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Universidade Federal de Goiás
Hospital Geral de Goiânia década de 60

Pesquisador da UFG analisa a história de Goiânia em livro poético de 1959

Criada em 23/10/19 09:07. Atualizada em 23/10/19 16:10.

Geógrafo estudou a obra Goiânia, Sonho e Argamassa: Poemas, de Jesus Barros Boquady 

Mariza Fernandes

A história da cidade de Goiânia, que comemora 86 anos nesta quinta-feira (24/10), foi escrita de diversas formas, e uma delas é a poesia. O livro Goiânia, Sonho e Argamassa: Poemas, de Jesus Barros Boquady, foi objeto de estudo do geógrafo Gabriel Elias durante seu mestrado em Geografia na Universidade Federal de Goiás (UFG).

Um pesquisador do campo geográfico estudando poesia pode parecer algo inusitado, mas Gabriel tem uma justificativa para tal escolha: “os poemas de Boquady relatam a formação espacial de Goiânia, em seu sentido mítico, histórico e social, na configuração das formas e funções da cidade, tendo nesse processo a estruturação de desigualdades e modos diferentes de habitar e narrar a nova capital do Estado de Goiás, naquele momento histórico”, afirma.

O poeta Jesus Barros Boquady nasceu no Ceará, em 1929, e mudou-se com a família para Goiás quando ainda era criança, na década de 1930, durante os primeiros anos da nova capital goiana. Formou-se bacharel em Direito em 1959 pela então Faculdade de Direito, que em 1960 foi incorporada à UFG. Concluído o curso, Boquady passou a frequentar o curso de Letras Modernas da Faculdade de Filosofia da UFG.

Foi também em 1959 que ele publicou Goiânia, Sonho e Argamassa: Poemas. Segundo Gabriel Elias, o período é marcado por uma série de transformações socioespaciais que marcam a obra do poeta. “Há a construção de Brasília e o estabelecimento do Distrito Federal no planalto goiano, há também a criação de novos setores, bairros e instituições, dentre elas as universidades”.

Hospital Geral de Goiânia década de 60
Hospital Geral do Estado, onde funcionou a Escola de Engenharia da UFG (Foto: Arquivo Cidarq UFG - foto da década de 1960)

 

O geógrafo destaca que a Goiânia descrita por Boquady é permeada por ideias que indicam a desigualdade social da época, quando começava a se formar uma periferia não planejada na cidade. “No período entre 1950 e 1958, surgiram novos bairros como Vila Santa Helena, João Vaz, Jaó, Setor Criméia Leste e Oeste, Santa Genoveva, Macambira, Abajá, Rodoviário, Negrão de Lima, Alto da Glória, entre outros, compostos basicamente por imigrantes que não encontraram áreas disponíveis na região central da cidade planejada”, explica Gabriel Elias.

O pesquisador conclui que Boquady conseguiu imprimir, em seus poemas, uma visão crítica sobre a Goiânia que se formava. “Ao considerar o livro como uma narrativa, é possível afirmar que ele é dotado de imagens que significam o discurso da construção ou desqualificam sutilmente o projeto realizado”, afirma. 

 

Fonte: Secom UFG

Categorias: Destaque Humanidades