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Universidade Federal de Goiás
Acessibilidade

Acadêmicos mapeiam dificuldades de acesso aos serviços de saúde por pessoas com deficiência

Em 23/11/21 09:00. Atualizada em 23/11/21 09:00.

Segundo o estudo, saúde brasileira enfrenta barreiras arquitetônicas, comunicacionais e atitudinais que dificultam acessibilidade

Nicolly Nathalia*

Os acadêmicos Guilherme Henrique e Jackeline Alves fizeram uma revisão bibliográfica para identificar as principais dificuldades de acesso aos serviços de saúde no Brasil enfrentadas pelas pessoas com deficiências (PcDs) físicas, auditivas e visuais. O estudo identificou, entre as principais barreiras, as arquitetônicas, atitudinais e comunicacionais, sendo que essa última barreira foi encontrada na totalidade das publicações científicas analisadas referentes às deficiências auditivas e visuais. O levantamento também apontou a falta de pesquisas científicas específicas da área.

Pessoas com deficiência têm direito ao trabalho, educação, lazer e principalmente à saúde, segundo o Estatuto da Pessoa com Deficiência. O poder público tem o dever de garantir o acesso aos hospitais e outros estabelecimentos, públicos ou privados, e também ao tratamento domiciliar na impossibilidade de locomoção. Apesar disso, o estudo realizado pelos acadêmicos de Farmácia, para a conclusão do curso, mostra que cotidianamente as pessoas com deficiência enfrentam barreiras, como o preconceito, a falta de profissionais qualificados, falta de lugares adaptados, falta de investimento e infraestrutura, entre outros.

O estudo realizou uma revisão sistemática da literatura, analisou base de dados eletrônicos e mapeou os estudos publicados sobre o objeto de estudo. Foram selecionadas para a análise 35 pesquisas que tinham entre seus objetivos identificar as  dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência física, auditiva e visual no Brasil quanto ao acesso ao serviço de saúde e que foram realizadas entre 2009 e 2019. Segundo os acadêmicos Guilherme Henrique e Jackeline Alves,  os estudos mostram que as principais dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência são as barreiras arquitetônicas, as barreiras comunicacionais e as barreiras atitudinais. As dificuldades, segundo eles, estão diretamente relacionadas com a necessidade de se pensar em  maneiras para a retirada dos obstáculos referentes à mobilidade nos serviços de saúde, garantindo o cumprimento das legislações e normas vigentes a respeito das condições adequadas de acessibilidade.

As barreiras arquitetônicas estão ligadas às estruturas físicas, como escadas, vias públicas íngremes, corredores estreitos, entre outros. Essa barreira é uma das maiores dificuldades para a acessibilidade nos diferentes âmbitos de Saúde enfrentadas pelos PcD’s, sendo identificada em 80% dos estudos relacionados às pessoas com deficiência física, em 16,67% dos estudos sobre as dificuldades do deficiente auditivo e em 66,67% nos estudos relacionadas às pessoas com deficiência visual. 

As barreiras comunicacionais foram as que mais surpreenderam a hoje farmacêutica Jackeline Alves, pois foram encontradas em 100% dos estudos referentes às dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência auditiva e visual. Um sistema sem comunicação impossibilita completamente o acesso de pessoas com deficiência, pois a compreensão e informação é necessária para acompanhar cada caso, destaca Jackeline. 

Já as barreiras atitudinais estão relacionadas à mobilidade do deslocamento e, especialmente, à possibilidade de atingir as proporções psicológicas dessas pessoas. São caracterizadas por atitudes que impedem o pleno acesso aos espaços e atividades pelas pessoas com deficiência. Conforme explica Jackeline Alves, existem comportamentos que podem oprimir, desencorajar, restringir ações e permanências nos espaços.

O estudo conclui sobre  a necessidade de aplicação de investimento para implementação de meios de comunicação e treinamento pessoal quanto à comunicação e relação interpessoal profissional-paciente para as demandas específicas, principalmente quando se trata das pessoas com deficiência. Conforme destaca a farmacêutica, os profissionais de saúde não possuem em suas formações treinamentos ou aulas específicas de libras e braile para se tornarem profissionais mais capacitados.

De acordo com Jackeline e Guilherme, é reconhecida a necessidade de contornar as dificuldades e pensar em mecanismos para melhorar a mobilidade nos serviços de saúde, garantindo o cumprimento da lei, e uma das maneiras de melhoria é por meio da ampliação da divulgação de ações que incluam os deficientes no cotidiano. O estudo ainda traz a escassez de pesquisas que apresentam a temática abordada no Brasil, principalmente quando relacionadas às pessoas com deficiências visuais. Destaca ainda a baixa abrangência de pesquisas em todas as regiões do país, uma vez que 51,43% dos estudos foram realizados na região Nordeste, 34,28% na região Sudeste, 11,43% na região Sul e 2,86% no Brasil como um todo. Não foram identificadas nenhuma pesquisa nas regiões Norte e Centro-Oeste.

*Nicolly Nathalia estagiária de Jornalismo sob supervisão de Carolina Melo e orientação de Silvana Coleta


Fonte: Secom-UFG

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