UFG amplia cooperação com a China em saúde e agricultura familiar
Missão acadêmica fortalece parcerias em projetos de cirurgia robótica e mecanização agrícola
Da Redação
Em mais uma missão acadêmica à China, a Universidade Federal de Goiás (UFG) atuou para ampliar a cooperação internacional em áreas estratégicas para o desenvolvimento social, científico e tecnológico. A iniciativa teve como prioridades o fortalecimento de parcerias voltadas à mecanização da agricultura familiar e a abertura de uma nova frente de cooperação na área da saúde, especialmente no campo da cirurgia robótica com aplicação no Sistema Único de Saúde (SUS). A agenda institucional incluiu compromissos em Xangai e Pequim e foi desenvolvida ao longo do mês de outubro de 2025, entre os dias 13 e 18.
A delegação foi liderada pela reitora Angelita Pereira de Lima e contou com a participação da secretária de Relações Internacionais, Rejane Ribeiro-Rotta, do professor Sigeo Kitatani (Escola de Engenharia Mecânica e Computação), da professora Fátima Mrue (Faculdade de Medicina) e do economista da UFG Vinícius Marques. A equipe visitou representações diplomáticas brasileiras, empresas de tecnologia médica e a Chinese Agricultural University (CAU).
A missão teve início em Xangai, com visita ao Consulado-Geral do Brasil, onde a delegação apresentou a expertise da UFG e discutiu possibilidades de financiamento e cooperação para dois projetos estruturantes de desenvolvimento social.
O primeiro prevê a criação de um centro de cirurgia robótica na UFG, com foco no SUS. A proposta combina atendimento à população com formação e capacitação de profissionais de saúde, contribuindo para a interiorização de serviços de alta complexidade no Brasil.
O segundo projeto busca expandir as ações do Centro de Inovação Social para o Brasil Central (CIBS-BC), transformando-o em um escritório de consultoria técnica para viabilizar joint ventures entre empresas chinesas e brasileiras, com foco na tropicalização e produção local de máquinas voltadas à agricultura familiar.
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Durante os encontros, a UFG destacou o papel estratégico da diplomacia brasileira como ponte entre diferentes realidades de desenvolvimento e reforçou a convergência dessa atuação com a missão institucional da universidade, pautada pela inclusão social, pelo compromisso público e pela transformação do conhecimento científico em impacto social concreto.
A equipe do consulado também apresentou oportunidades de intercâmbio acadêmico na área da saúde e sugeriu a aproximação com universidades chinesas que operam smart hospitals, modelo considerado estratégico para a implantação do centro de cirurgia robótica na UFG. Outro ponto da agenda foi a orientação para a captação de recursos junto ao Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), ligado aos países do Brics.
Em Pequim, a delegação participou de reunião na Embaixada do Brasil, ao lado de representantes da Universidade de Brasília (UnB) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), quando a reitora Angelita Pereira de Lima apresentou a UFG, entregou o catálogo institucional e reforçou a importância da diplomacia na construção de parcerias estratégicas para a educação superior brasileira.
Cirurgia robótica
Um dos eixos centrais da missão foi o avanço das tratativas para a implantação do primeiro centro público de cirurgia robótica do Centro-Oeste, sediado na UFG. Atualmente, apenas 6% das plataformas de cirurgia robótica do país estão disponíveis no SUS, concentradas nas regiões Sul e Sudeste, deixando o Centro-Oeste e o Norte sem acesso a essa tecnologia.
A delegação visitou duas empresas chinesas de robôs cirúrgicos que tiveram recentemente seus registros aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): a MicroPort Scientific, em Xangai, e a Edge Medical, em Pequim. As visitas incluíram demonstrações em showrooms, centros de simulação e a realização de práticas simuladas, além de reuniões técnicas para discutir parcerias em pesquisa, formação e viabilização da aquisição das plataformas.
Como parte da agenda, as professoras Fátima Mrue e Rejane Ribeiro-Rotta visitaram o Third Hospital da Universidade de Pequim, onde acompanharam uma cirurgia robótica ao vivo e discutiram possibilidades de mobilidade acadêmica e cooperação científica entre a instituição chinesa e a Faculdade de Medicina da UFG. As tratativas para formalização dessa parceria seguem em andamento.
Agricultura
A cooperação entre a UFG e a Chinese Agricultural University (CAU) também avançou. Após visitas recíprocas em 2024, as instituições assinaram um acordo de cooperação em junho de 2025, durante reunião de reitores chineses e brasileiros na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Esse movimento resultou no convite para que a reitora da UFG participasse da World Agricultural University Presidents' Conference, o que impulsionou a nova missão acadêmica à China.
Além do evento internacional, a delegação da UFG participou das celebrações dos 120 anos da CAU e da Belt and Road Conference (Nova Rota da Seda), ocasiões em que a reitora apresentou as principais iniciativas da UFG voltadas à agricultura familiar, ao combate à fome e à sustentabilidade, destacando a parceria entre as duas universidades.
Em reunião com a Escola de Engenharia da CAU, foram definidas as ações iniciais do acordo de cooperação, incluindo o desenvolvimento de protótipos para agricultura familiar, programas de mobilidade acadêmica, cursos de verão para graduação, cotutela em nível de pós-graduação, disciplinas colaborativas virtuais e estudos para implantação de dupla diplomação. A CAU também disponibilizou bolsas integrais de mestrado e doutorado para estudantes da UFG.
De acordo com a titular da SRI, Rejane Ribeiro-Rotta, o balanço da missão é considerado altamente positivo pela gestão da universidade. "O saldo positivo de mais um investimento estratégico traz o entusiasmo para a comunidade acadêmica da UFG de que é por meio da união de nossos conhecimentos e esforços que contribuiremos significativamente para o avanço a um futuro mais sustentável e próspero para nossas sociedades, e que democratizar o acesso à tecnologia médica é promover justiça social na saúde", destaca.
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Fonte: Secom UFG
Categorias: Relações Internacionais Institucional SRI Notícia 2






