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Universidade Federal de Goiás
Painel Econômico

PAINEL ECONÔMICO

Criada em 30/12/19 13:33.

Crescimento do comércio varejista goiano está abaixo do nacional

Boletim de Conjuntura Econômica de Goiás – No 116, dezembro de 2019


A economia brasileira parece dar sinais de recuperação nesse ano. Embora ainda esteja bem abaixo dos resultados registrados em 2014, o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 0,6% no terceiro trimestre/2019. A agropecuária registrou a maior elevação, de 1,3%, sendo seguida pela indústria, que avançou 0,8%. Embora tenha crescido apenas 0,4%, o setor de serviços foi o que, de fato, puxou o crescimento do PIB, uma vez que possui o maior peso dentre os setores da economia doméstica (74,0%).
O último trimestre do ano, iniciado em outubro, também começou com resultados positivos. Os dados do IBGE mostram que as vendas do comércio varejista brasileiro cresceram em menor ritmo do que nos meses anteriores, mas o aumento de 0,1% para o mês de outubro/2019 deu sequência a cinco outros resultados positivos, registrados nos meses anteriores. A produção industrial do país cresceu 0,8%, com a terceira elevação em sequência. Por seu turno, o volume de serviços apresentou a segunda alta seguida, crescendo no mesmo ritmo da indústria (0,8%).
Tal qual ocorre no caso do Brasil, os dados sugerem que a economia goiana está melhorando sua performance neste ano. O setor de serviços do estado cresceu 0,9% em outubro/2019, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, após ter apresentado 11 quedas consecutivas nesta mesma base de comparação. No tocante à indústria, dos 15 locais pesquisados pelo IBGE, Goiás apresentou o maior crescimento em outubro/2019 (4,0%), na comparação com setembro/2019. O comércio varejista, por sua vez, também cresceu no mês, tanto na comparação com setembro/2019 (0,4%), quanto em relação a outubro/2018 (3,0%).

A despeito dos resultados recentes, a economia goiana tem apresentado dinamismo abaixo da brasileira em 2019. O comércio varejista brasileiro apresenta alta de 1,6%, ao passo que o goiano avança apenas 0,5%. O setor de serviços, o mais representativo para a economia do estado, cai 2,5% no ano, contrastando com o avanço de 0,8% do Brasil. A indústria goiana é a única que está girando acima da média nacional em 2019, crescendo 2,8%, enquanto a brasileira cai 1,1%.
O mercado de trabalho tem se recuperado, mas muito lentamente, tendo se notabilizado no período recente pelo crescente aumento da informalidade. No Brasil, considerando-se os trabalhadores sem carteira assinada e aqueles que trabalham por conta própria, a informalidade da mão de obra chega a 40,0% do total das pessoas ocupadas. Uma das ocupações mais emblemáticas desse cenário é a da população que trabalha com veículos, como motoristas de aplicativo, taxistas e trocadores de ônibus, que, de acordo com informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, aumentou 29,2% em 2018, na comparação com 2017, envolvendo 3,6 milhões de pessoas.
Com o aumento da informalidade, reduz-se o poder de barganha dos trabalhadores no mercado de trabalho. O Brasil possuía cerca de 92,3 milhões de pessoas ocupadas em 2018 e, dessas, apenas 11,5 milhões estavam associadas a sindicatos. Esses números perfazem uma taxa de sindicalização da mão de obra no Brasil de 12,5%, que é a menor desde 2012, quando era 16,1%. Fica mais difícil para os trabalhadores, portanto, obter reajustes reais dos salários e/ou aumento (ou mesmo manutenção) de benefícios. E é justamente o setor de Transporte, armazenagem e correio que apresentou a maior perda em termos do número de trabalhadores sindicalizados. Sua taxa de sindicalização saiu de 17,5%, em 2017, para 13,5%, em 2018. 

Em Goiás, os dados da PNAD Contínua dão conta de que, ainda que a taxa de desocupação do estado seja menor do que a do Brasil, a mesma aumentou de 10,5% para 10,8% na passagem do segundo trimestre para o terceiro trimestre desse ano, enquanto que a nacional caiu de 12,0% para 11,8% no mesmo período. Com isso, a informalidade da mão de obra goiana está em torno de 41,0%, acima da média nacional. 

Não se sabe ao certo se as atuais características do mercado de trabalho, sobretudo o aumento da informalidade, se referem a mudanças estruturais, que vieram para ficar, ou se são mesmo resultado do fraco desempenho da economia. Para dirimir essas dúvidas, a economia precisa crescer mais do que no ritmo observado desde 2014. Para 2020, as expectativas atuais apontam para um crescimento econômico de cerca de 2,0%. Resta saber se, caso aconteça, essa melhora na economia gerará alterações consistentes nas condições do mercado de trabalho, o que até agora não aconteceu. 

Boletim de Conjuntura Econômica de Goiás – N. 116/dezembro de 2019. Equipe Responsável: Prof. Dr. Edson Roberto Vieira, Prof. Dr. Antônio Marcos de Queiroz e o bolsista Matheus Vicente do Carmo

Fonte: Secom/UFG

Categorias: colunistas