Icone Instagram
Ícone WhatsApp
Icone Linkedin
Icone YouTube
Universidade Federal de Goiás
Bancos

Estudo compara Brasil e Europa na resolução de conflitos de consumidores financeiros

Em 16/03/26 13:59. Atualizada em 16/03/26 13:59.

Sistema brasileiro prioriza proteção constitucional ao consumidor, enquanto modelo europeu é orientado pelo mercado

Anna Paulla Alves

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Goiás (UFG) em parceria com a Universidade de Luxemburgo analisou como Brasil e União Europeia tratam os mecanismos alternativos de resolução de disputas (ADR) para consumidores do setor financeiro. O estudo concluiu que, enquanto o Brasil adota um modelo de acesso à justiça baseado em uma proteção constitucional e proativa ao consumidor, o modelo europeu é fortemente orientado pela promoção do mercado interno.

O estudo foi desenvolvido pelo pesquisador Frederico Oliveira Silva no Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos (PPGDH) da UFG. A pesquisa recebeu reconhecimento internacional ao conquistar o primeiro lugar na categoria de Direito do Prêmio FIBE, concedido pelo Fórum de Integração Brasil-Europa a dissertações e teses que promovam a integração cultural, econômica, social e jurídica entre o Brasil e os países europeus.

A tese aponta que, para assegurar justiça processual mais igualitária na União Europeia, é necessária uma interpretação mais específica e teleológica da Diretiva 2013/11/EU, com base na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia e na Convenção Europeia dos Direitos Humanos. Essa abordagem permitiria evitar que consumidores financeiros sejam prejudicados por interpretações predominantemente voltadas ao funcionamento do mercado.

Comparação entre sistemas jurídicos

Frederico Oliveira Silva
Frederico Oliveira Silva | Foto: Arquivo Pessoal

Para conduzir a pesquisa, Frederico utilizou o método de comparação funcional, que analisa a função das normas independentemente das nomenclaturas adotadas em cada país. O objetivo foi compreender como diferentes sistemas jurídicos respondem a problemas semelhantes, em vez de identificar simplesmente qual legislação seria "melhor".

A análise considerou o sistema regulatório multinível da União Europeia — no âmbito da Doctoral Training Unit on Enforcement in Multi-Level Regulatory Systems II — incluindo países com tradições jurídicas distintas, tanto de Civil Law quanto de Common Law, tendo o ordenamento brasileiro como contraponto.

Segundo o pesquisador, um dos principais desafios foi manter uma atenção constante às diferenças culturais, linguísticas, econômicas e sociais entre as jurisdições analisadas. Para os próximos anos, Frederico pretende aprofundar a análise de dados das entidades de resolução de conflitos, com o objetivo de mapear como esses mecanismos estão evoluindo na prática nas diferentes jurisdições estudadas.

Cotutela

A pesquisa contou com apoio do Fonds National de la Recherche (FNR) de Luxemburgo e foi orientado pelos professores Elise Poillot e Saulo Coelho. A tese foi desenvolvida em regime de cotutela, modelo de orientação compartilhada entre instituições de diferentes países, o que exigiu do pesquisador um cronograma de deslocamentos entre Goiânia e Luxemburgo e avaliações periódicas conjuntas. A defesa final ocorreu na Universidade de Luxemburgo, com participação de avaliadores brasileiros.

 

Receba notícias de ciência no seu celular
Siga o Canal do Jornal UFG no WhatsApp e nosso perfil no Instagram.

É da UFG e quer divulgar sua pesquisa ou projeto de extensão?
Preencha aqui o formulário.

Comentários e sugestões
jornalufg@ufg.br

Política de uso
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal UFG e do autor.

Fonte: Secom UFG

Categorias: Direito Humanidades FD Notícia 4