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Universidade Federal de Goiás
Laerte Guimarães

Por uma pós-graduação mais colaborativa e globalizada

A UFG elege a internacionalização da pós-graduação como uma das suas prioridades acadêmicas, afirma pró-reitor de Pós-Graduação, Laerte Guimarães

Laerte Guimarães Ferreira*

Em um mundo complexo e globalizado, o desenvolvimento científico e tecnológico depende cada vez mais de redes de colaboração que ultrapassem as fronteiras nacionais. Segurança alimentar e sustentabilidade, meio ambiente e mudanças climáticas, doenças emergentes e inovações terapêuticas, infraestrutura e mobilidade urbana, novos materiais e tecnologias em nanoescala, movimentos sociais e transformações culturais são alguns dos muitos exemplos de temas de pesquisa contemporâneos e urgentes que demandam interlocuções e respostas globais. Nesse sentido, e considerando que no Brasil (e a exemplo dos países mais desenvolvidos do mundo) a produção de conhecimento ocorre principalmente nas universidades, em particular no âmbito de programas de pós-graduação, torna-se cada vez mais necessário e premente que a formação de mestres e doutores se dê em um ambiente que valorize sinergias e sinapses, inter-institucionais e internacionais.

A Universidade Federal de Goiás, uma das principais referências acadêmicas na Região Centro-Oeste e posicionada entre as 20 melhores universidades do país, em sintonia com essa realidade, elegeu a internacionalização da pós-graduação como uma das suas prioridades acadêmicas. Aliás, é interessante observar que cada um dos 78 programas de pós-graduação stricto sensu existentes atualmente apresenta algum nível de inserção internacional. Em linha com esta percepção, das cerca de 1.500 publicações em 2017 (base Scopus), aproximadamente 22% envolveram algum tipo de colaboração internacional e 9% ficaram entre os 10% de trabalhos mais citados mundialmente. É interessante observar que a produção científica da UFG fruto de colaborações internacionais possui, em média, um impacto (em termos de citações / repercussão dos resultados) três vezes superior aos artigos cujas colaborações são restritas ao conjunto da universidade. Por outro lado, um grande desafio que se apresenta é fazer que as várias ações voltadas à internacionalização, em grande parte baseadas em iniciativas individuais e isoladas, sejam institucionalizadas (com maior grau de centralidade e sistematização) e efetivamente apropriadas pelo conjunto da universidade. Muitos são os desafios para que o nível de internacionalização da pós-graduação aumente e se torne um aspecto essencial da formação de mestres e doutores. Entre outros, destaca-se o baixo nível de proficiência em línguas estrangeiras, em que pese o fato de a UFG contar com um excelente Centro de Línguas e participar de forma ativa e destacada do programa Idiomas sem Fronteiras.

Buscando suprir essa deficiência, no mês de setembro, a Pró-Reitoria de Pós-Graduação, em parceria com o programa English Teacher Assistant (ETA / Capes-Fulbright), deu início a uma série de cursos de curta duração em língua inglesa, voltados à leitura e produção de textos acadêmicos e capacitação para apresentações orais. Outras dificuldades para um processo de internacionalização de caráter mais institucional e robusto incluem: infraestrutura de apoio ainda insuficiente (para recepção e acompanhamento de pesquisadores e estudantes estrangeiros), falta de registros consolidados referentes às ações de internacionalização e a nossa estrutura acadêmica e administrativa ainda muito compartimentada.

Para que a pós-graduação da UFG aumente o nível de colaboração internacional, faz-se necessário a prática de planejamento estratégico por parte de cada programa, além, é claro, de maior fomento (internacionalizar demanda investimentos) e uma política institucional bem-definida e norteadora. É preciso, por exemplo, planejar melhor a saída de docentes para períodos sabáticos (pós-doutorados), os quais se constituem em excelentes oportunidades para criar e/ou consolidar parcerias existentes com centros de excelência internacionais, buscando assim o fortalecimento de aspectos teóricos e metodológicos das linhas de pesquisa existentes em cada programa. Igualmente importante, os programas precisam se comunicar melhor (propósitos, normas, resultados de pesquisa etc), por meio de páginas na internet atualizadas e informativas, de preferência, bilíngues.

Contudo, mais do que mobilidade de pessoas (participação de bolsistas em programas de doutorado “sanduíche” e recepção de pesquisadores estrangeiros), precisamos garantir a inserção da universidade em projetos e atividades internacionais que envolvam ensino, pesquisa, inovação, extensão e cultura. Para tanto, é preciso valorizar e integrar as diferentes competências presentes nos nossos vários programas de pós-graduação, com vistas a promover na Universidade Federal de Goiás um ambiente de pesquisa efetivamente colaborativo, internacional e situado na fronteira do conhecimento.

*Laerte Guimarães Ferreira é pró-reitor de Pós-Graduação e professor do Instituto de Estudos Socioambientais

Categorias: Artigo