Por uma maior inserção das mulheres na Educação Profissional e Tecnológica
Participação feminina vem aumentando, mas há desafios para entrar e permanecer em áreas dominadas por homens
Alethéia Ferreira da Cruz
O crescimento da participação de mulheres na Educação Profissional e Tecnológica (EPT) vem aumentando nos últimos anos. Dados do Ministério da Educação avaliam que as mulheres representam 57,9% das matrículas na EPT, totalizando aproximadamente 1,3 milhões de estudantes. Entretanto, essa predominância não ocorre da mesma maneira em todas as áreas. Em cursos técnicos ligados à indústria, por exemplo, a presença feminina ainda é bem menor. Estudos mostram que, embora a participação das mulheres nesses cursos tenha aumentado, elas ainda enfrentam muitos desafios para entrar e permanecer em áreas ainda dominadas pelos homens.
As principais barreiras incluem estereótipos de gênero, a falta de modelos femininos nessas áreas e barreiras no mercado de trabalho, como desigualdade salarial e oportunidades bem limitadas de progressão na carreira. A superação desses desafios requer políticas públicas eficazes e iniciativas que incentivem a inclusão.
As Escolas do Futuro de Goiás (EFG), uma iniciativa do Governo de Goiás sob a gestão do Centro de Educação, Trabalho e Tecnologia (CETT), com a parceria da Fundação de Apoio à Pesquisa (Funape) da Universidade Federal de Goiás (UFG), faz parte das políticas públicas que desempenham importante papel na formação profissional, já tendo capacitado mais de 12 mil mulheres em cursos técnicos e profissionalizantes na área de tecnologia.
Recentemente, o CETT-UFG obteve sucesso na viabilização do projeto Elaz Prosperam, que foi contemplado no Fundo Social Caixa para Mulheres. A iniciativa é voltada ao apoio de projetos destinados a mulheres em situação de vulnerabilidade, com foco na promoção da inclusão produtiva, do empreendedorismo e do enfrentamento à violência de gênero. Elaz Prosperam vai unir educação financeira, psicologia do dinheiro, neurofinanças e empreendedorismo, com aconselhamento via Inteligência Artificial generativa, trilhas formativas práticas e a Plataforma Empreende Mulher.
O projeto vai ser realizado no espaço de três anos, com início de execução previsto para 1º de junho deste ano e vai receber um aporte de R$ 5 milhões. A previsão é que a iniciativa beneficie diretamente cerca de 1,4 mil mulheres, além de impactar indiretamente aproximadamente 5,6 mil pessoas. Por meio desse projeto, nós vamos transformar conhecimento em ação e fortalecer o protagonismo feminino na economia de forma sustentável e inovadora no Estado de Goiás. Ao garantir o acesso a renda, um projeto como esse contribui para que as mulheres sejam independentes e possam enfrentar desigualdades estruturais numa condição de maior equidade.
A busca pela equidade de gênero na EPT não é apenas uma responsabilidade social, mas um fator estratégico para o desenvolvimento do país. O aumento de cursos gratuitos é um recurso importante para democratizar o acesso e promover a entrada das mulheres em setores tradicionalmente ocupados por homens. Garantir que mais mulheres tenham acesso a qualificações profissionais é um passo decisivo para um mercado de trabalho mais justo e inclusivo.
Alethéia Ferreira da Cruz é professora da Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas (Face) da Universidade Federal de Goiás (UFG) e diretora de Desenvolvimento e Avaliação do Centro de Educação, Trabalho e Tecnologia (CETT) da UFG.
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Fonte: CETT-UFG
Categorias: artigo Institucional FACE






