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Universidade Federal de Goiás
Pequi em aldeias indígenas

Frutos do Cerrado podem combater insegurança alimentar em comunidades indígenas

Em 04/08/26 14:45. Atualizada em 04/08/26 14:45.

Pesquisa da UFG avaliou como o pequi e o jerivá podem aumentar o valor nutricional de alimentos tradicionais

 

Pequi em aldeias indígenas
Colheita de pequi na Aldeia Ngôjw êrê dos Kisêdjê | Foto: Rogério Assis/ISA

 

Geovana Polo

A insegurança alimentar enfrentada por povos indígenas brasileiros motivou pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) a buscar uma solução dentro da própria biodiversidade nacional. A pesquisa realizada no Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia em Alimentos, da Escola de Agronomia da UFG, investigou o potencial nutricional do pequi e do jerivá, frutos presentes no Cerrado e que podem ser introduzidos na alimentação dos povos indígenas, como a farofa e o beiju.

O estudo desenvolvido por Gabryel da Silva Alves mostra como a farofa da castanha do pequi torrada e a polpa e a amêndoa de jerivá são alimentos ricos nutricionalmente e que podem contribuir para a alimentação dos povos tradicionais, ajudando no combate à fome e à desnutrição. Uma pesquisa transversal feita com famílias indígenas Terena da Área Indígena Buriti demonstrou que apenas 24,5% das 49 famílias entrevistadas viviam em segurança alimentar.

O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, cobrindo 21% do território do país, ficando atrás apenas da Floresta Amazônica em relação à área. Muitos frutos das árvores do bioma são ricos em nutrientes, mas são subutilizados. O pequizeiro é uma árvore encontrada em vários estados do Brasil, como Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Tocantins e Distrito Federal, e sua frutificação ocorre entre novembro e fevereiro. Já o jerivá é uma palmeira que pode ser encontrada em vários biomas no Brasil e seu fruto doce é consumido in natura e como suco por populações nativas.

Já a mandioca é um alimento muito utilizado pelos povos indígenas e mais consumida como farofa e beiju. Embora seja um alimento-base na dieta indígena e possua grande teor energético, a mandioca apresenta baixos níveis de proteínas, minerais e vitaminas. Assim surgiu a ideia de se utilizar os frutos do Cerrado para suprir os nutrientes.

Jerivá
Palmeira de jerivá | Foto: Instituto Auá

"Em estudos na literatura, muitos frutos nativos brasileiros apresentam uma riqueza nutricional por vezes escondida, com presença de fibras alimentares, lipídeos, proteínas e compostos bioativos, como se observou ser o caso da polpa e da amêndoa de jerivá e da castanha de pequi utilizados no estudo", explica Gabryel.

A pesquisa buscou utilizar métodos simples na preparação desses alimentos, para que fossem acessíveis às práticas indígenas. "Busquei utilizar metodologias mais simples, acessíveis e que pudessem ser replicadas lá na aldeia, como, por exemplo, a secagem dos frutos ao sol de forma direta".

Os resultados com o uso do pequi e do jerivá demonstraram ganhos nutricionais significativos comparados com os alimentos derivados da mandioca. A farofa produzida com 50% de substituição da massa de mandioca pela castanha de pequi apresentou aumento nos níveis de proteínas, lipídios e valor energético, comparada à fórmula tradicional. Já a produção de beiju enriquecida com amêndoas de jerivá mostrou um aumento significativo em relação à quantidade de fibras encontrada no alimento.

Iniciativa Amazônia+10

Gabryel afirma que pretende levar a pesquisa para dentro das comunidades indígenas. "Um dos motivos para desenvolver esta pesquisa era poder levar estes resultados para aldeias, para poder complementar nutricionalmente a dieta das pessoas, por isso também o emprego de tecnologias mais acessíveis".

O estudo também busca recuperar conhecimentos tradicionais e incentivar o uso de alimentos naturais disponíveis em territórios indígenas. "O projeto Iniciativa Amazônia+10, do qual minha pesquisa de mestrado fez parte, busca trabalhar alternativas alimentares nutritivas para populações indígenas na Terra Indígena de Tirecatinga, no Mato Grosso, principalmente com a aldeia Serra Azul, uma região onde frutos do bioma Cerrado estavam presentes, dentre os quais o pequi".

O projeto Iniciativa Amazônia+10 tem como objetivo apoiar a pesquisa científica e o desenvolvimento tecnológico na floresta tropical e promover o desenvolvimento sustentável e inclusivo da região. O projeto é realizado pela UFG em conjunto com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), onde professores e alunos desenvolvem pesquisas com diferentes frutos.

Acesse aqui a dissertação Castanha de pequi (Caryocar brasiliesnse Camb.), polpa e amêndoa de jerivá (Syagrus romanzoffiana (Cham.) Glassmann) para o enriquecimento da alimentação indígena.

 

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Fonte: Secom UFG

Categorias: Nutrição Ciências Naturais EA destaque Notícia 1