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Universidade Federal de Goiás
Artigo Exposição

E agora, depois da Bienal?

Em 27/04/26 07:54. Atualizada em 27/04/26 13:50.

Evento itinerante de São Paulo atraiu uma multidão ao Museu de Arte Contemporânea de Goiás

 

Bienal
Exposição na Bienal de São Paulo no Museu de Arte Contemporânea de Goiás | Foto: Governo de Goiás

 

Paulo Duarte-Feitoza

Todos vimos. Ao longo das últimas semanas, as imagens circularam com velocidade impressionante, com multidões, filas gigantescas de quase quatro horas e uma adesão sem precedentes à itinerância da Bienal de São Paulo no Museu de Arte Contemporânea de Goiás, em Goiânia. Algumas cenas, confesso, chegavam a impressionar. Foram cerca de 30 mil pessoas atravessando a exposição, num movimento que, por si só, já marca a história recente da cidade e evidencia a importância da itinerância da Bienal de São Paulo em Goiânia. E não foi apenas a exposição, houve ali um esforço consistente de mediação, conduzido por uma equipe comprometida, cuja seriedade e qualidade conheço de perto, responsável por construir experiências de escuta e aproximação com as obras.

E agora que a Bienal acabou, permanece uma pergunta que talvez não seja só minha, mas coletiva: onde estavam essas pessoas nas demais exposições realizadas na cidade? Ou, talvez mais importante, que condições existem para que elas estejam? É possível que muitos tenham ido ao encontro de um acontecimento, da visibilidade, da força que um evento dessa escala mobiliza. E isso não é pouco, é significativo! Mas também nos obriga a pensar sobre como essas experiências se prolongam ou se interrompem.

Há pontos centrais que precisamos discutir, ainda que não esgotem a complexidade do problema: comunicação e horários de visitação. Talvez devamos pensar em como o setor cultural está se comunicando, ou melhor, como o Estado, em todas as suas esferas, tem divulgado a oferta cultural à sociedade. Alguns museus e galerias da cidade têm corrigido um problema central, a abertura aos finais de semana, momento no qual um trabalhador comum pode, sem grandes obstáculos, visitar as exposições, enquanto outros ainda precisam revisar com urgência essa lógica, pois mantêm horários que tornam a visita inviável.

Ampliar e qualificar a comunicação pública das ofertas culturais é urgente, e a Bienal demonstrou isso com clareza. Temos, de fato, um grande desafio na formação de público para exposições de arte. Em meu trabalho como professor universitário, quando ministro aulas nos primeiros períodos de cursos como Arquitetura e Urbanismo ou mesmo Artes Visuais, percebo um desconhecimento significativo dos espaços culturais da cidade. Por essa razão, realizo frequentemente visitas técnicas a esses espaços, e é particularmente significativo perceber que, após o término das disciplinas, não raramente reencontro ex-alunos nesses mesmos lugares.

Artistas, agentes e gestores de Goiânia têm demonstrado que, apesar da precariedade dos equipamentos municipais, estaduais e federais, são capazes de manter uma programação consistente e de qualidade. No entanto, é fundamental reconhecer que a continuidade dessas ações depende da existência de orçamentos anuais estáveis para os equipamentos culturais públicos, condição básica para planejamento, programação e formação de público.

Quem nos dera que o fluxo de visitantes da Bienal não se dissolva. Que ele se desloque e continue. Que essas mesmas pessoas encontrem as exposições que, há muito tempo, acontecem na cidade com regularidade e relevância, fruto de muito trabalho de artistas, agentes e gestores, em espaços como o Centro Cultural Octo Marques, a Vila Cultural Cora Coralina, o Centro Cultural UFG, a Galeria da FAV, entre tantos outros espaços, públicos e privados.

As imagens que circularam nas redes sociais, mostrando filas expressivas para visitar a itinerância da Bienal, evidenciam esse sucesso, em parte associado à força de sua marca, mas também a uma divulgação eficaz e a horários ampliados e acessíveis. A formação de público e o acesso às exposições são desafios centrais para quem atua na gestão artística e cultural. Que a "sede de arte" não seja apenas convocada pelo evento, mas sustentada como desejo, e, sobretudo, ao longo do ano. Temos muito trabalho pela frente!


Paulo Duarte-Feitoza é curador, professor da Faculdade de Artes Visuais da UFG e membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA).

 

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Fonte: Secom UFG

Categorias: artigo Arte e Cultura FAV