Mercado de trabalho em 2025: avanço quantitativo e desafios estruturais
Resultados refletem, em grande medida, a melhora do desempenho da economia no período recente
Edson Roberto Vieira
Antônio Marcos de Queiroz
Desde 2012, quando o IBGE iniciou a série histórica da PNAD Contínua, a taxa de desocupação no Brasil tem oscilado em resposta às diferentes conjunturas econômicas do país. A maior taxa anual foi registrada em 2021, no bojo da pandemia da covid-19, quando atingiu 14,0%, sucedendo o resultado de 13,7% observado em 2020. Já a menor taxa de desocupação da série foi registrada em 2025, quando caiu de 6,6% em 2024 (segunda menor taxa até então) para 5,6%.
Em 20 das Unidades da Federação (UFs), a taxa de desocupação anual de 2025 seguiu a dinâmica do mercado de trabalho nacional e foi a menor da série histórica. As sete UFs que não registraram suas menores taxas em 2025 foram Acre, Alagoas, Piauí, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rondônia e Roraima. Em um país de dimensões continentais como o Brasil, marcado por heterogeneidades produtivas, demográficas e sociais, as diferenças entre as taxas de desocupação são estatisticamente e economicamente relevantes.
Como já indicado, Goiás esteve entre as 20 UFs que atingiram a menor taxa anual de desocupação em 2025, qual seja, 4,6%. Antes disso, a menor taxa registrada no estado havia ocorrido em 2012, quando atingiu 5,0%. O resultado de 2025 ficou 1,0 ponto percentual abaixo da média nacional e colocou Goiás na nona colocação entre as UFs com menores taxas de desocupação. Essa mesma posição foi registrada no ranking do rendimento médio real habitual das pessoas ocupadas, que atingiu R$ 3.628,00, valor ligeiramente superior à média brasileira, de R$ 3.560,00.
Outro indicador importante do mercado de trabalho é o nível de ocupação, que mede a proporção de pessoas efetivamente empregadas em relação à população em idade ativa (total de pessoas aptas a trabalhar). Diferenciar esse indicador da taxa de desocupação é fundamental, uma vez que, eventualmente, uma taxa de desocupação menor pode resultar, por exemplo, do aumento do desalento — quando muitas pessoas desistem de procurar emprego porque acham que não vão conseguir. Nesses casos, a taxa de desocupação cai, mas não é seguida por elevação concomitante do nível de ocupação, refletindo deterioração do mercado de trabalho.
E o que dizem os números da PNAD Contínua em relação ao nível de ocupação? Dizem que o resultado de 2025 também foi o melhor da série histórica da pesquisa. O indicador daquele ano atingiu 59,1%, sendo seguido pelo de 2024 (58,6%) e depois pelo de 2013 (58,3%). Em conjunto, a menor taxa de desocupação e o maior nível de ocupação da série indicam melhora expressiva dos indicadores agregados do mercado de trabalho em 2025.
Esses resultados refletem, em grande medida, a melhora do desempenho da economia no período recente. Após a retração de 3,3% registrada em 2020, no auge da pandemia da covid-19, o PIB brasileiro cresceu 4,6% em 2021, 3,0% em 2022, 2,9% em 2023 e 3,4% em 2024. O resultado de 2025 ainda não foi divulgado oficialmente pelo IBGE, mas projeções de mercado indicam crescimento em torno de 2,2% a 2,5%. O crescimento do PIB dinamiza o mercado de trabalho, na medida em que o aumento do produto demanda mais mão de obra, ainda que a intensidade desse efeito varie entre os setores da economia.
Contudo, a melhoria dos indicadores de taxa de desocupação e de nível de ocupação no mercado de trabalho brasileiro também pode refletir mudanças estruturais que ainda carecem de investigação mais aprofundada. A queda da taxa de fecundidade evidenciada pelos Censos Demográficos do IBGE tende a reduzir o ritmo de crescimento da população em idade ativa e, consequentemente, da oferta de trabalho. Além disso, os novos empregos proporcionados pelos aplicativos têm alterado a dinâmica do mercado de trabalho. Uma pessoa que perde o emprego em uma indústria, por exemplo, pode rapidamente voltar a estar ocupada se tornando motorista de aplicativo. Por outro lado, isso suscita debates acerca da estabilidade contratual, proteção previdenciária e volatilidade dos rendimentos.
Em síntese, os dados da PNAD Contínua indicam que 2025 marcou o melhor desempenho do mercado de trabalho brasileiro desde o início da série histórica, tanto pela menor taxa de desocupação quanto pelo maior nível de ocupação já registrados. Sob a ótica quantitativa, trata-se de um resultado expressivo e consistente com a retomada do crescimento econômico observada no período recente.
O desafio, contudo, ultrapassa a dimensão estatística. A questão central passa a ser a sustentabilidade desse desempenho ao longo do tempo e, sobretudo, sua capacidade de se converter em postos de trabalho mais produtivos, com maior estabilidade contratual, proteção social e crescimento real dos rendimentos. A consolidação desses avanços dependerá, em grande medida, da melhoria dos indicadores educacionais e da elevação do capital humano, elementos fundamentais para sustentar ganhos de produtividade e qualidade do emprego no longo prazo.
Boletim de Conjuntura Econômica de Goiás, n. 188, janeiro de 2026.
Edson Roberto Vieira e Antônio Marcos de Queiroz são professores da Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas (FACE) da UFG.
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Fonte: FACE
Categorias: colunistas Humanidades FACE






