Cerof retoma captação de córneas em Goiás
Medida pode contribuir para aumento de transplantes e redução da fila de espera no estado, que hoje chega a 1.847 pacientes
Kharen Stecca
Em um avanço significativo para a saúde pública estadual, o Banco de Olhos do Centro de Referência em Oftalmologia (Cerof) da Universidade Federal de Goiás (UFG) retomou, em 2026, as atividades de captação de córneas para o estado. O retorno do serviço é resultado de um convênio firmado com a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES) e do trabalho integrado com a Central Estadual de Transplantes (CET). Esta parceria é um marco para a saúde ocular no Sistema Único de Saúde (SUS), pois, além de fortalecer a assistência direta à população, promove o desenvolvimento de pesquisas e o ensino especializado na rede federal.
A iniciativa, segundo a diretora do Cerof, Katiane Martins, deve resultar na transformação do atual cenário dos transplantes em Goiás, que hoje tem 1.847 pessoas aguardando por uma córnea, enfrentando um tempo médio de espera de até um ano e nove meses. O Cerof, que já é uma unidade de referência no SUS e realizou mais de 90 transplantes apenas em 2025, projeta que a reativação do Banco permitirá um aumento significativo no número de captações e consequentes procedimentos de transplante por todo o estado. Com equipes capacitadas atuando 24 horas e em regime de busca ativa nos hospitais, espera-se elevar os índices de consentimento familiar e agilizar o atendimento aos pacientes da fila única estadual.
O presidente do Conselho Administrativo do Cerof, Marcos Ávila, destaca que "as equipes do Banco de Olhos do Cerof/UFG foram capacitadas e estão preparadas para atuarem pelo estado de Goiás em prol da saúde pública. O Banco de Olhos do Cerof/UFG é um marco para a saúde ocular no SUS e trará grandes impactos para a população goiana".
"Termos o apoio da SES-GO, da equipe da CET-GO e das equipes dos hospitais para a reabertura do Banco de Olhos do Cerof/UFG, com equipes 24 horas, consolida a trajetória de dedicação do Hospital de Olhos da UFG às iniciativas de pesquisa, de ensino e de extensão voltadas à oftalmologia goiana", completa Katiane.
História e processos
O diretor médico do Banco de Olhos do Cerof e professor da UFG, José Beniz Neto, e a responsável técnica Célia Regina Malveste — referências em doação, captação e transplante de córneas — têm acompanhado todos os processos de trabalho do Banco e mantido a conduta ética, transparente e de qualidade das práticas desenvolvidas pelas equipes. Os dois apresentam como maior desafio atual a sensibilização da família para a doação e reforçam a necessidade de diálogo sobre esse tema.
O histórico do serviço remonta a 2006, quando o Banco de Olhos do Cerof iniciou suas atividades. O atendimento precisou ser interrompido em 2019 devido à pandemia de covid-19, segundo a diretora. Após o período de suspensão, a retomada oficial foi celebrada com as primeiras captações realizadas no dia 4 de fevereiro de 2026, no Hospital Estadual de Anápolis Dr. Henrique Santillo (Heana).
Atualmente, o Banco conta com equipes em Goiânia e Anápolis, preparadas para realizar desde a abordagem familiar até o processamento, armazenamento e oferta à CET dos tecidos com segurança, qualidade e ética.
As equipes do Banco de Olhos do Cerof atuarão continuamente nos hospitais estaduais, no Hospital das Clínicas da UFG (HC-UFG/Ebserh) e no Hospital Araújo Jorge. Vale destacar que, além de equipes na cidade de Goiânia, unidade-sede do Cerof, há uma equipe no Heana, em Anápolis, que é responsável pela captação em toda a cidade.
A importância de ser doador e como proceder
A doação de órgãos e tecidos é um ato que gera impactos incalculáveis para quem recebe, permitindo a recuperação da visão, a depender do diagnóstico e quadro clínico, e da qualidade de vida desses pacientes. Para ser um doador de córnea, a regra fundamental é comunicar a decisão à família, pois a captação só pode ser realizada mediante autorização dos parentes após o falecimento.
Qualquer pessoa entre dois e 80 anos pode ser doadora de córnea, independentemente da causa da morte ter sido parada cardiorrespiratória ou morte encefálica. O diálogo prévio com os familiares continua sendo o maior desafio para elevar os índices de transplantes no estado.
A gerência de transplantes do estado de Goiás disponibiliza um endereço eletrônico para esclarecimento de dúvidas da população.
SAIBA MAIS
O que é a córnea?
É uma membrana transparente que reveste o olho, funcionando como a primeira camada de proteção da visão.
O que é o transplante de córnea?
Uma cirurgia de aproximadamente uma hora, sem necessidade de internação, para substituir uma córnea lesionada por uma saudável de um doador falecido.
Quais doenças podem exigir um transplante de córnea?
Ceratocone, distrofias corneanas, ceratopatia bolhosa, infecções graves, leucomas, perfurações oculares e outros agravos.
Você sabia?
A córnea pode ser retirada no máximo de 6 a 12 horas após a morte, mantendo-se viável para o transplante por até 14 dias, em meio de conservação. Mesmo pessoas com doenças oculares como glaucoma ou catarata podem doar córneas. A maioria dos transplantes são bem-sucedidos, não gerando complicações e trazendo ganhos aos transplantados.
Fonte: Cerof/UFG
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