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Universidade Federal de Goiás
Vacinação HPV

Vacinação e rastreio são aliados no combate ao câncer de colo do útero

Em 26/03/26 14:39. Atualizada em 26/03/26 14:39.

Com evolução lenta, doença pode ser evitada com exames regulares e imunização contra o HPV

Thalízia Ferreira

O mês de março marca um período importante na área de atenção à saúde da mulher e coloca em foco a campanha Março Lilás, que tem como objetivo conscientizar a população sobre a prevenção do câncer de colo uterino. Para esclarecer dúvidas acerca de fatores de risco relacionados ao desenvolvimento da doença, formas de prevenção e a importância da vacinação contra o HPV, entre outros assuntos, conversamos com a médica ginecologista Rosane Figueiredo, profissional do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).

 

Qual é a relação entre HPV e câncer de colo do útero?

Rosane Figueiredo – A infecção pelo HPV é a infecção de transmissão sexual mais comum no mundo. Na mulher, a infecção, na forma latente, é adquirida logo após o início da atividade sexual, com pico aos 24 anos de idade. A partir da latência, a infecção pelo HPV pode seguir três caminhos. O mais frequente é a resolução espontânea da infecção. Em ordem de frequência, aparecem as lesões de baixo grau e as verrugas genitais, que não são consideradas precursoras do câncer do colo uterino. A terceira forma de infecção pelo HPV é a que, em vez de se resolver espontaneamente, torna-se persistente. Essa persistência pode driblar o sistema imunológico do hospedeiro, ocasionar alterações genéticas nas células do colo uterino, com desenvolvimento de lesões pré-cancerosas de alto grau, que podem, então, evoluir para o câncer cervical invasor. É importante ressaltar que essa infecção causa 99% dos cânceres escamosos do colo uterino. O longo período de tempo entre a aquisição do vírus, a indução de alterações precursoras do câncer e o câncer propriamente dito permite que esse câncer possa ser evitado, por meio do rastreamento.

 

Quais são os fatores de risco associados ao desenvolvimento dessa doença?

Rosane Figueiredo – Os fatores de risco associados à aquisição da infecção pelo HPV incluem aspectos da vida sexual, como o número de parceiros sexuais, ter um novo parceiro sem uso do preservativo. Porém, para a mulher, um fator muito importante na aquisição da infecção, além das características da vida sexual, inclui a imaturidade biológica do colo uterino, que vai desde a adolescência até a idade adulta jovem, aos 24 anos. Essa imaturidade maior causa vulnerabilidades ao colo uterino e facilita a aquisição da infecção nessa faixa de idade. Por outro lado, os fatores associados ao desenvolvimento das lesões precursoras de alto grau e progressão para o câncer invasor do colo incluem o tipo de vírus. Existem mais de 200 tipos de HPV, dos quais 15 foram classificados de alto risco oncogênico pela frequência elevada com que são encontrados no câncer do colo uterino. Além do tipo de vírus, a permissibilidade do hospedeiro, como a susceptibilidade genética e as imunodeficiências, tem papel muito importante na progressão da doença. O terceiro fator importante na carcinogênese do HPV inclui o tabagismo, as infecções genitais crônicas, como clamídia e tricomonas, e as alterações da flora vaginal.

 

Quais são as principais formas de prevenção do câncer de colo do útero?

Rosane Figueiredo – O câncer do colo uterino é passível de prevenção e erradicação, uma vez que é produzido por uma infecção viral, para a qual há vacina com elevada efetividade. Além disso, o período entre a aquisição do vírus, o desenvolvimento da lesão precursora de alto grau e do câncer invasor é de, aproximadamente, 30 anos. Esse longo período de latência implica na possibilidade de rastreio e tratamento dos precursores, pelo exame citológico de Papanicolau e, mais recentemente, pelo teste HPV, já utilizado em países de alta renda e que está em fase de implementação no Brasil. Com estratégias de prevenção de efetividade elevada, a ocorrência desse câncer significa falha importante para o sistema de saúde pública.

 

Qual é a importância da vacinação contra HPV tanto em meninos quanto em meninas para prevenir o câncer de colo do útero?

Rosane Figueiredo – A vacinação é, de modo ideal, iniciada antes da aquisição do vírus, ou seja, antes do início da atividade sexual, que, no Brasil, ocorre, em média, aos 15 anos de idade. A importância da vacinação de meninas e meninos refere-se ao alcance da imunidade de grupo, que diminui a circulação do vírus na população e, consequentemente, com proteção de indivíduos que, porventura, não foram vacinados. Porém, há outro aspecto de grande importância. Há outros cânceres induzidos pelo HPV, além dos cânceres de colo uterino, vulva e vagina. Esses outros cânceres acometem o homem e estão em elevação, especialmente os cânceres de cabeça e pescoço, e do reto, mas também os cânceres de pênis. É muito importante informar que, para esses outros cânceres, não há método de rastreio, como no caso do câncer do colo uterino. Dessa forma, os outros cânceres induzidos pelo HPV têm como base de prevenção apenas a vacinação contra o vírus.

 

Vacinação HPV
Vacinação contra o HPV começa, em média, aos 15 anos de idade | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

Atualmente, quais são as principais formas de rastreio utilizadas para identificar a doença e como cada uma funciona?

Rosane Figueiredo – Ainda em vigência no Brasil, temos o rastreio citológico pelo método de Papanicolau, que evoluiu para o rastreio citológico em meio líquido. Nos países de alta renda, o rastreio empregando a detecção do vírus HPV com sua genotipagem substituiu o rastreio citológico, por apresentar sensibilidade elevada, excluindo, assim, os falsos negativos e outros problemas com o método citológico. No Brasil, as novas diretrizes para rastreio desse câncer estão sendo elaboradas pelo Inca [Instituto Nacional de Câncer] e Ministério da Saúde. Assim, em um futuro próximo, utilizaremos essa metodologia.

 

Quais são as opções de tratamento disponíveis para câncer do colo do útero no SUS?

Rosane Figueiredo – Antes de abordar o tratamento do câncer invasor do colo uterino, é de importância fundamental esclarecer que esse câncer é um dos poucos cânceres que podem ser evitados, erradicados pela vacinação de elevada eficácia e pelo rastreamento das lesões precursoras através do teste HPV, igualmente efetivo. As lesões pré-cancerosas podem ser rastreadas, diagnosticadas pela colposcopia com biópsia e tratadas com elevada eficácia pela excisão eletrocirúrgica da lesão, ambulatorialmente, sob anestesia local. Tanto o rastreamento quanto o diagnóstico e o tratamento podem ser realizados integralmente pelo SUS. O câncer invasor, assim, representa a falência dessa prevenção. Seu tratamento inclui cirurgia, radioterapia e quimioterapia, indicados na dependência do estadiamento, da extensão do câncer. Todos esses tratamentos também estão disponíveis pelo SUS.

 

Como funciona o atendimento para pacientes com câncer do colo do útero no HC-UFG?

Rosane Figueiredo – O acesso ao HC-UFG para tratamento oncológico é feito via SUS. A paciente deve passar por uma unidade básica de saúde (posto de saúde, UPA) que, ao detectar a suspeita ou confirmar o diagnóstico, realiza o encaminhamento para o HC-UFG. A secretaria de saúde do local de origem da paciente é a responsável por agendar a primeira consulta via sistema de regulação. Por intermédio do Instituto da Mulher, é oferecido atendimento multidisciplinar, com consultas especializadas, colposcopia, biópsias e exames de imagem. Através da equipe de oncoginecologia do HC-UFG são realizados tratamentos cirúrgicos para cânceres ginecológicos, além do tratamento quimioterápico e radioterápico, recentemente inaugurado.

 

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Fonte: HC-UFG

Categorias: Março Lilás saúde HC-UFG Notícia 1