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Universidade Federal de Goiás
Torto Arado

Pesquisa da UFG analisa exclusão social no livro "Torto Arado"

Em 07/07/26 14:41. Atualizada em 07/07/26 14:41.

Estudo traz à tona diferentes tipos de exclusão, como falta de acesso à saúde, educação e segurança

Thais Teixeira

Torto Arado
Torto Arado é um dos livros mais vendidos da literatura contemporânea | Imagem: Reprodução

O livro Torto Arado, de Itamar Vieira Júnior, lançado em 2019, narra a história das irmãs Bibiana e Belonísia, moradoras de uma comunidade na Chapada Diamantina, no interior da Bahia. As personagens têm a vida marcada pela falta de acesso a diversos recursos básicos para todo cidadão, mas buscam uma emancipação com resgate da ancestralidade, resistência e luta.

A exclusão social representada na obra foi analisada pela pesquisadora Letícia de Araújo Bernardes em sua pesquisa de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística (PPGLL) da Universidade Federal de Goiás (UFG), sob orientação do professor Yvonélio Nery Ferreira.

Letícia explica que, no decorrer da narrativa ficcional, é possível perceber uma configuração de isolamento proposital, ou seja, um espaço planejado para ser excludente e com inacessibilidade de direitos básicos.

Um exemplo é a personagem Belonísia, que, ainda na infância, sofre um acidente que decepa parte de sua língua. Sem acesso aos cuidados básicos de saúde, ela perde a capacidade de falar. "Esse é um exemplo de uma configuração que não só afeta simbolicamente como fisicamente as personagens do romance, por conta desse afastamento espacial", detalha Letícia.

A inacessibilidade ao saneamento básico e à segurança também é descrita na obra. Segundo a pesquisadora, quando a polícia alcança aquela população, é majoritariamente em um sentido de repressão e não de apoio contra a vulnerabilidade.

 

Torto Arado
Larissa Luz, Lilian Valeska e Bárbara Sut em Torto Arado, o musical | Foto: Divulgação/Caio Lirio

 

Sistema de exclusão

A pesquisa também aponta que a educação abordada no livro é pensada para manter esse sistema de exclusão, já que não é formulada para ensinar as crianças daquela comunidade quilombola a ter um pensamento crítico.

"É um espaço planejado para impossibilitar que aquela população da Fazenda Água Negra, aqueles trabalhadores, se emancipem da condição de exclusão social para conseguir alcançar outros espaços. Eles são condicionados àquele espaço da fazenda".

Letícia ainda faz um paralelo de como as mulheres são ainda mais afetadas, já que, além do processo de exclusão, da exploração do trabalho e da inacessibilidade de direitos, elas sofrem opressão de gênero por seus próprios companheiros homens.

Na dissertação, a pesquisadora reforça como Bibiana se desenvolve e constrói uma postura crítica. "Junto com o marido, ela busca formação e conhecimento como forma de romper com a realidade em que vive. Os dois chegam a deixar a fazenda e, depois, retornam com uma consciência mais ampla, contribuindo para a emancipação crítica da comunidade. Já Belonísia, que tem a língua cortada logo no início da narrativa, não se faz silenciada por essa violência. Mesmo sem a fala, ela encontra outras formas de expressão e de resistência ao longo do romance".

 

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Fonte: Secom UFG

Categorias: Literatura Humanidades FL destaque Notícia 1