Mulheres são fontes em menos de um quarto das notícias no país, revela estudo internacional
Levantamento, que teve apoio de pesquisadoras da FIC/UFG, mostra estagnação na participação feminina no noticiário
Da Redação
A presença de mulheres nas notícias segue baixa e praticamente estagnada no Brasil, segundo o relatório nacional do Global Media Monitoring Project (GMMP), a maior pesquisa internacional sobre gênero e mídia. Desde 1995, o GMMP é realizado a cada cinco anos em mais de 100 países, com o objetivo de analisar como mulheres e homens aparecem — ou deixam de aparecer — nas notícias.
Acesse aqui o relatório.
No Brasil, o monitoramento em 2025 examinou conteúdos de 683 notícias de 38 veículos jornalísticos, entre jornais impressos (10), sites (12) e emissoras de rádio (8) e televisão (8), oferecendo um panorama atualizado sobre desigualdades de gênero na mídia mainstream. Ao todo, participaram 195 pesquisadores e voluntários de 24 estados.
Foi a primeira vez que Goiás contribuiu para o estudo, por meio do projeto de pesquisa Gênero e Mídia em Goiás, coordenado pelas professoras Luciane Agnez e Gabriela Marques, da Faculdade de Informação e Comunicação da Universidade Federal de Goiás (FIC/UFG). Neste momento, o grupo de trabalho local segue a pesquisa, ampliando o número de veículos goianos analisados.
Dentre os resultados nacionais, o monitoramento constatou que a participação feminina diminuiu em 2025 em todas as funções elencadas nas notícias. Na função de sujeito, que representa pessoas centrais na notícia, em que o texto trata delas ou de algo que fizeram ou disseram, apenas 19% foram mulheres.
O relatório também mostra que as mulheres ainda aparecem menos como especialistas ou porta-vozes em temas considerados centrais para o debate público, como política, economia e decisões institucionais. Por outro lado, elas são mais frequentemente associadas a assuntos ligados à vida privada, cultura e entretenimento.
De modo geral, as mulheres continuam sendo minoria entre as fontes consultadas por jornalistas nos diferentes meios de comunicação analisados. Em média, representam 23% das fontes em jornais, rádio e televisão, percentual que cai para 19% na mídia digital.
Pluralidade
De acordo com a professora Luciane Agnez, "a baixa presença feminina nas notícias não é apenas uma questão de representação, mas também de qualidade e pluralidade da informação. Quando determinados grupos aparecem menos ou são menos ouvidos, o noticiário tende a refletir de forma limitada a diversidade da sociedade".
Globalmente, após três décadas de monitoramento, o estudo indica que o crescimento da presença feminina no noticiário tem avançado de forma gradual, mas com sinais claros de desaceleração nos últimos anos. "Os resultados de 2025 reforçam a necessidade de ampliar a diversidade de vozes nas notícias e de fortalecer iniciativas que promovam maior equilíbrio de gênero na produção e na seleção de fontes do jornalismo", reforça a professora Gabriela Marques.
Evento on-line
Nos dias 30 e 31 de março, será realizado um evento on-line de apresentação dos resultados do GMMP Brasil 2025. A programação reúne pesquisadoras e pesquisadores, profissionais da comunicação, representantes de entidades, coletivos e instituições comprometidas com a promoção da igualdade de gênero e com o fortalecimento das políticas públicas no país. O evento é aberto ao público.
A programação será transmitida pelo canal Diversidade na ECA, no Youtube. A coordenação da rede brasileira que desenvolveu o estudo foi das pesquisadoras Elizângela Carvalho (Universidade Católica Portuguesa) e Cláudia Lago (USP).
Receba notícias de ciência no seu celular
Siga o Canal do Jornal UFG no WhatsApp e nosso perfil no Instagram.
É da UFG e quer divulgar sua pesquisa ou projeto de extensão?
Preencha aqui o formulário.
Comentários e sugestões
jornalufg@ufg.br
Política de uso
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal UFG e do autor.
Fonte: FIC
Categorias: Jornalismo Humanidades Fic Notícia 6






