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Universidade Federal de Goiás
Doação de órgão (foto: Anain Calixto)

Pesquisa da UFG mostra que profissionais de Saúde desconhecem sobre doação de órgãos

Em 06/04/21 10:11. Atualizada em 06/04/21 10:31.

Foram poucos os profissionais da cidade de Itumbiara que também demonstraram intenção em doar

Bárbara Ferreira

A falta de conhecimento acerca da morte gera temor. E a aversão é refletida na doação de órgãos, também marcada pela desinformação e medo. O tema, apesar de presente no cotidiano atual, é pouco compreendido inclusive por profissionais da área de saúde. Foi essa a conclusão da pesquisa realizada pela Faculdade de Enfermagem (FE) da UFG. A pesquisadora e enfermeira, Anaian Calixto, mediu o conhecimento de 250 profissionais e trabalhadores da Saúde, entre julho de 2018 e janeiro de 2019.

 Anain Calixto
Pesquisadora Anaian Calixto (centro), ladeada por profissionais de Sáude do Hospital Municipal de Itumbiara

Os dados foram coletados por meio de um questionário aplicado em dois hospitais da cidade de Itumbiara, um municipal e outro privado. A pesquisa, orientada pela professora Regina Aparecida dos Santos Soares Barreto, aponta que metade dos profissionais e trabalhadores da Saúde entrevistados demonstraram não possuir conhecimento sobre o processo de doação e transplante de órgãos, mesmo todos sendo formados em cursos técnicos na área. Além disso, poucos profissionais demonstraram intenção em doar. 

A legislação vigente é rigorosa, de acordo com a pesquisadora, ela não deixa brechas ou espaço para o tráfico de órgãos, por exemplo. Portanto, as dúvidas e preconceitos não deveriam ser tantos e tão enraizados. Dessa maneira, acredita-se que para compor uma boa equipe é necessário mais que profissionais capacitados e treinados, mas também, que acreditam e confiam no processo de doação e transplante.

Segundo a pesquisadora, fica evidente a necessidade de conscientização combinada com a implementação de programas educacionais entre os profissionais de Saúde. O Brasil é o único país no mundo em que a doação de órgãos é gratuita, no caso, financiada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a partir de um processo rígido, conceituado e, principalmente, ético.

Conscientização e formação

A doação e transplante de órgãos ainda não faz parte do currículo nas faculdades, o que justifica parte desse limbo de desconhecimento, uma vez que o profissional da Saúde é a referência para o restante da população. “Se o profissional tem conhecimento e confia no processo de doação e transplantes, vai contribuir de forma positiva para a credibilidade, ética e comprometimento do mesmo. Caso contrário, se ele demonstra não confiar e desacredita, isso passa não credibilidade para o restante da população”, afirma Anaian Calixto.

O processo de doação de órgãos é dividido em etapas: a entrevista com a família, a captação do órgão, então a logística e, por fim, a recepção, a implantação no receptor. Um só doador pode ajudar até 10 pessoas com diferentes órgãos como coração, rins, pulmões, fígado, intestinos, pâncreas, ossos, córneas e pele. 

Fonte: Secom-UFG

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