Corrida pode ser estratégia de saúde pública, apontam pesquisadores
Prática acessível e de baixo custo pode aumentar o nível de atividade física na população
Da Redação
Um artigo publicado recentemente no Journal of Physical Activity and Health discute o potencial da corrida como ferramenta de promoção da atividade física em nível populacional. O artigo foi coordenado pela professora Mabliny Thuany, da Universidade do Estado do Pará (UEPA), com a participação do professor Claudio André Barbosa de Lira, da Universidade Federal de Goiás (UFG).
O trabalho discute como o crescimento global da prática da corrida pode ser aproveitado para enfrentar um dos principais desafios atuais da saúde pública: a elevada prevalência de inatividade física. Atualmente, cerca de 31% dos adultos no mundo não atingem níveis adequados de atividade física, cenário associado a impactos significativos na saúde e na economia global. Segundo os autores, o custo da inatividade física pode chegar a centenas de bilhões de dólares no período entre 2020 e 2030, o que reforça a urgência de estratégias amplas e sustentáveis.
Nesse contexto, a corrida aparece como uma prática em expansão global. O artigo cita taxas de participação adulta que variam de 8,5% nas Américas a 11,3% na região do Pacífico Ocidental. A pandemia de covid-19 também impulsionou esse movimento: aproximadamente 28,8% dos corredores atuais começaram a correr nesse período. Em 2024, dados globais apontaram ainda crescimento de 59% nos clubes de corrida.
Os autores destacam que a corrida se apresenta como uma prática acessível, de baixo custo e com forte adesão em diferentes contextos culturais e sociais. O fenômeno se manifesta de formas variadas ao redor do mundo: corridas entre pais e filhos ganharam popularidade na China, buscas por parques adequados para corredores se tornaram frequentes no Japão e eventos voltados para mulheres têm crescido no Brasil e na França. Para os pesquisadores, isso demonstra a capacidade da corrida de se adaptar a diferentes realidades locais, mantendo apelo global.
Além disso, a prática está associada ao aumento da expectativa de vida em cerca de 3,2 anos, à redução de 27% no risco de mortalidade por todas as causas, de 30% nas mortes cardiovasculares e de 23% nas mortes por câncer. O artigo também reúne evidências de benefícios para a saúde mental, com menor risco de ansiedade e depressão, além do fortalecimento da coesão social por meio de grupos e clubes comunitários de corrida.
Outro ponto ressaltado é a relação entre corrida e sustentabilidade urbana. Como frequentemente ocorre em parques, ruas arborizadas e ambientes naturais, a prática pode estimular cidades mais saudáveis e voltadas ao bem-estar da população.
Políticas públicas
O artigo também destaca a importância de políticas públicas que incentivem ambientes seguros e inclusivos para a atividade física, como parques, calçadas adequadas, iluminação pública e segurança viária. Para os autores, a violência urbana e os riscos no trânsito ainda são barreiras importantes para a prática regular, especialmente em grandes cidades. Por isso, iniciativas já existentes, como grupos de corrida e projetos comunitários, deveriam ser fortalecidas e integradas às estratégias nacionais e locais de promoção da saúde.
"Estudos como este contribuem diretamente para a formulação de políticas públicas baseadas em evidências, especialmente em um país marcado por desigualdades sociais e desafios estruturais para a promoção da atividade física", avalia Claudio. O pesquisador da UFG também ressalta a importância de trabalhos realizados em colaboração com outras universidades, aumentando a capacidade da ciência produzida nas universidades públicas de gerar soluções inovadoras.
Receba notícias de ciência no seu celular
Siga o Canal do Jornal UFG no WhatsApp e nosso perfil no Instagram.
É da UFG e quer divulgar sua pesquisa ou projeto de extensão?
Preencha aqui o formulário.
Comentários e sugestões
jornalufg@ufg.br
Política de uso
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal UFG e do autor.
Fonte: Secom UFG






