UFG lidera estudo que alerta para crise na formação médica no Brasil
Artigo publicado em periódico internacional analisa expansão acelerada de escolas médicas
Da Redação
Pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG), em colaboração com docentes da Universidade Federal de Jataí (UFJ) e do Centro Universitário São Camilo, publicaram um artigo que discute a qualidade da formação médica diante da rápida expansão dos cursos de Medicina no país. O estudo foi publicado na revista científica internacional Journal of Evaluation in Clinical Practice, referência na área de avaliação clínica e educação em saúde.
No artigo, os pesquisadores analisam criticamente os primeiros resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), criado pelo Ministério da Educação para verificar se estudantes concluintes de Medicina atingiram as competências mínimas exigidas para o exercício profissional. A publicação foi coordenada pelo professor Claudio Andre Barbosa de Lira (UFG) e tem a participação dos pesquisadores Bráulio Evangelista de Lima e Núbia de Souza Lobato, da UFJ; João Victor Rosa de Freitas e Paulo Sérgio Sucasas da Costa, da UFG; e Fernanda Patti Nakamoto, do Centro Universitário São Camilo.
Segundo os autores, o Brasil mais que triplicou o número de escolas médicas nas últimas duas décadas, passando de 143 para 448 instituições. Embora essa ampliação busque responder à carência de médicos e à desigualdade regional na distribuição desses profissionais, os resultados iniciais do Enamed indicam sinais preocupantes: mais de 13 mil concluintes não atingiram o padrão mínimo de proficiência estabelecido no exame, o que levanta preocupações sobre segurança do paciente, equidade no acesso à saúde e planejamento do sistema público.
Ferramenta diagnóstica
O artigo argumenta que o Enamed não deve ser visto como instrumento punitivo, mas como ferramenta diagnóstica para identificar fragilidades estruturais da formação médica no Brasil. Os autores defendem que os resultados devem subsidiar políticas públicas voltadas ao fortalecimento da acreditação dos cursos, melhoria da infraestrutura de formação clínica, ampliação de vagas de residência médica e maior supervisão regulatória.
Para o professor Claudio Andre, a discussão extrapola o cenário brasileiro. "A experiência do Brasil oferece um alerta relevante para outros países: expandir cursos de Medicina sem mecanismos robustos de garantia de competência mínima pode comprometer, em vez de fortalecer, a qualidade da assistência à saúde", destaca.
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Fonte: Secom UFG
Categorias: Formação Institucional FEF






