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Universidade Federal de Goiás
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Produtividade ou Produtivismo?

Criada em 08/11/10 08:33. Atualizada em 24/01/12 08:26.
Número de pesquisadores cresceu em 80% a partir da década de 1990, tempo em que, paradoxalmente, os recursos eram mais escassos. De acordo com um especialista no assunto, isso ocorreu graças a uma cultura de competitividade que se instaurou no universo acadêmico

 

Por Patrícia da Veiga
A relação entre aplicação de recursos e avaliação gerou à década de 1990 um movimento interessante: o do crescimento dos grupos de pesquisa. Isso porque se os recursos eram distribuídos conforme a titulação dos professores das instituições federais e as gratificações eram calculadas conforme a produtividade, as pessoas tiveram de se organizar.
 
Conforme o especialista no assunto Daniel Gustavo Mocelin, que fez, em 2009, um diagnóstico da década de 1990 para a Revista Brasileira de Pós-Graduação (RBPG, Brasília, n. 6, v.11), a fase de recessão e pressão fez aumentar a competitividade e levou o docente e pesquisador a enxergar alternativas de sobrevivência fora do ambiente tradicional da sala de aula. Para ele, o contexto era contraditório e até pouco justificável, mas que acabou sendo profícuo. Afinal, a contrapartida à escassez de recursos públicos foi o crescimento da oferta vinda de convênios como MEC/USAID e de programas como o do grupo Fulbright.
O estímulo à competitividade teve as mesmas bases neoliberais da política aplicada à educação na época. Mas, esse processo não parou nessa década. Ao longo dos anos 2000, os recursos seguiram baixos e a disputa por projetos de pesquisa continuou aumentando. Em 1997, a média de recurso anual por pesquisador era de cerca de R$ 17 mil e em 2006, 11 mil. Se os programas de pós-graduação ainda atualmente são avaliados pela quantidade de publicações que somam, a tendência é que produtividade seja, de fato, convertida em produtivismo.
 
Conforme escreveu Mocelin, “não se defende a ideia de que esse modo de concorrência seja um modo adequado para o campo científico, mas que esse novo modelo, criado para os pesquisadores enquanto uma reação às alterações nas condições do campo científico, gerou resultados positivos”. Desta forma, teria sido implantada, mesmo com mecanismos contraditórios, uma “cultura” científica no Brasil.
 
Ao longo das duas décadas, o número de pós-graduandos Cresceu 80%. Isso significou a consolidação de mais grupos e, também, a criação de mais programas de qualificação de pessoal. Em 1993, 21.541 pesquisadores estavam registrados no CNPq. Esse quantitativo subiu para 33.980 em 1997, 48.781 em 2000 e 57.586 em 2006. As áreas de Ciências Biológicas e de Engenharias foram as que mais cresceram e mais receberam condições de se organizar. Foram, contudo, as que já estavam mais consolidadas desde o início do período.

Fonte: ASCOM/UFG