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Universidade Federal de Goiás
Seminário Cátedra Sérgio Vieira

Seminário das Cátedras Sérgio Vieira de Mello discute inclusão de refugiados no Brasil

Em 03/10/22 10:47. Atualizada em 03/10/22 10:47.

Evento organizado pela UFG ocorreu de 28 a 30 de setembro com transmissão online

Eduardo Borges

Seminário Cátedra Sérgio Vieira
Mesa de abertura do seminário contou com a participação da reitora da UFG e autoridades públicas (Fotos: Reprodução Youtube UFG Oficial)

A Universidade Federal de Goiás (UFG) promoveu o XIII Seminário Nacional das Cátedras Sérgio Vieira de Mello, evento que pode ser conferido de forma online e gratuita por meio do canal UFG Oficial no Youtube. A solenidade de abertura ocorreu na noite de quarta-feira (28/9) e contou com a mediação do coordenador-geral da Cátedra, professor João Roriz. Na edição deste ano, o seminário teve como tema central “Esse muro entre nós, racismo e xenofobia no contexto de refúgio”.

As ações da Cátedra se configuram como importantes meios da promoção de ensino, pesquisa e extensão universitária para pessoas refugiadas. O nome Sérgio Vieira de Mello foi escolhido para homenagear o filósofo e diplomata brasileiro que por mais de três décadas trabalhou na Organização das Nações Unidas (ONU) na promoção dos Direitos Humanos. O seminário anual tem como objetivo estimular as discussões referentes aos temas que envolvam esses indivíduos, os desafios enfrentados e formas de combate ao racismo e à xenofobia. A reitora da UFG, Angelita Pereira de Lima, fez o discurso de abertura do evento, destacando que ações deste tipo são essenciais para a qualidade de vida de pessoas refugiadas.

“É uma responsabilidade muito grande para a UFG carregar o nome da Cátedra Sérgio Vieira de Mello porque temos o compromisso com sua biografia, mas também o compromisso com toda a luta necessária ainda a ser desempenhada em defesa destes indivíduos. No estado de Goiás há hoje 15 mil refugiados e em sua maioria são do Haiti, Senegal e da comunidade warao na Venezuela. Sabemos que as políticas públicas e as instituições são fundamentais para que os refugiados alcancem cidadania, dignidade e condições de vida, sendo esta a nossa tarefa. Sediar esse seminário é um fortalecimento daquilo que já estamos implementando“, afirma a reitora.

Angelita também destacou projetos da UFG relacionados a refugiados, sendo eles uma ação em parceria com a associação dos arquitetos de Goiás, com a criação de residências e a aprovação de uma resolução que garante uma vaga extra para refugiados nos cursos de pós-graduação da UFG. A reitora defende que essas ações são políticas de acolhimento, mas também contribuem para a internacionalização da universidade. 

Parcerias

O pró-reitor de Pós-Graduação, Felipe Terra, relatou que o coordenador-geral da Cátedra Sérgio Vieira de Mello, professor João Roriz, o contactou logo no início de sua gestão com a proposta de tornar a UFG protagonista na ação de reserva de vagas no âmbito da pós-graduação. A portaria foi aprovada com muito apoio e já está em execução para todos os programas que manifestarem interesse.

“Um dos marcos da UFG é ser protagonista em políticas de inclusão. Atender os refugiados, quebrar muros e cumprir a missão da Constituição Federal de proporcionar oportunidades de educação independente de gênero, raça, orientação sexual é extremamente estratégico e a Cátedra Sérgio Vieira de Mello faz isso com muito louvor”, afirmou Felipe Terra.

Em sua fala, o representante adjunto do Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), professor Federico Martinez, destacou conquistas e oportunidades no Brasil referentes ao tema. Para o professor, a Operação Acolhida se configura como uma das principais ações no combate à violência contra refugiados, pois conta com reconhecimento global, atuando com o fornecimento de documentação, apoio e integração desses indivíduos.  

“A Cátedra tem hoje 35 universidades participantes, o maior número na história desses 20 anos. Esse seminário ocorre em um momento com enormes desafios para a proteção internacional de refugiados, pois em 2022 chegamos ao número de mais de 100 milhões de pessoas que têm se deslocado forçosamente por conta de perseguições, conflitos e violações de direitos humanos”, relatou Federico Martinez.

Também esteve presente no evento a embaixadora do Haiti no Brasil, Rachel Coupaud, que destacou que o seminário é uma oportunidade de mostrar o trabalho realizado pelas instituições parceiras. Já o vice-procurador chefe do Ministério Público do Trabalho em Goiás, Marcello Ribeiro, parabenizou a organização do evento pelo tema escolhido, pois aponta uma realidade que deve ser combatida em todas as esferas da sociedade, que se liga também às questões trabalhistas.

“Racismo, xenofobia e preconceito são muros que separam e não nos permitem alcançar um bem maior. Sabemos que refugiados são alvo de discriminação, inclusive nas relações trabalhistas. Aí entra o Ministério do Trabalho, com o papel de lutar contra todas as formas de preconceito. Nos sentimos honrados por termos sido convidados a participar deste seminário e estamos à disposição para ajudar no que for possível para que todas as pessoas tenham um ambiente de trabalho seguro”, afirmou Marcello Ribeiro.

Resultados

Ao fim da mesa de abertura do XIII Seminário Nacional das Cátedras Sérgio Vieira de Mello, os representantes do ACNUR, André de Lima Madureira e William Torres Laureano, fizeram a leitura pública dos resultados do relatório anual. Inicialmente, foram apresentados dados sobre o crescimento da Cátedra, que no último ano contou com mais sete universidades ingressantes, além de informações sobre disciplinas ofertadas. 

“No eixo do ensino, mais de 200 disciplinas relacionadas com o tema da proteção a refugiados foram ofertadas por essas 35 universidades: 126 na graduação e 74 na pós-graduação. Todas as universidades que fazem parte da Cátedra Sérgio Vieira de Mello oferecem pelo menos uma disciplina nos mais diversos cursos e áreas como Antropologia, Comunicação, Geografia, História, Ciências Agrárias e Sociais, entre outras. Mais de três mil e quinhentos estudantes foram alcançados com essas disciplinas ofertadas no último ano”, comenta André de Lima.

Cátedra Sérgio Vieira de Melo
Representante do ACNUR, André de Lima, apresentou informações sobre o progresso das ações da Cátedra

André ressaltou que as universidades da Cátedra trabalham sabendo que o ingresso de refugiados é apenas o primeiro passo, pois a permanência também é um desafio. Dessa forma, há inúmeros programas de incentivo para que esses indivíduos permaneçam estudando. No último ano, 25 universidades implementaram projetos deste tipo, com bolsas de estudo, vale transporte, além de auxílio moradia e alimentação. 

“No âmbito da pesquisa, verificamos que nesse último ano, 22 universidades têm grupos específicos sobre a temática do refúgio. Ao todo são 50 grupos, que trabalham desde Arquitetura e Urbanismo até Direito e Relações Internacionais. São 955 pessoas pesquisando o tema entre graduandos, mestrandos e doutores. Estamos falando de um universo de quase mil pesquisadores pelo Brasil vinculados à Cátedra, produzindo conhecimento nesse campo da proteção”, analisa William Torres.

Também ocorreram no último ano, ações de extensão universitária e participações em eventos, sendo oferecidos seminários, cursos de Língua Portuguesa, apoio para ingresso no mercado de trabalho, workshops, promoção de lançamentos de livros, entre outros. Todas iniciativas relacionadas à temática da integração de refugiados. O ACNUR avalia que os resultados obtidos são promissores e evidenciam que a promoção de discussões sobre inclusão de refugiados no Brasil é uma pauta recorrente e que vai gerar bons frutos.



Fonte: Secom UFG

Categorias: Institucional