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Universidade Federal de Goiás
calha chuva capa

UFG estuda reaproveitamento da água da chuva

Em 04/09/20 09:49. Atualizada em 08/09/20 10:28.

Pesquisas analisam viabilidade econômica desses sistemas e adoção por meio de políticas públicas

Kharen Stecca

Diante das dificuldades de grandes cidades com os baixos níveis nos reservatórios de água em períodos de seca e grandes enchentes nos períodos chuvosos, estudos sobre aproveitamento de água pluvial podem ser grandes aliados de políticas públicas na área de recursos hídricos. A Escola de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Federal de Goiás (EECA/UFG) tem realizado pesquisas para avaliar a viabilidade econômica dos sistemas de aproveitamento de água pluvial residencial existentes no mercado, com o objetivo de perceber a viabilidade econômica destes mecanismos em habitações com os mais diversos padrões, desde casas construídas em programas sociais como em condomínios horizontais de Goiânia.

Segundo o professor Marcus André Siqueira Campos, responsável pela coordenação desses estudos, existem poucas pesquisas de avaliação destes sistemas. “A avaliação envolve diversos fatores que vão além do custo-benefício do equipamento, que nem sempre será bom se considerarmos apenas o valor gasto com o pagamento de água tratada e o valor economizado com o sistema, mas passa também pela avaliação da diminuição da vazão de água pluvial nas ruas e até mesmo mudança no ritmo em que ela é dispensada na rede pluvial ou a diminuição da quantidade de água tratada utilizada nas residências”, explica o professor. Isso mostra que esses sistemas têm que ser pensados como políticas públicas para o setor.

O método proposto nessas pesquisas é relativamente simples: calhas coletam a água que escorre do telhado, passam por um sistema mecânico que, primeiramente, dispensa a água de lavagem das calhas e, em seguida, começa a encher um reservatório que está apoiado ao lado da residência ou então enterrado no chão. A partir daí a água é bombeada para um reservatório alto de onde pode ser canalizada para usos como irrigação de jardins e sanitários. Esses sistemas podem ser individuais atendendo ou coletivos.

 

reaproveitamento água infográfico

Uma das pesquisas realizadas na EECA fez uma simulação de implementação de equipamentos individuais de aproveitamento de água de chuva no Setor Parque Atheneu. O bairro foi escolhido por ser majoritariamente de residências unifamiliares em que 80% dos lotes das casas têm área menor do que 300 metros quadrados. Neste caso a pesquisa optou por avaliar o impacto de reservatórios de mil , 5 mil e 10 mil litros. Foram avaliadas os usos de água que poderiam ser substituídos pela água coletada pelo sistema e o tamanho ótimo do reservatório. Uma das constatações é que em reservatórios maiores (10 metros cúbicos) a economia pode chegar a até 80 metros cúbicos por ano, já que consegue inclusive abastecer a casa em períodos de estiagem. 

No entanto, a maior parte das casas têm quintais pequenos, o que inviabilizaria a adoção de grandes reservatórios. Outra frente de estudos mostrou que em casas com terrenos e quintais maiores, que é o caso dos condomínios horizontais, onde são feitos usos mais abrangentes para a água de reaproveitamento, como irrigação de jardins e lavagem de áreas externas, o sistema torna-se mais viável. 

Habitações sociais - Outra pesquisa realizada avaliou a implementação de um sistema de aproveitamento de água das chuvas em uma quadra de casas de habitação social. Em um lote vago foi proposto instalar um equipamento coletivo - mais econômico que o individual - de aproveitamento da água das chuvas. O estudo mostrou que a proposta seria viável caso o setor público adotasse esse tipo de sistema como política pública, responsabilizando-se pela instalação e manutenção do projeto. “O custo do equipamento é alto e a diminuição nos gastos com água tratada nem sempre é significativa em residências menores, mas precisamos considerar o impacto na rede pluvial que deixa de receber uma grande quantidade de água e também a economia de água tratada no conjunto”, avalia. 

Monitoramento do uso - Outro estudo monitorou todos as saídas de água de uma residência ao longo de 10 meses para avaliar o perfil de uso da água na residência. O professor explica que é importante entender esses perfis para pensar dispositivos que sejam capazes de economizar água. Na casa acompanhada, por exemplo, os maiores usos eram na máquina de lavar, torneira da cozinha e bacia sanitária. Ele explica que atitudes simples como ter um equipamento mais eficiente ou simplesmente adotar hábitos mais econômicos como lavar a roupa só quando a quantidade atingir a capacidade máxima da máquina de lavar podem fazer toda a diferença na quantidade de água consumida. 





Fonte: Secom UFG

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