Especialistas dão dicas para aproveitar o carnaval em segurança
Cuidados nutricionais e prevenção de ISTs fazem parte das recomendações dos profissionais do HC-UFG
Fernanda Viana
O carnaval é, para muita gente, o início de uma maratona: blocos, festas, caminhadas longas ao ar livre e horas em pé. Para ajudar a população a aproveitar as comemorações sem deixar a saúde de lado, especialistas do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), reuniram diferentes recomendações sobre cuidados nutricionais e prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).
Orientações nutricionais
Para a nutricionista Camila Moura, que integra a equipe multiprofissional do HC-UFG, quem vai participar das comemorações de rua deve dar preferência a uma alimentação equilibrada, com refeições regulares e fracionadas ao longo do dia. "Antes da folia, o ideal é fazer uma refeição equilibrada, com carboidratos complexos como arroz, batata, mandioca e pão integral, que fornecem energia de forma gradual. Também é importante incluir proteínas magras, como ovos, frango e peixe, que ajudam na saciedade e na manutenção muscular, além de legumes e verduras, que contribuem com vitaminas e minerais importantes", aponta.
Já durante as festividades, o ideal é manter níveis adequados de energia, diminuindo riscos de hipoglicemia e mal-estar. Para isso, foliões devem contar com opções práticas e seguras, como frutas fáceis de transportar (banana, maçã, uva); oleaginosas (castanhas, amendoim sem excesso de sal); sanduíches leves com proteína magra e barras de cereal com boa composição. "Pular refeições pode favorecer queda de energia, maior consumo exagerado de álcool, hipoglicemia e mal-estar. Fazer pelo menos três refeições principais e pequenos lanches intermediários é a estratégia mais segura para manter disposição e equilíbrio metabólico", esclarece a nutricionista.
Ainda segundo Camila, alimentos muito gordurosos devem ser evitados, assim como embutidos e fast food. "Eles retardam a digestão, aumentam o desconforto gastrointestinal e podem causar mal-estar durante a exposição ao calor e à atividade física intensa. Também é importante evitar excesso de alimentos muito salgados e ultraprocessados [industrializados], pois aumentam a retenção de líquidos e a sede, favorecendo desidratação, principalmente, quando associados ao consumo de álcool. Alimentos de procedência duvidosa, especialmente vendidos em ambientes muito quentes e sem refrigeração adequada, também devem ser evitados, devido ao risco de intoxicação alimentar", alerta.
Outro ponto de atenção é a hidratação oral. Durante o carnaval, o corpo sofre uma perda maior de líquidos através do suor, sobretudo devido ao calor, às movimentações repetitivas durante caminhadas longas e danças, e ao consumo de álcool, que tem efeito diurético. "Em média, recomenda-se pelo menos 35 ml de água por quilo de peso corporal por dia, podendo ultrapassar de 2,5 a 3 litros diários em dias de calor intenso e atividade prolongada. Em situações de exposição intensa ao sol, essa necessidade pode ser ainda maior. Entre os líquidos indicados para a hidratação oral, a água deve ser a principal escolha. Água de coco, sucos naturais e isotônicos podem complementar a hidratação. É recomendado intercalar cada dose de bebida alcoólica com água para ajudar a minimizar a desidratação", explica Camila.
Durante a intensa sequência de blocos e trios elétricos, é comum exagerar no consumo de bebidas alcoólicas e sofrer com os sinais disso no dia seguinte, que incluem dor de cabeça, náuseas e fadiga. Para atenuar os sintomas da ressaca, as dicas da especialista são: hidratação intensa; consumo de frutas ricas em água e frutose, como melancia e laranja; caldos leves e sopas para colaborar com a reposição de líquidos e eletrólitos; refeições leves com carboidratos simples e proteínas magras; evitar alimentos muito gordurosos no dia seguinte, pois podem piorar náuseas e desconforto gástrico.
Prevenção de ISTs: informação, rotina e prevenção combinada
De acordo com a infectologista Moara Santa Bárbara Borges, as ISTs são infecções transmitidas predominantemente pelo contato sexual, seja ele vaginal, anal ou oral. "A terminologia 'Infecções Sexualmente Transmissíveis' passou a ser adotada em substituição à expressão 'Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs)' porque a palavra 'doença' refere-se a uma situação em que há presença de sinais ou sintomas que indiquem a existência da infecção. Entretanto, grande parte das ISTs podem estar presentes de forma assintomática, ou seja, a pessoa se infectou, pode transmitir, mas ainda não tem nenhum sintoma característico de uma doença específica, o que pode, inclusive, dificultar o diagnóstico e o tratamento", assinala a médica.
"Qualquer situação festiva, como o carnaval, que promove o encontro de grande número de pessoas que não se conheciam, facilita a circulação de agentes infecciosos em maior escala e mais rápida. Quando envolve também o maior uso de álcool e outras drogas, a percepção de risco pode estar diminuída e podem ocorrer exposições sexuais sem uso dos métodos de proteção usuais, levando ao risco da aquisição de uma dessas infecções e o diagnóstico algum tempo depois", observa.
As ISTs podem se manifestar por meio de feridas, corrimentos e verrugas anogenitais, além de dor pélvica, entre outros sinais de alerta. "Considerando os sintomas mais frequentes, o surgimento de lesões nas áreas genitais ou boca, corrimento, ardor para urinar, manchas na pele, febre ou dor de garganta que não melhoram e aumento de gânglios são os sintomas que indicam a necessidade de avaliação precoce. Porém, devemos lembrar que existem os casos assintomáticos e, se houve situações de risco, é recomendável uma avaliação periódica, com testagens para as principais ISTs", ressalta Moara.
A prevenção de ISTs é mais eficaz quando combina estratégias. "Hoje, dispomos de métodos de barreira, como os preservativos masculinos e femininos, a utilização de medicamentos antes [Profilaxia Pré-Exposição – PrEP] e após [Profilaxia Pós-Exposição – PEP] uma exposição de risco, a testagem frequente para o diagnóstico e tratamento precoce, visando diminuir a transmissão", aponta.
No caso de pessoas que tiverem relações sexuais desprotegidas, o ideal é procurar atendimento médico o mais rápido possível. "Preferencialmente, dentro das primeiras 24 horas, pois existe a possibilidade do uso de medicamentos que previnem a infecção pelo HIV, como a PEP, e hoje também há a possibilidade de uma medicação pós-exposição, que diminui infecções bacterianas, com a DoxyPEP", completa a infectologista.
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Fonte: HC-UFG






