforçam a ideia de que as revistas científicas devem aumentar a representatividade feminina no corpo editorial, além da transparência no recrutamento e seleção de novos membros.

Gisele Moreira dos Santos e Daisy Jorge são estudantes do programa de pós-graduação em Ecologia e Evolução da Universidade Federal de Goiás (Artigo originalmente publicado no Jornal O Popular em 8/10/2019

Fonte: Secom UFG

Categorias: artigo