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Universidade Federal de Goiás
Pesquisa concreto

Bloco de microconcreto ecoeficiente reduz custos na obra

Em 19/05/26 16:59. Atualizada em 19/05/26 16:59.

Pesquisa de professor da UFG deve gerar três patentes que já estão em fase de registro

Kharen Stecca

Um bloco de microconcreto que funciona por um sistema de encaixe e elimina o uso da argamassa produzido com produtos ecoeficientes. Esse foi o resultado da pesquisa de doutorado do professor Haroldo Dias Flauzino Neto, do curso de Arquitetura e Urbanismo do Campus Cidade de Goiás da Universidade Federal de Goiás (UFG), realizada na Universidade de São Paulo (USP). O projeto deve gerar três patentes que já estão em fase de registro: o design do bloco de encaixe e duas misturas diferentes de microconcreto que incorporam fibras recicladas de coco e de garrafas pet. O projeto ainda está sob sigilo devido à tramitação da patente, mas após essa etapa deve ser disponibilizado ao público.

Batizado de Mating Connection, o componente é um bloco de microconcreto com um sistema de encaixe por "acasalamento", onde todas as peças são iguais e reversíveis, permitindo que a parte superior se ajuste perfeitamente à inferior de outro bloco. Segundo o pesquisador, o grande diferencial do design é ser totalmente de encaixe, o que elimina a necessidade de argamassa de assentamento e autoportante, eliminando a necessidade de vigas e pilares.

Segundo ele, diferente de outros modelos existentes no mercado, o encaixe do bloco é mais concentrado e avantajado, o que proporciona maior resistência mecânica e estabilidade – ao contrário de blocos tradicionais que podem "escorregar" se não utilizarem argamassa. Além disso, o sistema foi pensado de forma integrada para instalações prediais, possuindo canais que facilitam a passagem de conduítes e fiação elétrica sem a necessidade de quebrar as paredes.

Ecoeficiência

Haroldo
Professor Haroldo Dias Neto, da UFG | Foto: Arquivo Pessoal

O projeto trabalha com princípios da ecoeficiência, termo que o pesquisador prefere à "sustentabilidade”. Isso porque, embora o processo minimize significativamente os impactos ambientais, ele não é 100% isento deles. A composição utiliza o microconcreto, uma mistura de agregados pequenos que, nesta pesquisa, atingiu índices de resistência estrutural superiores ao concreto e ao cimento isolados.

A inovação reside na adição de fibras. Foram testadas duas fórmulas. A adição de fibra de PET (polietileno tereftalato) – utilizada em um formato não linear (poligonal de 45 graus), o que oferece maior aderência – e fibra de coco, um fibra natural desidratada que, quando combinada à fibra de PET, apresentou resultados de resistência ainda mais expressivos. O uso das fibras contribui para a redução do teor de cimento, reconhecido como um dos principais emissores de gás carbônico, além de possibilitar o uso de um insumo de menor custo.

"O uso dessas fibras, somado à inserção de um material calcário (filler), permitiu reduzir a quantidade de cimento na mistura", explica Haroldo. O pesquisador conseguiu utilizar um cimento de baixo custo e menor resistência inicial, mas que, após a composição, ultrapassou as exigências das normas de desempenho da construção civil.

Resistência

Os testes laboratoriais mostraram que o material possui um índice de retração muito menor que o concreto comum, evitando que o bloco dilate e comprometa o sistema de encaixe. "Em ensaios de impacto de corpo mole, que simulam acidentes cotidianos, a parede com fibras mostrou alta tenacidade; o impacto de um pêndulo pesado resultou em danos quase imperceptíveis a olho nu", afirma Haroldo.

Além da resistência, o bloco é ligeiramente mais leve que o tradicional, facilitando a logística de transporte e a execução por meio de autoconstrução. "Estima-se que a eliminação da argamassa e a eficiência do sistema possam gerar uma redução de 25% a 30% no custo final da obra", avalia o professor.

O projeto foi autofinanciado pelo pesquisador, que contou com o apoio da UFG para sua licença de doutorado na USP. Inicialmente, segundo ele, a ideia era criar um painel monolítico, mas limitações de equipamentos laboratoriais e prazos de titulação levaram à adaptação para o formato de blocos de encaixe.

Cartilha

O professor ressalta que o futuro da tecnologia foca na acessibilidade. A intenção do pesquisador não é vender a patente para uma empresa exclusiva, mas sim realizar a transferência tecnológica para os interessados. Ele planeja desenvolver uma cartilha didática para que as pessoas aprendam a fabricar tanto a forma quanto o microconcreto, promovendo o acesso à mão de obra qualificada e materiais de alta resistência.

O professor ressalta que os resultados contribuem para a viabilização de construções de baixo custo, de execução simples e sem necessidade de mão de obra especializada, o que dá à pesquisa uma importante dimensão social, possibilitando que pessoas de baixa renda possam executar suas próprias edificações de forma autônoma.

Novos estudos já estão no horizonte, incluindo a incorporação de terra local às misturas para melhorar o desempenho térmico e acústico das edificações, uma técnica tradicional que pode auxiliar a criar soluções cada vez mais econômicas e eficientes.

 

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Fonte: Secom UFG

Categorias: Inovação Tecnologia Campus Goiás Destaque Notícia 1