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Universidade Federal de Goiás
Painel Econômico

PAINEL ECONÔMICO

Criada em 17/04/20 14:28.

Pesquisa mostra Goiás bem ranqueado no setor de inovação com dados de 2015 a 2017

Boletim de Conjuntura Econômica de Goiás – Nº 120, abril de 2020


Em meio a uma série de notícias desastrosas acerca da economia goiana, vamos a algumas boas. Os dados da Pesquisa de Inovação – Pintec, do IBGE, relativos ao período 2015-2017, colocaram o estado de Goiás bem ranqueado entre as Unidades da Federação (UFs) do Brasil. Essa pesquisa busca construir indicadores setoriais que dão um panorama detalhado das inovações de produto e de processos realizadas pelas empresas industriais que atuam no território nacional, tendo como foco específico aquelas que possuem dez ou mais funcionários.
A pesquisa levantou informações de cerca de 3.364 empresas que atuam em Goiás nas indústrias extrativa e de transformação e mostrou que, destas, 1.411 realizaram algum tipo de inovação no triênio analisado. Esse resultado permite que seja calculada a taxa de inovação da indústria do estado, a qual foi de 41,9% no período, o que fez com que Goiás ficasse atrás apenas do estado do Amazonas (46,0%) e bem à frente do Brasil (33,9%) nesse quesito.
Quando se toma como base os resultados da pesquisa anterior, relativa ao período 2012-2014, Goiás também se destacou. Naquele período, a taxa de inovação da indústria goiana era de 31,6%. Ou seja, essa taxa aumentou 10.4 pontos percentuais entre as duas pesquisas, enquanto o Brasil apresentou queda de 2.6 pontos percentuais no mesmo período. Com isso, Goiás avançou onze posições no ranking nacional na comparação com o triênio anterior, quando possuía a terceira menor taxa dentre as UFs investigadas pelo IBGE.
Em relação aos valores, o montante investido pelas indústrias goianas em Pesquisa e Inovação (P&D) foi de cerca de R$ 1,4 bilhão, equivalente a 2,4% da receita líquida dessas empresas. Os estados do Amazonas (4,3%) e Ceará (2,8%) foram os dois primeiros e, neste quesito, Goiás ocupou a terceira posição em nível nacional. No Brasil como um todo, os dispêndios com P&D alcançaram R$ 47,5 bilhões, equivalentes a 1,7% da receita líquida das empresas industriais.
A maior parte dos gastos em P&D em Goiás foram destinados à aquisição de máquinas e equipamentos, com 62,% do total despendido pelas indústrias, à frente dos gastos com as atividades internas de pesquisas e desenvolvimento, cujo percentual foi de 20,7%, e daqueles relacionados à introdução das novas tecnologias no mercado, com 7,1%.
No período analisado pela pesquisa, 65,9% das empresas que não implementaram inovações indicaram que as condições de mercado foram a principal razão para tanto. Daí a importância do papel do estado para estimular as inovações tecnológicas em Goiás. Quase metade (48,5%) das empresas inovadoras tiveram apoio do governo do estado, utilizando seus programas para inovar.
Aliás, esta é uma das características do Brasil, onde cerca de metade dos gastos em P&D é de responsabilidade do Estado, ao passo que, no mundo, 75,0% desses gastos são provenientes da iniciativa privada. Os EUA despendem cerca de US$ 476 bilhões em P&D, montante mais de dez vezes superior ao do Brasil, que é de cerca de US$ 42 bilhões. A China ocupa o segundo lugar neste aspecto, com gastos em de US$ 370 bilhões, e o Japão o terceiro, investindo aproximadamente US$ 170 bilhões em P&D

Nesta corrida, o Brasil está atrás há muito tempo. Precisa caminhar a passos largos se quiser recuperar terreno e se aproximar um pouco mais dos países desenvolvidos. Cumpre destacar que o papel do Estado continua sendo fundamental neste sentido, não necessariamente por meio do aumento dos seus gastos em P&D, mas, sobretudo, estimulando e incentivando as empresas privadas do país para que inovem mais. Esse é o rumo certo para o desenvolvimento.

Boletim de Conjuntura Econômica de Goiás – Nº 120/abril de 2020. Equipe Responsável: Prof. Dr. Edson Roberto Vieira, Prof. Dr. Antônio Marcos de Queiroz e o bolsista Matheus Vicente do Carmo.

Fonte: Secom UFG

Categorias: colunistas FACE