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Universidade Federal de Goiás
Painel Econômico

A indústria de Goiás segundo a PIA-Empresa 2024

Em 07/07/26 13:56. Atualizada em 07/07/26 13:56.

Indústria goiana cresce, mas ainda agrega menos valor que sua participação nacional

Edson Roberto Vieira
Antônio Marcos de Queiroz

Ao apresentar a Pesquisa Industrial Anual Empresa (PIA-Empresa), o IBGE ressalta que seu principal objetivo é identificar as características estruturais básicas das empresas industriais no Brasil e acompanhar suas transformações ao longo do tempo. Nesse sentido, a pesquisa constitui uma importante ferramenta para o estudo da estrutura da indústria brasileira, disponibilizando informações detalhadas e relevantes, inclusive em nível estadual.

Em um tempo em que os agentes econômicos demandam informações cada vez mais imediatas, a PIA-Empresa, assim como as demais pesquisas estruturais do IBGE, enfrenta o desafio constante de operar com uma defasagem de aproximadamente dois anos entre o período de referência e a divulgação de seus resultados. Trata-se de uma limitação difícil de ser reduzida, pois grande parte das informações depende dos balanços anuais das empresas, que também são disponibilizados com atraso, uma vez que se referem, necessariamente, ao exercício do ano anterior.

Assim, o IBGE divulgou, na semana passada, os resultados da PIA-Empresa referentes ao exercício de 2024. Naquele ano, o Brasil contava com 193.763 empresas industriais com cinco ou mais pessoas ocupadas. A maior parcela dessas empresas atuava no setor de Fabricação de produtos alimentícios (16,01%), seguida pela Fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (11,73%) e pela Confecção de artigos do vestuário e acessórios (11,50%).

Em relação ao pessoal ocupado, a Fabricação de produtos alimentícios manteve-se como a principal atividade industrial do país, concentrando 23,47% do total de ocupados na indústria. Na sequência, destacaram-se a Fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias (5,86%) e a Fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (5,85%).

No cenário estadual, destaca-se São Paulo, que concentra 29,7% das empresas industriais com cinco ou mais pessoas ocupadas no país. Em comparação, Minas Gerais, segundo colocado, responde por 12,8%, enquanto Santa Catarina, na terceira posição, representa 10,4% desse conjunto. Esses estados também concentram os maiores contingentes de pessoal ocupado na indústria. São Paulo reúne 31,9% dos empregos do setor, seguido por Minas Gerais (11,3%) e Santa Catarina (9,3%).

Outro indicador relevante da atividade industrial é o Valor da Transformação Industrial (VTI), que corresponde ao valor agregado pela indústria aos insumos utilizados no processo produtivo, constituindo uma medida equivalente ao valor adicionado gerado pela atividade industrial. Por representar a riqueza efetivamente gerada pelo setor, o VTI é um dos principais indicadores da importância econômica da indústria.

Em 2024, São Paulo liderou o ranking nacional, concentrando 34,5% do VTI do país, reflexo da elevada diversificação de seu parque industrial. Na sequência, destacaram-se o Rio de Janeiro (12,8%), impulsionado principalmente pela cadeia de petróleo e gás, e Minas Gerais (10,8%), cuja participação está associada à relevância dos setores de mineração, metalurgia e indústria de alimentos.

Os resultados da PIA-Empresa 2024 revelam que a estrutura industrial brasileira permanece fortemente concentrada em termos territoriais e setoriais. De um lado, observa-se a predominância da indústria de alimentos, que se destaca tanto pelo número de empresas quanto pela absorção de mão de obra, evidenciando a relevância das cadeias ligadas ao agronegócio para a indústria nacional. De outro, os indicadores mostram uma expressiva concentração espacial da atividade industrial, com São Paulo mantendo ampla liderança no número de empresas, no emprego industrial e, sobretudo, na geração de valor agregado.

Os dados reforçam a persistência das desigualdades regionais na indústria brasileira e apontam para os desafios de desconcentração produtiva do país. Embora outras unidades da Federação tenham ampliado sua relevância industrial nas últimas décadas, a liderança dos estados do Sudeste, especialmente de São Paulo, continua associada à maior complexidade de suas cadeias produtivas, à capacidade de inovação e à geração de valor agregado, fatores que seguem determinantes para a competitividade industrial no cenário nacional.

No caso de Goiás, o estado concentra 3,7% das empresas industriais brasileiras com cinco ou mais pessoas ocupadas, ocupando a sétima posição entre as Unidades da Federação. Em termos de emprego industrial, o estado responde por 3,3% do total de pessoas ocupadas na indústria nacional. Já em relação ao Valor da Transformação Industrial (VTI), sua participação é de 2,6%, percentual inferior ao observado tanto no número de empresas quanto no contingente de pessoal ocupado. Esse resultado indica uma participação relativamente menor do estado na geração de valor agregado da indústria brasileira.

As atividades que mais concentram empresas industriais com cinco ou mais pessoas ocupadas em Goiás são a Fabricação de produtos alimentícios (18,8%), a Confecção de artigos do vestuário e acessórios (18,5%) e a Fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (10,8%). Quanto ao emprego industrial, a Fabricação de produtos alimentícios lidera com ampla margem, concentrando 37,5% do total de pessoas ocupadas na indústria goiana. Na sequência, destacam-se a Fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (8,5%) e a Confecção de artigos do vestuário e acessórios (7,2%).

No que se refere ao VTI, a Fabricação de produtos alimentícios também se destaca como a principal atividade industrial do estado, respondendo por 43,0% do total gerado em Goiás. Em seguida, figuram a Fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis, com participação de 11,7%, e a Fabricação de produtos químicos, com 5,5%.

Os resultados da PIA-Empresa 2024 evidenciam que Goiás ocupa uma posição relevante no cenário industrial brasileiro, figurando entre os sete estados com maior número de empresas industriais e de pessoas ocupadas no setor. Contudo, a participação do estado no Valor da Transformação Industrial é proporcionalmente menor do que sua representatividade em termos de estabelecimentos e emprego, indicando que a composição setorial da indústria goiana está concentrada em atividades cujo valor agregado médio é inferior ao observado em estados com maior presença de segmentos industriais intensivos em tecnologia e capital.

A forte concentração da atividade industrial na fabricação de produtos alimentícios demonstra a importância do agronegócio como base do desenvolvimento industrial do estado, mas também revela um elevado grau de dependência de poucos segmentos produtivos. Embora essa especialização tenha contribuído para a expansão do emprego e da produção industrial em Goiás, o fortalecimento de atividades de maior intensidade tecnológica e maior capacidade de agregação de valor permanece como um desafio para a diversificação da estrutura produtiva estadual.

Esses resultados sugerem que a ampliação da competitividade da indústria goiana passa não apenas pelo aumento do número de empresas ou da ocupação industrial, mas sobretudo pelo estímulo à inovação, ao adensamento das cadeias produtivas e à atração de investimentos em setores de maior conteúdo tecnológico. Esses fatores podem contribuir para elevar a participação de Goiás na geração de riqueza industrial do país e consolidar uma trajetória de crescimento mais sustentável e diversificada no longo prazo.

 

Boletim de Conjuntura Econômica de Goiás, n. 192, maio de 2026.

 

Edson Roberto Vieira e Antônio Marcos de Queiroz são professores da Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas (FACE) da UFG.

 

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Fonte: FACE

Categorias: colunistas Humanidades FACE