Demolição de prédio modernista de Goiânia vira arte contemporânea
Exposição com objetos de edifício da Celg provoca reflexão sobre memória urbana
Da Redação
A demolição de um dos marcos da arquitetura modernista de Goiânia se transformou em arte e reflexão. Em cartaz no Centro Cultural da Universidade Federal de Goiás (CCUFG), a exposição "Marcha para o fim do Oeste" reúne fragmentos do antigo prédio da Celg para discutir o desaparecimento do patrimônio arquitetônico e os rumos das cidades contemporâneas.
Aberta ao público até 24 de abril de 2026, com entrada gratuita, a mostra é assinada pelos artistas Glauco Gonçalves e Henrique de la Fonte, com curadoria de Paulo Duarte-Feitoza. A exposição também conta com a participação de Flávia Leme, Robert Valentim, Wesley Garcia e Fernão Carvalho.
A proposta parte de um gesto simbólico: transformar os escombros de uma construção emblemática em matéria artística. Ao fazer isso, os artistas convidam o público a refletir sobre os impactos da demolição de edifícios históricos, especialmente em Goiânia, cidade marcada por um importante legado modernista que enfrenta processos acelerados de abandono e deterioração.
O prédio da antiga Companhia Energética de Goiás (Celg), construído no fim dos anos 1950 pelos arquitetos Gustav Ritter e Oton Nascimento, foi por décadas uma referência da arquitetura local. Até 2023, o espaço ainda abrigava um afresco do artista Frei Confaloni.
Mudda
Antes da demolição, o edifício chegou a abrigar uma iniciativa artística e acadêmica inovadora: o Museu do Depois do Amanhã (Mudda). Criado como projeto de extensão da UFG, o museu ocupava o prédio em ruínas e propunha uma leitura alternativa do patrimônio, incorporando tanto as marcas do tempo – como plantas, fungos e infiltrações – quanto intervenções humanas, como grafites, performances e instalações.
O Mudda operava com uma lógica museológica própria, catalogando obras e acervos a partir de elementos muitas vezes ignorados pelas instituições tradicionais. Ao transformar o abandono em linguagem estética, o projeto buscava tensionar os limites entre arte, ruína e memória.
É justamente esse percurso – do edifício modernista ao museu experimental e, por fim, à demolição – que serve de base para "Marcha para o fim do Oeste". A exposição se apresenta, assim, como um desdobramento artístico desse processo, propondo ao visitante um olhar crítico sobre as transformações urbanas e os sentidos da preservação.
SERVIÇO
Exposição "Marcha para o fim do Oeste"
Data: até 24/04/2026
Horário: das 10h às 17h30
Local: Centro Cultural da UFG (CCUFG), Praça Universitária, Goiânia (GO)
Entrada gratuita
Classificação livre
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Fonte: Secom UFG
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