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Universidade Federal de Goiás
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É preciso pensar o confronto político mediado pelo diálogo

Criada em 19/06/20 11:51. Atualizada em 19/06/20 12:13.

Pedro Meira, docente da Princeton University, discutiu o conceito de Brega e suas aplicações na política

Caroline Pires

O professor Pedro Meira Monteiro, da Universidade de Princeton (EUA), participou nesta semana (16/6) de palestra promovida pelo Grupo de Pesquisa Mutamba - Patrimônio, Políticas Públicas, Tecnologia e Sociedade, da Regional Goiás. O encontro online permitiu a interação de pesquisadores de todo o País que compõem o grupo para fomentar discussões sobre o sujeito e a sua sobrevivência na política e sociedade como um todo. 

Durante a abertura, os professores da UFG Rodrigo Bombonati e Andrea Costa destacaram a importância de momentos de discussão como este, mesmo em tempos de pandemia. Este foi o segundo encontro promovido pelo Mutamba este ano e a expectativa é a realização de outros debates ao longo de 2020. 

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"Arte de brega seria uma alternativa à lógica do príncipe de Maquiavel"

O professor iniciou a sua fala perguntando aos participantes como o sujeito pode se colocar a atuar em sua condição subjetiva diante da sociedade. Para ilustrar, ele lembrou a recente situação vivida nos Estados Unidos desencadeada a partir do assassinado de George Floyd por um policial branco. "Minha intenção é convidar vocês a pensar esse polo de política voltado para o confronto mediado por um diálogo. Vamos pensar o conceito com um confronto político que não tem a ver necessariamente com o enfrentamento frontal", convidou o professor. Para ele é preciso pensar os sujeitos políticos que vivem antes dos atos épicos. "Pensar isso nos demanda repovoar essa galeria com heróis que não são propriamente os mais lembrados ou reconhecidos", considerou. 

Em seguida, o professor passou a explicar o conceito do brega, objeto de sua pesquisa e de outros pesquisadores. "Quem sabe brega maneja algo de sabedoria, seja no mundo de coisas, pessoas ou linguagem. Quando pensamos na política temos uma indefinição profunda da aplicação do brega. Quem brega escolhe navegar no mar revolto das relações sociais assimétricas", defendeu. O professor passa então a discutir a maneira como esse conceito pode ser entendido pela lente política. "No plano teórico, a arte de brega seria uma alternativa à lógica do príncipe de Maquiavel. Isto porque ela pressupõe que quando a virtude é pouca o melhor é ser criativo", explicou.  Em seguida os participantes puderam realizar um debate sobre o tema e as suas aplicações e interpretações. 

Ação da UFG na pandemia

A vice-reitora da UFG, Sandramara Matias Chaves, participou da abertura do evento e destacou o desafio que tem sido nesse momento dificil para o Brasil enfrentar a pandemia e ao mesmo tempo desorientação política. "Mesmo nesse contexto conturbado a UFG está hoje com quase 1000 projetos atuando para o enfrentamento da Covid-19. Vemos o quanto a ciência e a pesquisa tem ocupado um papel extremamente fundamental nesse momento", destacou. Segundo ela, no contexto o papel atual das universidades públicas tem se tornado cada vez mais fundamental. 

Pedro Meira

Pedro Meira Monteiro é professor titular de literatura e cultura brasileira na Princeton University. Diretor do Departamento de Espanhol e Português, é filiado ao Programa de Estudos Latino-americanos e ao Brazil LAB-PIIRS. É colaborador de revistas como a piauí, distribuída pelo Grupo Abril e a serrote, do Instituto Moreira Salles (IMS); é também autor, entre outros, de Signo e desterro: Sérgio Buarque de Holanda e o Brasil (Hucitec, 2015) e Conta-gotas: máximas e reflexões (E-galáxia, 2016). Em 2020, a editora Relicário lança A queda do aventureiro: aventura, cordialidade e os novos tempos em Raízes do Brasil (segunda edição, revista e ampliada) e Nós somos muitas: ensaios sobre crise, cultura e esperança, em parceria com Rogério Barbosa, Flora Thomson-DeVeaux e Arto Lindsay.

Grupo de pesquisa Mutamba

O Mutamba vem se fortalecendo como grupo de pesquisa com a participação ativa de seus membros, intercambiando informações, aprimorando as pesquisas dos membros do grupo e envolvendo a comunidade acadêmica e externa nos eventos do grupo. Para tanto, em todas as reuniões ordinárias do grupo há um seminário, apresentado por um membro efetivo do grupo, com posterior discussão da pesquisa e proposição de sugestões e reflexões acerca do que foi apresentado. Espera-se contribuir para a institucionalização da pesquisa na Regional Goiás da UFG, não apenas de modo individual, tendo em vista as pesquisas de cada docente, mas também coletivamente.  

 

Fonte: Secom/UFG

Categorias: Humanidades