Professor da UFG estima que Copa de 2026 será a mais poluente da história
Levantamento atribui recorde de emissões às longas distâncias entre as cidades-sede e ao fluxo de torcedores
Da Redação
A Copa do Mundo de 2026, que teve início no dia 11 de junho, poderá entrar para a história não apenas pelo número recorde de seleções participantes (48 e não mais 32) e pela dimensão do torneio, mas também por seu impacto ambiental. O torneio, que vai até o dia 19 de julho, tem como países-sede Estados Unidos, Canadá e México.
Um estudo desenvolvido pelo professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Universidade Federal de Goiás (UFG) Rodrigo Tóffano, a pedido do Portal TMC, estima que o evento emitirá cerca de 24,5 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) – medida que reúne diferentes gases de efeito estufa em uma única unidade de comparação.
É mais que o dobro das emissões registradas na Copa do Mundo de 1994, realizada nos Estados Unidos – a mais poluente até então. Além disso, este é o Mundial mais longo da história: se em 2022 foram 29 dias, a Copa de 2026 terá 39 dias.
As emissões de 2026 são equivalentes ao consumo elétrico de 4.625.633 lares estadunidenses (quase que a metade de todos os lares do estado da Flórida) ou ao carregamento de bateria de 1,8 trilhão de celulares. Equivale ainda a 5,2 milhões de veículos de passageiros movidos a gasolina sendo dirigidos por um ano – número um pouco menor que o de veículos de passeio da cidade de São Paulo.
O professor da UFG estima que, para compensar essas emissões, seria necessário o plantio de 367.019.370 mudas de árvores, sequestrando carbono por dez anos. Considerando 250 mil mudas por quilômetro quadrado, o Comitê Organizador Local deveria plantar uma área aproximada do tamanho da área física de duas Goiânias (729 km² cada).
Extensão territorial
Segundo os cálculos, a edição de 2026 deve se tornar a mais poluente da história das Copas do Mundo masculinas, pelo menos até a edição de 2034, na Arábia Saudita. O principal motivo é a grande extensão territorial envolvida no torneio e o intenso fluxo de torcedores entre as cidades-sede. Embora a competição seja organizada conjuntamente por três países, cerca de 75% das partidas ocorrerão nos Estados Unidos, incluindo a maior parte das fases eliminatórias e a final.
Para estimar as emissões, o pesquisador utilizou como referência metodológica o relatório oficial de gases de efeito estufa do Departamento de Segurança Energética e Emissões Zero do Reino Unido e da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA). O cálculo considerou dois componentes principais: hospedagem e transporte. No caso dos deslocamentos, foram analisadas tanto as viagens de longa distância quanto os trajetos locais realizados durante o torneio.
Segundo Rodrigo, o transporte aéreo responde pela maior parte das emissões associadas à mobilidade durante o torneio, superando significativamente outros modais, como transporte rodoviário e ferroviário.
De acordo com o pesquisador, os torcedores são responsáveis pela maior parcela (99%) da pegada de carbono do evento. Embora a Federação Internacional de Futebol (Fifa) tenha organizado as seleções em grupos geográficos para reduzir viagens entre as costas leste e oeste da América do Norte, a medida tem impacto limitado sobre o deslocamento do público, já que apenas 1% das emissões têm como origem delegações, árbitros, voluntários e o staff da própria Fifa.
Distâncias históricas
A Copa de 2026 também tem a maior distância já registrada entre duas cidades-sede de um Mundial. Vancouver, no Canadá, e Miami, nos Estados Unidos, estão separadas por aproximadamente 4,5 mil quilômetros. Essa dimensão territorial amplia a dependência do transporte aéreo e contribui para o aumento das emissões.
O estudo também analisou cenários relacionados ao desempenho das seleções favoritas ao título. Considerando apenas as emissões decorrentes do transporte das delegações, os resultados indicam que a logística de deslocamentos pode variar significativamente conforme a posição dos times na fase de grupos e os caminhos percorridos até a final.
No caso do Brasil, uma eventual campanha rumo ao hexacampeonato resultaria em cerca de 26 mil quilômetros percorridos pela seleção ao longo da competição. No momento, a seleção está classificada para as oitavas de final após a vitória sobre o Japão na última segunda-feira (29/6).
Ainda assim, o cenário brasileiro não figura entre os mais impactantes do ponto de vista ambiental, devido à escolha estratégica da cidade-base e à redução de deslocamentos aéreos mais longos.
Para o pesquisador, o planejamento da mobilidade e a adoção de alternativas menos dependentes do transporte aéreo serão cada vez mais importantes em competições internacionais de grande escala.
"Infelizmente, para nós, na América do Sul, os resultados mostram que Copas do Mundo sediadas na Europa, norte da África e Oriente Médio acabam sendo locais mais estratégicos para a realização desses eventos, já que um terço das vagas (16) tem como origem membros da Uefa [União das Associações Europeias de Futebol], além de países desse entorno pelas confederações da África e da Ásia".
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Fonte: Secom UFG
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