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Universidade Federal de Goiás
Blade Runner

Pesquisa compara ficção de Blade Runner com os dias atuais

Criada em 29/08/19 09:14. Atualizada em 29/08/19 09:31.

Análise da crítica realizada pelo filme possibilita intersecções inclusive com a realidade brasileira

Lucas Humberto

Apesar de originalmente ter sido lançado em 1982, a versão escolhida do filme Blade Runner para análise, realizada pelo pesquisador Clodoaldo do Nascimento Barros, foi a de 2007, conhecida como final cut. A dissertação, vinculada à pós-graduação em Sociologia da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da UFG, lança o olhar sobre a obra para entender os meandros da crítica realizada pelo filme, os problemas vividos pela sociedade nos anos 1980 e para fazer intersecções com os dias atuais. Para Clodoaldo, as críticas elaboradas pelo longa apontam diretamente para os dias atuais, em que se inter-relacionam temáticas como degradação ambiental, violência estatal, precarização do mundo do trabalho, individualismo, solidão e a visão pessimista em relação ao futuro.

Blade Runner
Cartaz de divulgação da versão final cut de Blade Runner

A pesquisa, orientada pelo professor Nildo Viana, inicialmente busca contextualizar os aspectos cinematográficos do filme. Nesse sentido, insere o longa no subgênero Cyberpunk de ficção científica, que utiliza o lema da “alta tecnologia e baixa qualidade de vida” para mostrar futuros sombrios e melancólicos. Quase sempre a vida humana fica resumida à exploração, dominação e vinculada ao ambiente da poluição. São exatamente esses atributos utilizados para compor o principal cenário de Blade Runner: ou seja, a cidade de Los Angeles em 2019. 

Em um segundo momento, Bastos apresenta a relação entre a historicidade e a sociedade da década 1980 e a sua relação com a produção do longa. Para isso, resgata o conceito de neoliberalismo e o coloca como central para o entendimento da pesquisa. Afinal, durante a produção do filme e já desde os anos 70, o estado neoliberal se caracterizou pelos cortes de gastos nas áreas sociais, pela desregulamentação do mercado, desmantelamento das leis trabalhistas, desemprego, perdas salariais, em suma, pelo Estado mínimo. 

Segundo o orientador do estudo, Nildo Viana, o toyotismo foi a organização do trabalho que correspondeu ao neoliberalismo, e se caracteriza pela produção em massa de produtos variados de forma personalizada. Entretanto, as consequências desse modelo de produção para os trabalhadores foi de intensa exploração, com o aumento de horas de trabalho e retirada dos direitos trabalhistas. “O Estado neoliberal é o regularizador e incentivador de todo esse processo e faz isso não apenas regularizando as relações de trabalho a partir dos interesses da classe capitalista, como também com incentivos a uma política cultural e financeira que reforça isso”.

Após analisar os aspectos econômicos e políticos, Clodoaldo Bastos parte para a análise crítica da mensagem do filme e discute a figura dos replicantes, ou seja, réplicas genéticas produzidas para serem escravizadas e apenas trabalhar até, literalmente, morrer. Sem a possibilidade de pedirem melhores salários ou melhorias na condição de trabalho, os replicantes surgem não apenas como uma metáfora sobre os trabalhadores, mas também como uma crítica ao mundo degradante do trabalho no Estado neoliberal. Para Bastos, essa discussão ainda permanece extremamente atual e ligada ao contexto brasileiro. “Veja o caso do Brasil, com flexibilizações nas leis trabalhistas, a reforma da previdência, o aumento da desigualdade a cada ano, milhares de pessoas desempregadas, ou em subempregos passando fome, caindo na marginalidade”, observa o pesquisador. 

Fonte: Secom UFG

Categorias: Arte e Cultura destaque