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Universidade Federal de Goiás
Chapada dos Veadeiros

UFG desenvolve projeto de Geoparque para Chapada dos Veadeiros

Criada em 23/01/20 16:44. Atualizada em 24/01/20 11:17.

Inventário do patrimônio geológico está em fase final e pesquisadores buscam parceiros para implementação e submissão do projeto à Unesco

Versanna Carvalho

Goiás pode vir a sediar o segundo Geoparque Global da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) no Brasil e o oitavo do gênero na América Latina. Um projeto para a criação do Geoparque Chapada dos Veadeiros foi apresentado na terça-feira (21/1/20) pela coordenadora do curso de Geologia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Federal de Goiás (FCT-UFG), Joana Sánchez, ao vice-governador do Estado de Goiás, Lincoln Tejota (sem partido).

O geoparque compreende a microrregião da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, que engloba oito municípios: Cavalcante, Alto Paraíso de Goiás, Colinas do Sul, Teresina de Goiás, Nova Roma, São João D’Aliança, Campos Belos e Monte Alegre de Goiás. O território vai um pouco além da área de proteção ambiental (APA) do Pouso Alto, criada pelo Decreto nº 5.419, de 7 de maio de 2001.

UFG desenvolve projeto de Geoparque para Chapada dos Veadeiros
Geoparque engloba a região da Chapada dos Veadeiros (Foto: Bruno Dias)

 

“O projeto do geoparque é muito maior do que a área do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (PNCV). O Parque Nacional estará dentro do geoparque e continuará com a sua gestão pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Não exerceremos qualquer influência sobre eles. Mesmo contendo o PNCV no seu território, o geoparque não é um parque nacional. Pessoas podem morar no local e até exercer atividades econômicas”, afirma a coordenadora do curso de Geologia da UFG.

A ideia de trabalhar com geoparques vem desde o pós-doutorado, em Portugal. “Lá estudamos uma metodologia nova de inventário de geologia de cratera de impacto por meteoritos”, conta. A escolha pela Chapada dos Veadeiros ocorreu devido à boa receptividade do ICMBio à proposta.

 

Definição

De acordo com definição dada pela Unesco, geoparques são regiões que agregam importância histórica, cultural, paisagística, geológica, arqueológica, paleontológica e científica. Somado a esses fatores, deve haver também uma estratégia de desenvolvimento sustentável para o local. Para que a região venha a ser reconhecida como um geoparque é necessário fazer o inventário do patrimônio geológico.

Esse trabalho que compreende mapeamento geológico, cadastro de principais trilhas, georreferenciamento e tratamento de imagens, delimitação de área do parque e seu entorno, elaboração e confecção de painéis explicativos e QR codes [espécie de código de barras que dão acesso rápido a informações] com conceitos de geologia básica e sobre a geologia da região, etc. “O objetivo é o levantamento de uma base de dados para compor o dossiê e elaborar a proposta de criação do geoparque”, explica a pesquisadora.

O que vem sendo feito há mais de três anos pela geóloga e já está em fase de conclusão. “A primeira visita de campo foi em dezembro de 2016. Desde então, tenho ido periodicamente. O processo é demorado pois é feito a pé. Observamos cada detalhes para encontrar os patrimônios geológicos excepcionais”, observa. Já foram propostas algumas georrotas, que são rotas geológicas, dentro e fora do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (PNCV), que já foram publicadas em um trabalho de iniciação científica de uma estudante de geologia.

 

Reconhecimento

Joana Sanchez destaca que para obter o reconhecimento de geoparque ainda são necessárias algumas etapas. É necessário escrever um dossiê para a Unesco, que, além da parte geológica, que é o carro-chefe do geoparque conterá todo um levantamento social e cultural da região. Nesta fase, será necessária a participação de pesquisadores de outras áreas da ciência. O tempo estimado pela professora para a conclusão dos trabalhos é de cerca de quatro anos.

A Unesco recebe até três dossiês solicitando a criação de geoparques por país, anualmente. Depois da validação do dossiê, é feita a avaliação do local por representantes da instituição. A professora Joana comenta que a visita só ocorre se o geoparque estiver em funcionamento há aproximadamente um ano.

“Esse é o trabalho mais difícil, pois é preciso ter alguém lá na região que dê continuidade ao que nós entregarmos de pesquisa. O recurso humano necessário é de pelo menos um geólogo para trabalhar no geoparque e estabelecer parcerias com as associações de guias e prefeituras da região para que apoiem e ajudem o desenvolvimento local”, ressalta.

Geoparque
Como já existe atividade turística, espera-se que o processo seja mais fácil (Foto: Fernando Tatagiba)

 

Turismo

Para Joana Sánchez, como já existe uma atividade turística significativa na região, a implementação do projeto do geoparque será mais fácil. “Não vai ser necessário propor algo totalmente novo, pois já ocorre turismo na localidade para ver elementos geológicos”, argumenta.

Para ela, o importante é municiar guias, condutores, moradores e visitantes que a riqueza geológica existente ali é ainda maior do que se supõe. “O turismo de aventura, que está em ascensão, está diretamente ligado ao meio ambiente, que por sua vez está ligado à Geologia”, associa a professora.

Em uma publicação no Instagram, o vice-governador, Lincoln Tejota, afirma estar “encantado com o projeto”. Ele assinala que o turismo é o segmento econômico que mais cresce no mundo. “Em 10 anos, a Chapada dos Veadeiros registrou o aumento de 300% de visitantes. Esse número representa o potencial gigante que nosso Estado possui”, continua. Na avaliação de Tejota, “a atuação da UFG empodera as ações do governo estadual”.

 

Pioneirismo

Por enquanto, o único geoparque brasileiro reconhecido pela Unesco no Brasil é o Geoparque Mundial Araripe, no Ceará. Em 2006, foi designado como parte da Rede Global de Parques e, em 2015, obteve o título de Geoparque Mundial da Unesco.

Até o ano passado, só havia outros dois países além do Brasil com Geoparques Unesco na América Latina: o Uruguai (Grutas del Palacio Unesco Global Geopark) e o México (Mixteca Alta, Oaxaca Unesco Global Georpark e Comarca Minera, Hidalgo Unesco Global Geopark). Em 2019 outros três países obtiveram a designação: Chile (Kütralkura Unesco Global Geopark), Equador (Imbabura Unesco Global Geopark) e Peru (Colca y Volcanes de Andagua Unesco Geopark). Ao todo são 147 geoparques em 41 países.

 

Capacitação

Além do projeto de pesquisa sobre a criação do geoparque, a docente coordena ainda dois projetos de extensão. Um deles é de Educação em Geociências e Geologia Regional para os guias e condutores da região. O outro, é a capacitação de guias em geologia e em normas técnicas de condutores de turismo, em conformidade com a norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), ministrado juntamente com o canionista, Ion David.

Geoparque
Projeto está sendo apresentado a associações de guias e condutores (Foto: Joana Sánchez)

 

“As próximas ações do projeto de extensão de Educação em Geociências e Geologia prevê capacitações para os professores locais para que eles possam dar aulas para que as crianças que vivem na microrregião da Chapada dos Veadeiros saibam a riqueza geológica do local em que moram”, anima-se Joana.

O projeto do geoparque tem sido apresentado a associações de guias e condutores da região da Chapada dos Veadeiros. Noventa desses profissionais já passaram por cursos de capacitação em Geologia realizados pela equipe de pesquisadores da professora Joana Sánchez. “Nessas ocasiões sempre falamos da proposta para o projeto do geoparque e a ideia é sempre muito bem recebida pelos guias e pela população. Já apresentamos o projeto na Prefeitura de Alto Paraíso e em reuniões do Conselho da APA do Pouso Alto”, enumera.

Fonte: Secom UFG

Categorias: destaque FCT Geoparque