Pesquisa identifica relação entre vulnerabilidade social e ilhas de calor em Goiânia
Construção do espaço urbano da capital contribuiu para a formação de ilhas de calor

Foto: Erich Sacco (Getty Images/iStockphoto)
Rafaela Fonseca
As ilhas de calor ocorrem quando há um grande aumento da temperatura em áreas urbanas devido a maneira que o espaço urbano é apropriado. Geralmente são encontradas nas áreas centrais das grandes cidades, mas na capital goiana o cenário é um pouco diferente. As ilhas de calor estão presentes em diversas regiões da cidade e impactam de formas variadas as vidas dos goianienses.
Levando isso em conta, o Programa de Pós-graduação em Geografia do Instituto de Estudos Socioambientais (IESA) da Universidade Federal de Goiás desenvolveu uma pesquisa que mostra a relação entre a produção do espaço urbano, as ilhas de calor e a vulnerabilidade na cidade de Goiânia. O estudo foi orientado pela professora Gislaine Cristina Luiz e co-orientado pelo professor Diego Tarley Ferreira Nascimento, e desenvolvido pela pesquisadora Ana Cristina Araújo Foli. O foco da pesquisa é contribuir para os estudos da Geografia do clima com a hipótese de que, o uso mais avançado de técnica, ciência e informação reduz os riscos e a vulnerabilidade socioespacial, tornando o clima urbano relativo e seletivo.
A pesquisa identificou que na cidade de Goiânia a distribuição da temperatura de superfície apresentou altos índices, entre 36 °C a 43 °C, reunidos principalmente na região central pela sua grande urbanização e densidade, e também em bairros periféricos devido a falta de infraestrutura presente nessas regiões e a proximidade com áreas de pastagem. Os principais bairros identificados com maior variação térmica são Setor Garavelo, Setor Caravelas, Jardins Madri, Solange Park I e II, Residencial São Marcos, Lorena Parque, Carolina Parque, Residencial Goiânia Viva, Vila União, Residencial Fortville, Jardim Botânico, Parque Santa Rita, Village Santa Rita, Vila Mauá, e em bairros da região noroeste como o Conjunto Vera Cruz, Parque Eldorado Oeste, Setor das Nações e Residencial Junqueira.

A pesquisa também aborda o clima e o espaço urbano como fato social, tópicos que a autora ressalta serem o resultado de uma construção social e histórica. “Quando você pensa que a cidade é um espaço construído, ela vai envolver relação de poder e essas relações de poder vão moldar o espaço. Por exemplo, quando o poder público abre um novo loteamento, aquele lugar tem uma premissa, se é um bairro popular ou um residencial nobre, mesmo ambos estando na periferia, como o Jardim do Cerrado e o Aldeia do Vale, as relações com a habitação e com as construções vão ser diferentes”, pontua Ana Cristina.
O estudo trouxe como resultado, além das áreas classificadas como ilhas de calor na capital, um retrato da vulnerabilidade social enfrentada por moradores de algumas dessas áreas e como as ilhas impactam de maneiras diferentes essas pessoas.
“Então a questão da vulnerabilidade social é a seguinte: a pessoa que está em situação de vulnerabilidade social, não tem, por exemplo, as mesmas condições de comprar um ar-condicionado que pessoas que não estão nessa condição tem. O salário é menor, a renda é menor, mora num lugar mais distante, não tem acesso a tantos serviços públicos como quem está em outras regiões, digamos, mais priorizadas. Todos nas regiões de ilha de calor enfrentam a mesma situação. Não é que quem está no Aldeia do Vale não enfrente essa situação, só que as condições para lidar com esse calor são diferentes, e é aí que entra a vulnerabilidade”, afirma Ana Cristina.
A pesquisa conclui que é possível relacionar vulnerabilidade social e ilhas de calor urbana na cidade de Goiânia, mostrando que, em certas áreas da cidade, os impactos do clima são definidos por fatores de origem socioeconômica e que ao reduzir as desigualdades e desenvolver programas de saúde específicos torne-se viável que grupos em situação de alta vulnerabilidade social enfrentem melhor as ilhas de calor.

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Fonte: Secom UFG
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