Pesquisa aborda desafios do esporte paralímpico no Centro-Oeste
Comitê atende quase mil alunos na região, mas ainda há problemas de acessibilidade, falta de equipes e baixa visibilidade entre pessoas com deficiência
Comitê no Estado de Goiás atende aproximadamente mil alunos, mas ainda há problemas que precisam ser sanados para que o esporte tenha maior reconhecimento na região (Imagem:SEEL Goiás/Agência Cora Coralina de Notícias)
Thiago Borges
Uma pesquisa desenvolvida na Faculdade de Educação Física e Dança da Universidade Federal de Goiás (FEFD-UFG) estudou o projeto do Centro de Referência Paralímpico Brasileiro (CRPB) e destacou que ele enfrenta questões estruturais que limitam seu potencial de inclusão no Centro-Oeste. Entre os principais desafios identificados estão a falta de acessibilidade adequada nas instalações e a escassez de equipes multidisciplinares. De acordo com a dissertação de Glauber Henrique de Almeida Souza, essas lacunas resultam na sobrecarga dos docentes e restringem o número de alunos atendidos.
Apesar desses desafios, o projeto, instituído pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) em 2019, apresenta números expressivos de crescimento. Atualmente, a iniciativa já atende 952 alunos e atletas em 14 modalidades esportivas na região Centro-Oeste. Nacionalmente, a estratégia de descentralização alcançou a marca de 9.240 beneficiários em 2024, focando primordialmente na massificação e na iniciação esportiva em modalidades como natação, atletismo, bocha e parabadminton. O objetivo central, segundo o pesquisador, é levar o esporte a cidades do interior e captar talentos para o alto rendimento, embora o CPB considere o alto rendimento como o “produto final”.

Resultados do Brasil em Jogos Paralímpicos de 1972 até 2024 (Imagem: Comitê Paralímpico Brasileiro 2024)
Falta de Acessibilidade
Contudo, o crescimento acelerado não veio sem desafios significativos. A dissertação destaca a persistência de lacunas estruturais que limitam a inclusão plena. Uma das maiores queixas é a falta de acessibilidade adequada nas instalações de treino, especialmente em piscinas, onde a ausência de rampas e elevadores exige que os professores precisem carregar os alunos cadeirantes, gerando desconforto e insegurança. Soma-se a isso a carência de equipes multidisciplinares completas, pois nem todos os Centros possuem profissionais essenciais como fisioterapeutas, psicólogos e nutricionistas, limitando o suporte integral aos atletas.
“A principal consequência dessa lacuna é a sobrecarga do professor e a limitação no número de alunos atendidos. A ausência de estagiários - reflexo do pouco interesse dos graduandos pela temática - dificulta o desenvolvimento de práticas mais inclusivas e adaptadas, especialmente considerando que alguns alunos com deficiência intelectual ou física severa demandam atenção constante. Além disso, a falta de uma equipe multiprofissional em vários CRPBs restringe o alcance dos benefícios oferecidos aos alunos e atletas, comprometendo o potencial de desenvolvimento integral que o projeto poderia proporcionar”, avaliou o pesquisador.
No âmbito logístico e social, a maior dificuldade enfrentada pelos coordenadores para aumentar o número de alunos é a falta de visibilidade e acesso à informação. Muitos potenciais alunos e suas famílias simplesmente desconhecem a existência do projeto.
“Apesar do crescimento expressivo do movimento paralímpico no Brasil, os números ainda revelam uma representatividade muito baixa: de acordo com o Censo de 2010, há mais de 23 milhões de pessoas com deficiência no país, e apenas cerca de 10 mil estão inseridas em alguma modalidade do projeto paralímpico. Embora tenhamos avançado, ainda há um longo caminho a percorrer para massificar o acesso e fortalecer a presença das pessoas com deficiência no esporte paralímpico”, frisou Glauber.
Escassez de estudos
Glauber destaca que seu envolvimento com pesquisas acadêmicas teve início durante a pandemia e a escolha por pesquisar sobre os esportes paralímpicos decorreu da intenção de “contribuir com a ampliação do conhecimento e da valorização da área”. “Percebi o quão escassos eram os estudos sobre os esportes paralímpicos em comparação com outras áreas da Educação Física. Notei também que colegas pouco se interessavam em pesquisar ou atuar com esse público, o que me fez refletir sobre como meus familiares com deficiência poderiam estar desassistidos no futuro”, disse o pesquisador.
A orientadora da pesquisa, professora Vanessa Helena, da Faculdade de Educação Física e Dança (FEFD), afirmou que a dissertação de mestrado passou pelos critérios necessários. “Quando a gente faz uma pesquisa comprometida, existem vários cuidados éticos, tanto com a população atendida, que são as pessoas com deficiência, quanto com as instituições envolvidas. Fizemos questão de aprovar o projeto no Comitê de Ética da Universidade Federal de Goiás e no Comitê Paralímpico Brasileiro, que tem a Academia Paralímpica - formada por vários professores, doutores, técnicos, especialistas em esporte paralímpico -, que lida com as questões de pesquisa do Comitê Paralímpico”, disse a professora.
Esporte paralímpico na UFG
A docente ressaltou que o esporte paralímpico tem avançado na UFG. “Estamos com o segundo Centro Paralímpico na Universidade Federal de Goiás. Tivemos um centro de referência em halterofilismo paralímpico na Faculdade de Educação Física, que revelou vários atletas, e agora nós estamos com a natação paralímpica”, destacou a docente.
Para Helena, é visível a “riqueza” do trabalho dentro da universidade. “Nós temos desde bebês com deficiência até natação de alto rendimento. Tem pessoas que começaram com a gente na UFG, aprenderam a nadar e que estão despontando, ganhando medalhas”, disse a pesquisadora.
Confira a pesquisa completa aqui
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Fonte: Secom UFG
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